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Full text of "Pobreza, exclusão social e modernidade - uma introdução ao mundo contemporaneo"

Simon Schwartzman 

Pobreza, 

exclusão social 
e modernidade: 

uma introdução 
ao mundo 
contemporâneo 




Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 1 

Pobreza, exclusão social e modernidade: 
Uma introdução ao mundo contemporâneo 



Simon Schwartzman 



Versão manuscrita. Publicado originalmente pela Augurium Editora, São Paulo, 
2004 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 



A Luisa 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 4 

Sumário 

Prefácio 7 

Parte 1 - As raízes 10 

1. Pobreza, exclusão social, modernização e modernidade 10 

Modernidade e modernização 10 

A visão antimodernista 13 

A visão moderna da sociedade: Adam Smith 16 

Marx, o modernista 18 

Os poderes do proletariado 20 

A escória social 22 

2. As causas da riqueza 24 

O mistério do crescimento: natureza e cultura, indivíduos e instituições24 
Expansão imperialista na era do capital 31 

3. Pobreza e desenvolvimento industrial 34 

Karl Polanyi: as leis dos pobres 34 

Sociedade e mercado 41 

4. Colonialismo, dependência e cultura 48 

Escravidão 49 

Dependência 51 

Culturas, civilizações e sociedades 52 

índia, na visão de V. S. Naipaul 55 

México, por Octávio Paz 58 

Conclusão 61 

5. Trabalho, pobreza e exclusão social 65 

Proletários, operários e empregados 65 

Os excluídos 73 

Da antiga escravidão à pobreza moderna 74 

A pobreza urbana nos Estados Unidos 79 

Conclusão 83 

Parte 2: Globalização 85 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 5 

6. debate sobre a globalização 85 

Da dependência à globalização 85 

O Consenso de Washington 87 

O impacto da globalização 91 

7. O fim do trabalho? 97 

Osluddistas 97 

Tecnologia, globalização e desemprego 99 

A qualidade e a natureza do trabalho 101 

A globalização e a destruição dos empregos 105 

Determinismos tecnológicos, sociais, políticos e de mercado 106 

8. A sociedade do conhecimento 110 

A fé moderna na educação e na ciência 110 

As outras faces da educação: a reprodução social e o credencialismo ..114 
Ciência e tecnologia: uma visão crítica 119 

Parte 3 - Ação 122 

9. Cidadania e direitos humanos 122 

Cidadania 125 

Direitos humanos 127 

Direitos humanos e democracia 129 

Direitos humanos e políticas públicas 131 

Conclusão 134 

10. As agendas de reforma 136 

Estabelecendo as agendas 137 

Das reformas económicas às reformas sociais 139 

Gerações de reformas 141 

A economia política das reformas 145 

11. Perspectivas 148 

O choque das civilizações? 148 

"O fim da história": modernidade ou pós-modernidade? 149 

Capital social 153 

Cultura e pobreza 156 

O papel da história e das instituições 158 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 6 

Modernização, pobreza e a construção de um futuro melhor 162 

Referências 164 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 



PREFACIO 

Este livro pretende ser uma introdução aos grandes temas da modernidade pelo 
ângulo da questão social. Trata do contraste entre modernização e crescimento económico, 
por um lado, e pobreza e exclusão social, por outro. Trata também do debate entre 
modernidade e tradição, na esfera cultural, da questão dos direitos humanos, de políticas 
públicas menos ou mais efetivas no combate à pobreza e, como coroamento de toda essa 
discussão, do pós-modernismo e do alegado "fim da história". 

A primeira versão foi escrita para um curso que dei na Universidade de Harvard, no 
primeiro semestre de 2004. Quero crer que o curso tenha sido bem recebido pelos alunos, e 
atribuo isso ao fato de ser bem diferente de outros a que estavam acostumados. Nas 
universidades norte-americanas, as questões tratadas neste livro são às vezes abordadas de 
maneira particularizada, sem um marco de referência mais amplo que lhes confira sentido e 
transcenda fronteiras disciplinares. No Brasil, ocorre o oposto. Na maioria dos cursos de 
ciências sociais, os temas são frequentemente tratados em nível genérico, tangenciando a 
filosofia ou as ideologias, em vez de incorporar o riquíssimo acervo de pesquisas hoje 
existente, e que a cada dia se renova. Este livro contém um pouco de cada um dos lados - 
discussões mais amplas, de cunho histórico e filosófico, como nas partes sobre pobreza e 
modernidade; e materiais mais novos e de base empírica, como ao abordar cultura, 
desigualdade e implementação de políticas públicas. 

Sempre acreditei que é importante pensar a partir do contexto em que vivemos, e esse 
contexto, hoje, não é somente nosso bairro ou nosso país, mas o mundo globalizado. Os 
temas que abordo neste livro fazem parte de uma grande conversa, uma grande reflexão, 
que vem de longe, sobre o nascimento do mundo moderno e, cada vez mais, sobre seu 
futuro e suas possibilidades. Também aqui, não me parece existir outro caminho senão 
combinar o que herdamos dos grandes clássicos das ciências sociais e da filosofia com o 
que vai sendo pesquisado, testado e descoberto pela ciência social contemporânea. 

O texto compõe-se de três partes. Na primeira, falo das raízes do mundo moderno e 
recupero, em grandes linhas, alguns dos temas centrais da história do pensamento social e 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 8 

económico, como as origens da riqueza e da pobreza e os efeitos da expansão da 
modernidade para sociedades que não participaram diretamente de sua criação. Central 
nessa história é o paradoxo da criação simultânea da riqueza e da pobreza pela Revolução 
Industrial, amplamente estudado por Karl Marx. Empenhei-me em reinterpretar esse 
paradoxo e em reapresentá-lo em toda sua complexidade, valendo-me para isso em 
particular do trabalho clássico de Karl Polanyi sobre esse tema, que ele denomina "a grande 
transformação". 

A segunda parte lida com o grande tema da atualidade, a globalização. Sob essa 
rubrica, trato do impacto do sistema internacional sobre países em desenvolvimento, como 
o Brasil, e discuto dois importantes temas que tal impacto suscita: as transformações que 
vêm ocorrendo no mundo do trabalho - consequência de novas tecnologias e novos 
arranjos empresariais - e a emergência da chamada sociedade do conhecimento, que nos 
leva a examinar temas ligados à educação e ao complexo ciência e tecnologia. 

Na terceira parte abordo, claro que sem a pretensão de exauri-la, a grande questão 
prática de nosso tempo: como resolver os problemas da desigualdade e da pobreza, que 
persistem apesar dos avanços trazidos pela Revolução Industrial e pelo desenvolvimento 
científico e tecnológico. Nessa perspectiva, é relevante indagar como se formulam as 
agendas de reforma social, como se estabelecem prioridades e que dificuldades se 
antepõem à implementação de políticas por vezes bem concebidas. Igualmente importante é 
evidenciar os contextos políticos nos quais se engendram diferentes propostas de reforma. 

No último capítulo, como conclusão, detenho-me em algumas das indagações mais 
amplas que subjazem aos temas que explorei ao longo do livro. O mundo em que vivemos é 
realmente integrado e globalizado, ou um mundo dividido por incontornável confronto de 
civilizações? Que devemos hoje entender por "cultura"? Será esse conceito útil ao 
entendimento dos grandes problemas e dilemas do mundo contemporâneo? Devemos supor 
que a história e o passado, com seu peso e suas tradições, condicionam e limitam nossas 
ações e consequentemente as possibilidades de desenvolvimento da sociedade humana? 
Vivemos ainda no "mundo moderno", como esse termo foi entendido desde séculos atrás, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 9 

em função da Revolução Industrial e da consolidação dos estados nacionais, ou já entramos 
em uma nova era, a chamada pós-modernidade? 

As respostas apresentadas ao longo do livro são as melhores que consegui formular, o 
que não significa que sejam as únicas. O livro vale menos pelas respostas do que pelas 
questões e dilemas que levanta. Listei numerosas fontes bibliográficas no final do volume. 
Tanto quanto possível, tratei de indicar fontes brasileiras, mas a maioria das referências são 
em inglês, o que é inevitável. Não compilei essa extensa lista para impressionar, mas para 
documentar as fontes que utilizei e, principalmente, para orientar os leitores interessados 
em se aprofundar nos temas tratados. Hoje, cada vez mais, as fontes podem ser encontradas 
na internet e, sempre que possível, incluí também essa indicação. É válido pensar nas 
citações bibliográficas como hyperlinks abrindo janelas para a exploração de todo um 
universo de possibilidades, e espero que o livro possa ser utilizado dessa forma. 

Sou grato ao David Rockefeller Center for Latin American Studies e ao 
Departamento de Sociologia da Universidade de Harvard pelo convite para ocupar a cátedra 
Robert F. Kennedy de Professor Visitante de Estudos Latino- Americanos na primavera 
(norte-americana) de 2004, que me permitiu preparar este texto e usufruir do convívio com 
seus professores, pesquisadores e estudantes. Este livro não existiria sem o apoio de Bolívar 
Lamounier, que não só me estimulou a publicá-lo pela Augurium Editora, como fez uma 
leitura meticulosa do texto original e sugeriu caminhos para melhorá-lo. Agradeço também 
a Bernardo Sorj pelos comentários e sugestões, sempre muito pertinentes; a Micheline 
Christophe, pela cuidadosa tradução dos textos para o português; e a minha filha Luisa 
Farah Schwartzman, socióloga da novíssima geração, minha leitora mais crítica, a quem 
este livro é dedicado. 



Rio de Janeiro, agosto de 2004. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 10 

Parte 1 - As raízes 

1. POBREZA, EXCLUSÃO SOCIAL, MODERNIZAÇÃO E 

MODERNIDADE 



Modernidade e modernização 

Este livro trata da modernidade (um antigo conceito, apesar do nome), e de seu 
impacto sobre a pobreza e a exclusão social no século 21. Uma das primeiras referências a 
esse conceito consta de um texto do século 17, "La querelle des anciens et des modernes", 
um debate literário sobre tradição e inovação na arte. Mas suas implicações eram muito 
mais amplas: a arte deveria ser uma constante reencenação das tradições clássicas ou o 
artista deveria tentar inovar? Para os antigos, tudo já estava dito e as inovações nunca 
poderiam ser mais do que uma rendição aos modismos temporários e efémeros. Para os 
modernos, não havia hipótese de tentar emular os mais velhos, quando havia todo um 
mundo novo a ser criado e descoberto. O questionamento de modelos passados desafiava as 
noções de tradição e autoridade e implicava uma crença no progresso e no desenvolvimento 
constante da humanidade. A discussão entre os antigos e os modernos anunciava a filosofia 
do Iluminismo. 

A partir daí, com a Revolução Francesa, a industrialização e o Iluminismo, o uso 
desse conceito se difunde na história, na literatura e, mais recentemente, nas ciências 
sociais (Peter Wagner, 2001). Uma pesquisa recente na Biblioteca do Congresso americano 
aponta a existência de 1.455 livros com a palavra "modernidade" no título e de outros 1.599 
com a palavra "modernização". Uma busca na mais nova maravilha da modernidade, o 
Google, em junho de 2004, encontrou 910 mil links para "modernidade" e 1.270 mil para 
"modernização". Será possível acrescentar algo novo a esse mar de publicações e 
informação? Não seria talvez a hora de aceitar que esses conceitos esgotaram sua utilidade 
e buscar algo novo e diferente - a pós-modernidade? Mas aí novamente o debate sobre o 
fim da era moderna é infinito e a literatura sobre a pós-modernidade, imensa. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzmart 1 1 

O motivo pelo qual esses conceitos se recusam a ir embora, e sempre reaparecem, é 
que as esperanças, promessas e frustrações que trazem consigo estão tão presentes hoje 
quanto estiveram há séculos, e não podem ser deixados de lado quando tentamos entender 
as questões de pobreza, exclusão social e suas consequências no mundo contemporâneo. 
Temos de voltar a essas velhas noções, não para tentar defini-las ou interpretá-las melhor, 
mas para elucidar e entender as relações entre as dificuldades atuais e seus dilemas e suas 
origens mais amplas. 

Os termos "modernidade", "moderno" e "modernização" existem no mundo das 
ideias como valores e afirmações morais sobre a vida humana; como descrição de um estilo 
de vida específico, típico de algumas sociedades e períodos de tempo; e como interpretação 
de um amplo processo de mudança social. "Modernos" ou "modernistas", no primeiro 
sentido, são pessoas que se recusam a viver segundo cânones antigos e tradicionais e 
valorizam a inovação, a mudança e o progresso. Historiadores usam o termo "moderno" 
para referir-se ao período em que essas atitudes e valores se tornaram dominantes na 
Europa Ocidental - do final da Idade Média até a Revolução Francesa, quando então tem 
início o que chamam de "Idade Contemporânea". 

Valores e interpretações sobre o mundo andam juntos. Os modernistas acreditavam 
que o mundo estava mudando de "tradicional" ou "antigo" para tempos "modernos", em 
vez de ser sempre o mesmo, ou mover-se em círculos ou ciclos. Mais especificamente, 
começando com o Renascimento europeu, essa mudança era interpretada como levando a 
um uso maior da racionalidade - como instrumento para entender e controlar o mundo - e 
ao individualismo. Nas sociedades antigas, as pessoas viviam de acordo com suas tradições, 
em um mundo dominado por poderes transcendentais, e eram limitadas por um destino 
definido desde seu nascimento. Com a modernidade, o mundo passou a ser visto como 
aberto à compreensão graças ao uso da ciência e da racionalidade, e seus recursos e poderes 
passaram a ser postos a serviço da humanidade. Ao mesmo tempo, o nascimento deixou de 
ser a fonte do destino. Por meio do trabalho, da dedicação e do uso da inteligência é 
possível transcender as próprias condições e responsabilizar-se pela própria vida. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 12 

Essa mudança de perspectiva estava associada a transformações sociais profundas e 
duradouras nas sociedades europeias. A velha ordem medieval foi quebrada pela 
emergência das cidades-estado comerciais; os velhos regimes políticos, baseados nos 
poderes tradicionais da nobreza latifundiária, foram substituídos por diferentes 
combinações de nações-estado centralizadas, administradas por eficientes burocracias e 
exércitos profissionais e por novas formas de representação política, com a influência 
crescente das novas elites comercial e industrial. O mundo europeu estava em expansão, 
graças às novas tecnologias de navegação e ao espírito empreendedor ou aventureiro dos 
conquistadores espanhóis e portugueses. Uma filosofia natural, baseada na observação 
empírica do mundo e no uso do raciocínio matemático para interpretá-la, estava 
substituindo as tradições religiosas e especulativas, que tinham base na leitura ritual de 
velhos livros e na autoridade estabelecida dos padres. A crença geral era de que essas 
mudanças eram para o bem, e eram descritas em termos de "progresso" e "evolução". Mais 
tarde, economistas começaram a falar de "desenvolvimento económico". Muito mais 
recentemente, cientistas sociais adotaram o termo "modernização". De acordo com Wilbert 
Moore (1978, pp. 354-355), depois da Segunda Guerra Mundial: 

O uso do termo "modernização" simbolizava a participação de cientistas sociais ao 
lado dos economistas na análise das características gerais da modernidade. Apesar 
de o desenvolvimento económico - incluindo a industrialização no sentido estrito de 
manufatura - ter sido considerado o ingrediente principal da modernidade, 
explorou-se uma ampla variedade de características estruturais que distinguem as 
sociedades modernizadas das tradicionais ou menos desenvolvidas. Assim, 
sociedades modernizadas definem-se por características estruturais tais como 
sistemas formais de educação seriada; famílias nucleares móveis, com parentesco 
extenso relativamente fraco e discricionário; sistemas políticos capazes de mobilizar 
populações diferentes e frequentemente opostas em direção à mudança programada 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 13 

A visão antimodernista 

A oposição entre tradição e modernidade tende a ser associada aos conflitos de 
geração - os mais velhos comprometidos com os velhos tempos, os jovens entusiasmados 
com as novas oportunidades e os horizontes infinitos; os mais velhos pessimistas sobre os 
poderes da humanidade, os jovens mais confiantes em sua própria força; os mais velhos 
enfatizando a integração social e a vida comunitária, os jovens enfatizando a iniciativa 
individual e a criatividade. Para descrever a visão antimodernista, poderíamos buscar 
antigos escritores conservadores, como Joseph de Maistre (1753-1821) e Louis de Bonald 
(1754-1840), na França, ou Edmund Burke (1729-1797), na Inglaterra; ou uma ampla 
seleção de escritores contemporâneos, cientistas sociais e pensadores sociais dedicados a 
criticar as noções modernas de desenvolvimento e progresso social e a reforçar os valores 
de uma vida mais antiga e simples. Em sua introdução para The Post Development Reader, 
uma extraordinária coletânea de tais artigos, Majid Rahnema, respeitado intelectual 
iraniano, nos diz que, com a modernização, "uma guerra implacável foi travada contra as 
antigas tradições de solidariedade comunal. As virtudes de simplicidade e convivência, de 
formas nobres de pobreza, da sabedoria de se apoiarem uns sobre os outros, e das artes do 
sofrimento foram ridicularizadas como sinais de 'subdesenvolvimento'. Uma cultura de 
sucesso 'individual' e de 'necessidades' socialmente impostas levou os homens mais jovens 
a abandonar suas aldeias, deixando para trás famílias deslocadas de mulheres, crianças e 
homens mais velhos que não tinham ninguém em quem se apoiar além das promessas de 
'bens' e 'serviços' frequentemente inalcançáveis [...]" (Rahnema & Bawtree, 1997, p. x). 

Na mesma linha, podemos citar Elizabeth Costello, personagem de ficção do autor 
sul-africano John M. Coetzee, ganhador do Prémio Nobel em 2003. Ela rejeita a noção de 
que a humanidade, por sua capacidade de pensar, seja superior a outras espécies animais e 
tenha o direito, e a habilidade, de conquistar e dominar a natureza para seus fins. O 
pensamento abstrato é uma das características dos seres humanos, mas não a mais 
importante. Ela ataca Descartes, talvez o principal filósofo do racionalismo moderno: 
"Cogito, ergo sum, ele disse na famosa frase. É uma fórmula que sempre me deixou 
desconfortável. Ela deixa subentender que um ser vivo que não faz o que nós chamamos de 
pensar é de alguma forma de segunda classe. Ao pensamento, cogitação, eu oponho 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 14 

preenchimento, corporeidade, a sensação de ser - não uma consciência de si mesmo como 
uma espécie de fantasmagórica máquina de raciocinar pensamentos pensados, mas ao 
contrário, a sensação - a profunda sensação afetiva - de ser um corpo com membros que 
têm extensão no espaço, de estar vivo para o mundo" (p. 78). 

Elizabeth ataca a razão em nome da vida, humana ou animal, com a qual se sente 
conectada. Sua irmã, Blanche, uma freira católica trabalhando em um hospital na Africa, 
vai um passo além. Ela menciona "esses jovens, herdeiros dos humanistas", que vêm de 
Oxford e Cambridge para a Africa e tentam convencer os zulus a frequentar suas escolas. 
"Se vocês fizerem isso", dizem, "nós faremos de vocês discípulos da razão e das ciências 
que fluem da razão; nós os transformaremos em senhores da natureza. Através de nós vocês 
superarão as doenças e a deterioração da carne. Vocês viverão para sempre". Bem, ela diz, 
mostrando os prédios do hospital a seu redor, cheios de crianças morrendo de aids, "esta é a 
realidade: a realidade de Zululândia, a realidade da Africa. É a realidade de agora e a 
realidade do futuro, tão longe quanto podemos enxergar. Que é porque os africanos vêm 
para a igreja, ajoelhar diante do Cristo crucificado, mulheres africanas sobretudo, que têm 
que suportar a maior parte da realidade. Porque elas sofrem e ele sofre com elas". Aquele 
que vem para o hospital, ela diz "nada prometo, exceto ajudá-lo a suportar sua cruz" (p. 
141). 

Não há claramente vencedores ou vencidos na luta entre razão, individualismo e 
otimismo, por um lado; e sentimentos, emoções, vida comunal e pessimismo, por outro. 
Nem há fronteiras tão claramente definidas quanto essa descrição estilizada poderia sugerir. 
Religião pode ser associada a pessimismo e passividade, mas também a otimismo 
invencível, quando não arrogância. Os ocidentais que vieram para a Africa para trazer suas 
escolas trouxeram consigo seus evangelhos e destruíram a cultura local, como os 
conquistadores que dizimaram os incas e os astecas em nome do Rei e de Deus. No outro 
extremo, Max Weber, o grande sociólogo da modernização ocidental, também era 
pessimista e crítico do desencantamento produzido pela racionalidade, na ausência da 
renovação purificadora do carisma. Antes de nos deixarmos seduzir pelo antimodernismo 
precisamos lembrar que, na Alemanha, o alvorecer do nazismo foi precedido por um ataque 
extremamente articulado à tradição racional e moderna, em nome da natureza, da vida, da 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 15 

cultura e da vida familiar, o Heimat (Fritz K. Ringer, 1990). Os modernos e racionalistas, 
por sua vez, são os construtores de impérios e os criadores da bomba atómica. 

Se uns não são melhores do que outros, e se eles não são tão diferentes e opostos 
quanto parecem, então por que se preocupar? Por que não atirar a polémica em torno do 
modernismo na lixeira das questões gastas, como as antigas disputas ideológicas sobre 
direita e esquerda, ou conservadores e liberais? A resposta é que, ao contrário do que 
alguns defensores do pós-modernismo possam acreditar, a agenda estabelecida pelos 
"modernos" no século 17 ainda não está esgotada, e não pode ser abandonada. O que 
caracteriza os tempos modernos não é a vitória ou a predominância do "moderno" sobre o 
"tradicional", mas a inevitável coexistência e tensão entre eles. Não é possível acreditar, 
ainda, em um próximo milénio de uma sociedade perfeita, governada pela razão e pela 
racionalidade, colhendo os benefícios do conhecimento científico e da tecnologia avançada, 
para o bem de todos. Tampouco é possível voltar às velhas sociedades comunitárias, 
orgânicas, espirituais, preconizadas pelos tradicionalistas, que de fato nunca existiram. Ser 
moderno, tomando emprestada a expressão proposta por Marshall Berman (1988) 20 anos 
atrás, é um "modo de experiência vital" descrita como "um ambiente que nos promete 
aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de si próprio e do mundo - e, que, ao 
mesmo tempo, ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que conhecemos, tudo o que 
somos [...] Ser moderno é parte de um universo no qual, como disse Marx, 'tudo o que é 
sólido desmancha no ar'". 

Isso significa, em termos práticos, que, para analisar e entender nosso mundo, nada 
temos de melhor do que nossa habilidade para lidar com ele. Também significa que, ao 
fazer isso, precisamos estar atentos às limitações do modernismo, tanto em termos de suas 
consequências quanto de seus poderes redentores. Não podemos escapar das condições 
modernas, mas podemos tentar refletir sobre elas. Refletir significa ao menos duas coisas. 
Uma é olhar para a modernidade não apenas em termos de suas promessas, mas também de 
suas armadilhas. A segunda é nos questionarmos sobre nosso próprio papel no drama 
modernista, ou da modernização. Bruno Latour (1993) assinala que o modernismo propõe 
uma separação rígida entre o mundo do conhecimento e o mundo das coisas, que conduz a 
uma grande liberdade para lidar com as coisas, como se elas existissem independentes de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 16 

nós e pudessem ser manipuladas à vontade. Entretanto, diz ele, o mundo é cada vez mais 
cheio de híbridos: combinações de natureza, cultura, instituições sociais e artefatos 
tecnológicos. O modernismo foi uma ilusão poderosa que permitiu esquecer ou negar os 
híbridos, colocando-os como parte de uma "natureza" sobre a qual os modernistas não 
tinham responsabilidade, mas podiam usar e explorar em proveito próprio. Essa liberdade 
não existe mais, e requer um novo humanismo, não-moderno, mas tampouco pós-moderno. 

A visão moderna da sociedade: Adam Smith 

Adam Smith é normalmente considerado o primeiro autor a propor uma interpretação 
abrangente do funcionamento da sociedade moderna, oferecendo uma teoria detalhada de 
como a riqueza e o progresso podem ser criados, e de como essas atividades estão 
relacionadas ao governo e à sociedade como um todo. Escrevendo na Escócia do século 18, 
quando a primeira Revolução Industrial ganhava força, ele argumenta que os homens, por 
sua natureza, só precisam de liberdade para seguir suas paixões e interesses, fazer a 
economia crescer e o progresso acontecer. Existe nas pessoas um impulso natural de busca 
de comida e, além disso, de busca de poder, prestígio e reconhecimento, por meio da 
acumulação de riqueza. Esse impulso leva a humanidade a uma sucessão de fases de 
desenvolvimento - caça, criação de gado, agricultura, comércio e, finalmente, indústria -, 
cada qual desenvolvendo suas próprias instituições. Nas sociedades industriais, a 
acumulação de capital permite a especialização, a divisão do trabalho e a troca de produtos 
no mercado, para proveito geral. 

Se cada homem buscar seu próprio interesse, uma "mão invisível" garantirá que todos 
sejam beneficiados. O comportamento altruísta, no entanto, com ações diretamente voltadas 
para realçar o bem comum, tende ao fracasso: 

Mas é unicamente visando o lucro que qualquer homem aplica um capital na 
indústria; e, consequentemente, ele sempre se empenhará por aplicá-lo naquela 
indústria em que o produto tiver mais chance de ter maior valor, ou puder ser 
trocado pela maior quantidade de dinheiro ou de outros bens. [...] Em geral, ele 
realmente não tem a intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 17 

está promovendo. Ao preferir apoiar a indústria doméstica em vez da estrangeira, 
ele visa unicamente sua própria segurança; e ao dirigir tal indústria de forma que 
seu produto tenha maior valor, ele visa mais uma vez seu próprio ganho. Nisso, 
como em muitos outros casos, ele é guiado por uma mão invisível para promover 
um fim que não fazia parte de suas intenções. Ao perseguir seu próprio interesse, 
frequentemente ele promove o da sociedade mais efetivamente do que se realmente 
tivesse a intenção de promovê-lo. Nunca vi nada de valioso feito por pessoas de 
negócios em benefício do bem público. Realmente, não é um gosto muito comum 
entre mercadores, e bem poucos argumentos precisam ser utilizados para dissuadi- 
los disso. (Smith, 1993) 

Esse é o germe das teorias da escolha racional: a noção de que a sociedade deveria ser 
entendida como o produto agregado das decisões individuais, não apenas na economia, mas 
também na ação política e no relacionamento social; da crença em que, quanto menos 
governo houver, melhor; e da noção de que instituições, cultura, ideologias e sistema de 
valores só podem desempenhar papéis relevantes se estiverem alinhados e contribuírem 
para o fortalecimento das tendências individuais e das trocas livres de mercado. Caso 
contrário, tendem a dificultar e limitar as possibilidades de desenvolvimento de sociedades 
ricas e racionais. 

Em sua introdução à Riqueza das nações, de Smith, Kathryn Sutherland diz: 

O efeito final da retórica de Smith é sinalizar uma mudança na função social da 
atividade económica em si, naquela época, no final do século 18, uma mudança que 
supõe a abolição de um sistema de regulação tradicional ao mesmo tempo em que 
descreve (mas de fato recomenda) um novo modelo de empreendimento financeiro. 
Esse modelo é inteiramente defendido em termos de uma ampla gama de estratégias 
de naturalização - em termos de natureza humana; em termos de lei natural; 
inevitavelmente, livremente, até ingenuamente em termos de produto intencional; e, 
paradoxalmente, em termos de aprovação moral. A abrangência dessas estratégias 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 18 

torna impossível imaginar qualquer estrutura alternativa social, política ou 
económica. (Sutherland, 1993, p. xxi) 

Marx, o modernista 

Setenta anos depois da morte de Adam Smith, o capitalismo tinha se expandido 
enormemente, mas, em vez de bem-estar e prosperidade, a Europa estava submersa em 
pobreza e guerra civil. O Manifesto comunista, escrito por Karl Marx e Friedrich Engels em 
1848, nesse período turbulento, é considerado uma das expressões mais fortes das tensões e 
dilemas das sociedades contemporâneas. Na sua curta introdução ao texto, David McLellan 
observa que nenhuma das ideias do Manifesto era nova, sendo uma síntese dos trabalhos 
anteriores de Marx que incorporavam, por sua vez, conceitos sobre história e classe comuns 
entre socialistas da época, especialmente na França. Ele também observa que, embora Marx 
e Engels continuassem a reconhecer o Manifesto como uma expressão de seus pontos de 
vista, "eles teriam querido subsequentemente modificar algumas de suas ideias - 
particularmente (à luz da Comuna de Paris) as relacionadas à apropriação do aparelho de 
Estado pelo proletariado e as afirmações um tanto simplistas sobre o empobrecimento e a 
polarização de classes" (Marx & Engels, 1977, p. 219). 

Marx é notório pelo fracasso de suas proposições políticas e profecias, porém a força 
do marxismo não depende de suas propostas para o futuro, ou de sua interpretação do 
passado, e sim principalmente de sua visão e sua crítica da sociedade capitalista. Essa 
crítica não era feita de fora, em nome de um antigo passado melhor, em que Marx nunca 
acreditou, nem em nome de uma futura utopia, que alguns de seus contemporâneos 
tentaram prenunciar, mas que ele desprezava. Como os economistas clássicos que ele 
estudava, Marx olhava para o capitalismo com fascinação, seduzido por seu poder de 
liberar as energias da natureza e da sociedade; e ao mesmo tempo denunciava suas 
contradições internas e prenunciava sua destruição. No Manifesto, ele não fala tanto sobre 
capitalismo como um sistema económico e social, mas predominantemente sobre a 
burguesia como um ator social, "que não pode existir sem constantemente revolucionar os 
instrumentos de produção, e assim, as relações de produção e com elas, todas as relações 
sociais". 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 19 

Constante revolução da produção, perturbação permanente de todas as condições 
sociais, incerteza e agitação intermináveis distinguem a época burguesa de todas as 
precedentes. Todas as relações cristalizadas e estruturadas, com os antigos e 
veneráveis preconceitos e opiniões que as acompanham, são descartadas. Todas as 
novas relações tornam-se antiquadas antes de conseguir se ossificar. Tudo o que é 
sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e o homem finalmente é 
compelido a encarar com sobriedade sua real condição de vida e suas relações com 
sua espécie, (p. 224) 

Essa visão da natureza evanescente das realizações da burguesia é que separa Marx 
dos apologistas da modernização, como os economistas clássicos, reformadores e 
planejadores urbanos e os cientistas naturais que acreditavam na conquista gradual da 
natureza e da humanidade pelo avanço da ciência e da tecnologia. Como destaca Marshall 
Berman (1988, pp. 88-89), ela o aproxima do "modernismo na arte, na cultura e na 
sensibilidade" de autores como Baudelaire, Flaubert, Kierkegaard, Dostoievski e seus 
herdeiros, que olhavam para as realizações do capitalismo e da burguesia com uma certa 
combinação de espanto, hostilidade e medo. Esta é a herança de Marx, de acordo com 
Berman (p. 129): 

O grande legado que ele nos deixou [...] não é um caminho para fora das 
contradições da vida moderna, mas um caminho mais seguro e profundo para dentro 
dessas contradições. Ele sabia que o caminho para além dessas contradições deveria 
passar através da modernidade, não por fora dela. Ele sabia que devemos começar 
de onde estamos: fisicamente nus, despidos de todas as religiões e estéticas, 
auréolas morais e véus sentimentais, lançados de volta à nossa vontade individual e 
à nossa energia, forçados a explorar uns aos outros e a nós mesmos para sobreviver; 
e mesmo assim, apesar de tudo, mantidos juntos pelas mesmas forças que nos 
separam, fracamente conscientes de tudo o que deveríamos ser juntos, prontos a nos 
forçar ao máximo para alcançar novas possibilidades humanas, para desenvolver 
identidades e vínculos mútuos que possam nos ajudar a nos manter unidos enquanto 
o vento violento da modernidade sopra quente e frio através de todos nós. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 20 

Os poderes do proletariado 

A razão pela qual a burguesia não pode sobreviver a seu próprio sucesso, para Marx, 
é que ela é destinada, por sua própria lógica interna, a construir um proletariado forte - que, 
ao mesmo tempo, ela não pode sustentar e eventualmente a destruirá. A descrição do 
nascimento do proletariado feita no Manifesto é paradoxal. Basicamente, é uma decadência 
de formas prévias de dominação disfarçada e alienação para a exploração nua e crua. Passo 
a passo, sociedades complexas convertem-se em uma simples polarização entre burguesia e 
proletariado. "Os estratos mais baixos da classe média - os pequenos comerciantes, lojistas, 
e comerciantes aposentados em geral, os artesãos e camponeses - todos submergem 
gradualmente no proletariado [...] Assim, o proletariado é recrutado de todas as classes da 
população". Agora, "devido ao uso extensivo de máquinas e à divisão do trabalho, o 
trabalho dos proletários perdeu todo o caráter individual e, consequentemente, todo o 
encanto para o trabalhador. Ele tornou-se um apêndice da máquina e só se exige dele a 
habilidade mais simples, mais monótona e mais facilmente adquirida" (Marx & Engels, pp. 
227-228). 

Mas é pior do que isso. A mesma lógica demoníaca que leva o capitalismo a 
periodicamente destruir suas próprias instituições e sua organização conduz à exploração 
crescente do proletariado. O trabalhador moderno, diz Marx, em uma de suas mais notáveis 
profecias equivocadas, "em vez de evoluir com o progresso da indústria, se afunda cada vez 
mais nas condições de existência de sua própria classe. Ele se torna um pobre e pobreza se 
desenvolve mais rapidamente do que população e riqueza". "O desenvolvimento da 
Indústria Moderna, portanto, tira de baixo de seus pés a própria base sobre a qual a 
burguesia produz e se apropria da produção. O que a burguesia produz, pois, sobretudo, é 
seu próprio coveiro. Sua queda e a vitória final do proletariado são igualmente inevitáveis". 

Mas como pode o proletariado, tão explorado, desprovido de suas habilidades, 
reduzido à pobreza, dominar e enterrar a burguesia? Há duas respostas para isso, uma mais 
sociológica e explícita; outra, mais filosófica e oculta. A resposta explícita são a 
concentração e a homogeneização crescentes das indústrias, bem como a destruição de 
todas as classes além da burguesia e do proletariado. Com o desenvolvimento da indústria, 
diz o Manifesto, "o proletariado não só aumenta em número: ele se concentra em massas 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 21 

maiores, sua força cresce, e ele sente mais essa força". Velhas diferenças desaparecem, 
inclusive as relativas a ofícios, religião e nacionalidade, e os trabalhadores começam a se 
organizar em sindicatos, para lutar por melhores condições de trabalho. "De todas as 
classes que se defrontam com a burguesia hoje, só o proletariado é a classe revolucionária. 
As outras classes decaem e finalmente desaparecem diante da Indústria Moderna: o 
proletariado é seu produto especial e essencial". 

A resposta oculta e mais filosófica sobre os poderes do proletariado tem a ver com a 
noção de que, com a ruptura da nova ordem trazida pelo capitalismo, "o homem é 
finalmente compelido a encarar suas reais condições de vida e suas relações com sua 
espécie". O Marx maduro resistiu à tentação de falar sobre um ideal de humanidade e 
sociedade fora da história, e nunca elaborou muito bem como a futura sociedade sem 
classes seria organizada. Sua visão, entretanto, pode ser conhecida no texto sobre a questão 
judaica, um de seus primeiros escritos: "O indivíduo real deve trazer o cidadão abstrato de 
volta para dentro de si mesmo e, como um indivíduo em sua vida empírica, em seu trabalho 
individual e em suas relações individuais, tornar-se um ser genérico; o homem deve 
reconhecer suas próprias forças como forças sociais, organizá-las e assim não mais separar 
as forças sociais de si mesmo na forma de forças políticas. Somente quando isso for 
realizado a emancipação humana se completará" (1977c, p. 57). 

Ao destruir todas as formas de instituição social, ao reduzir as instituições políticas, 
religiosas, intelectuais e culturais à sua essência desvelada - a exploração -, o capitalismo 
finalmente faria a humanidade enxergar-se despida e, dali em diante, encontrar sua forma 
de recriar a si mesma em uma comunidade social plenamente emancipada. Essa futura 
comunidade não seria como as antigas, pois se basearia em ciência avançada e tecnologia, 
libertando as pessoas da necessidade de passar suas vidas tentando fugir da privação. Por 
outro lado, seria muito semelhante às comunidades míticas tradicionais de tantos 
antimodernistas, um lugar onde as pessoas poderiam viver em paz e harmonia com a 
natureza e com o outro, sem a necessidade ou a compulsão de expressar seus projetos 
individuais e suas identidades. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 22 

A escória social 

Marx olhava a burguesia com admiração, como o inimigo respeitado, poderoso e 
implacável. Em cem anos, diz o Manifesto, "[a burguesia] criou mais forças produtivas 
colossais e massivas que todas as gerações precedentes juntas. Sujeição das forças da 
Natureza ao homem, maquinaria, aplicações da química à indústria e à agricultura, 
navegação a vapor, estradas de ferro, telégrafos elétricos, abertura de continentes inteiros 
para o cultivo, canalização de rios, populações inteiras expulsas do campo - que século 
anterior teve sequer o pressentimento de que tais forças produtivas dormiam no colo do 
trabalho da sociedade?" (p. 225). O proletariado herdaria todas essas realizações e faria 
bom uso delas. Outras classes, vestígios de séculos anteriores e de outras formas de 
organização, desapareceriam. 

As mais duras palavras do Manifesto não se destinam à burguesia, mas "às 'classes 
perigosas', a escória social, essa massa podre e passiva expelida pelas camadas mais baixas 
da sociedade". Esse é o lumpenproletariat, que nem Marx nem seus contemporâneos 
consideravam parte da classe trabalhadora. Politicamente, ele poderia, por vezes, ser parte 
da revolução proletária: "suas condições de vida, entretanto, preparam-no muito mais para 
o papel de instrumento subornável de intriga reacionária" (p. 229). 

Nos textos de Marx, procura-se em vão por uma análise ou uma descrição desse 
grupo social. Algumas referências aparecem em seus escritos sobre a política francesa. Em 
certo lugar, ele descreve a deterioração da ordem agrária tradicional sob a investida da 
burguesia: "Aos 4 milhões (incluindo crianças etc.) oficialmente reconhecidos como 
pobres, vagabundos, criminosos e prostitutas na França deve-se acrescentar 5 milhões que 
pairam à margem da existência e seja têm seus casebres no próprio campo, seja 
continuamente abandonam o campo pelas cidades e as cidades pelo campo, com seus trapos 
e crianças" (1977b, p. 320). 

Em outro texto, sobre as lutas sociais na França, ele não fala diretamente sobre o 
lumpenproletariat, mas sobre sua contrapartida entre os poderosos, a aristocracia 
financeira. Essas pessoas, diz Marx, só estão preocupadas em se tornar ricas, "não pela 
produção, mas por embolsar a riqueza já disponível dos outros". Por eles "se manifesta uma 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 23 

afirmação desenfreada de apetites insanos e dissolutos, particularmente no topo da 
sociedade burguesa - luxúria em que a riqueza derivada da especulação naturalmente 
anseia sua satisfação, onde prazeres se tornam devassos, onde o dinheiro corrompe e se 
mistura ao sangue. A aristocracia financeira, em seu modo de aquisição bem como em seus 
prazeres, nada mais é do que o renascimento do lumpenproletariat no cume da sociedade 
burguesa". Por meio dela, "nos Estados mais proeminentes da sociedade burguesa, as 
mesmas cenas se repetiam publicamente, as quais regularmente levavam o 
lumpenproletariat a prostíbulos, a reformatórios, a asilos para lunáticos, às grades da 
justiça, às masmorras, ao cadafalso" (1977a, p. 289). 

Fica-se chocado pelo tom puritano e moralista desses textos. Capitalistas financeiros 
(muitos dos quais judeus, como Rothschild, nominalmente citado) e o lumpenproletariat 
não eram vistos como atores legítimos na construção da modernidade, como os industriais e 
proletários, e só podiam ser tratados com rejeição e desdém. Capitalistas financeiros não 
eram um grande problema, uma vez que estavam fadados a desaparecer junto com o fim da 
propriedade privada, do capitalismo e de suas instituições associadas, incluindo o 
cristianismo e o judaísmo. Marx não sabia o que fazer, entretanto, com o lumpenproletariat 
e seu comportamento irresponsável, lascivo e devasso, que cresceria completamente fora de 
proporções, com a extensão da presença do capitalismo ao redor do mundo. 

Duas questões principais emergem desse panorama inicial sobre modernidade e 
modernização. Em primeiro lugar, o crescimento económico: como é que algumas 
sociedades ou nações se tornam ricas e outras não? Em segundo lugar, a pobreza: como é 
que, junto com a riqueza, a pobreza também cresce em certos lugares e para alguns grupos? 
A pobreza seria uma contraparte inerente, o lado obscuro e inevitável do desenvolvimento 
capitalista, como Marx afirmou? Ou é apenas uma disfunção temporária, superável na 
medida em que as potencialidades plenas do crescimento económico forem implementadas? 
Discutiremos crescimento económico no próximo capítulo e pobreza no capítulo "Pobreza 
e desenvolvimento industrial". 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 24 

2. AS CAUSAS DA RIQUEZA 

O mistério do crescimento: natureza e cultura, indivíduos e instituições 

Robert Skidelsky (2003), em uma resenha de dois livros recentes sobre crescimento 
económico, mostra como as explicações para o "mistério do crescimento" podem ser 
apresentadas em termos de duas tradições intelectuais principais, uma preferida pelos 
economistas, a outra, pelos sociólogos. 

A tradição dos economistas remonta a Adam Smith: para ele, crescimento económico 
é um processo natural, uma consequência da acumulação de capital por meio da agregação 
das decisões individuais, baseadas no exercício de preferências racionais. Para que os 
indivíduos possam trabalhar em paz, é preciso que haja governo para defender o país, 
proteger os direitos individuais dos cidadãos, construir e manter as instituições e as obras 
públicas indispensáveis ao livre exercício do comércio e da indústria, além de educar os 
jovens. É necessário também "apoiar a dignidade do soberano", em sinal de 
reconhecimento de seu valor simbólico. 1 Para fazer tudo isso, os governos têm de lançar 
impostos que, no entanto, não podem ser muito altos, para não ameaçar os negócios. 
"Pouco mais é requerido para conduzir um Estado ao mais alto grau de opulência desde a 
mais baixa barbárie, além de paz, impostos leves e uma administração tolerável da justiça; 
todo o resto emerge do curso natural das coisas". A intervenção do Estado na economia, 
nos moldes da praticada pelos Estados mercantilistas como Portugal e Espanha, era 



1 "Numa sociedade opulenta e desenvolvida, onde pessoas de todos os tipos gastam cada vez mais em suas 
casas, em seu mobiliário, em suas mesas, em seu vestuário e em sua equipagem, não se pode esperar que o 
soberano resista sozinho à moda. É natural, ou melhor, necessário, que ele passe a gastar mais em todos esses 
diferentes artigos também. Sua dignidade até parece exigir que ele assim faça [...] É natural que haja mais 
esplendor na corte de um rei do que na mansão de um magistrado ou de um burgomestre." (Smith, 1993, p. 
442) 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 25 

criticada como sendo vantajosa apenas para alguns, em detrimento da sociedade como um 
todo. 

A partir das formulações iniciais de Adam Smith, as explicações dos economistas 
para o crescimento económico tornaram-se extremamente complexas e sofisticadas, 
produzindo uma literatura abundante. Um bom exemplo pode ser encontrado na introdução 
do estudo clássico de David Landes (2003) sobre a Revolução Industrial na Europa. O que 
era exatamente a essência dessa revolução? E por que ela começou na Inglaterra e não em 
outros lugares? 

Como Marx e os economistas clássicos, Landes acredita que a essência da Revolução 
Industrial é o crescimento das "forças produtivas" na sociedade. No entanto, elas não se 
expressam apenas em termos de acumulação de capital, mas de três inovações tecnológicas 
fundamentais: a substituição das habilidades humanas por ferramentas mecânicas, a 
substituição da energia humana e animal por fontes inanimadas - especialmente as 
máquinas a vapor - e o desenvolvimento de métodos para extrair e transformar minerais 
brutos, em particular pelas indústrias metalúrgica e química. Por causa dessas mudanças 
nas forças produtivas, as instituições precisaram se adaptar - as fábricas tiveram de ser 
reorganizadas e os antigos artesãos foram substituídos por operários. O deslocamento de 
matérias-primas de sua origem para as fábricas e a entrega de produtos industriais aos 
mercados requereram redes complexas de transporte e uma nova divisão do trabalho entre 
regiões e países. Em termos mais gerais, a industrialização foi acompanhada por um amplo 
processo de modernização, que conduziu à destruição das velhas aristocracias, ao 
fortalecimento dos estados-nação, à mobilidade social e ao individualismo. A concorrência 
entre as indústrias levou a esforços contínuos para melhorar as tecnologias e gerar mais 
riqueza. Isso foi o que tornou a Revolução Industrial única, em comparação com outros 
períodos de mudança tecnológica e crescimento económico: criou um processo de avanços 
cumulativos e auto-sustentados em inovação tecnológica, sem limites à vista. 

No final do século 19, e mais tarde, com a crise económica mundial de 1929, muitos 
prognosticaram que esse processo de crescimento auto-sustentado estava atingindo seus 
limites. No entanto, outras revoluções industriais - a segunda, baseada na máquina de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 26 

combustão interna; a terceira, baseada em novas inovações na química, na eletricidade e no 
abastecimento de energia, e certamente a quarta, não mencionada por Landes, baseada nos 
avanços da tecnologia da informação - deram provas de que não havia limites para a 
criatividade e a inventividade humanas, desde que Prometeu quebrou suas correntes no 
século 18. À medida que a produtividade aumentava, seus benefícios poderiam ser 
distribuídos e, ao contrário das visões pessimistas do passado, o crescimento industrial 
traria melhores condições de vida a todos. 

Entretanto, Landes viu dois problemas ameaçando o progresso contínuo desse 
maravilhoso círculo virtuoso de crescimento e prosperidade. Um era o dano que poderia ser 
feito por políticos e administradores públicos; o outro eram as barreiras culturais e mentais 
que mantinham muitas sociedades e pessoas isoladas e incapazes de usufruir os benefícios 
da Revolução Industrial. 

No primeiro ponto, o autor seguiu o caminho do trabalho clássico de Joseph 
Schumpeter, também um forte defensor do poder da criatividade humana e do 
desenvolvimento tecnológico, mas um pessimista em relação às condições políticas e 
sociais que ameaçavam o desenvolvimento do capitalismo. A competição capitalista, diz 
Schumpeter (1947), não se refere apenas a preços e divisão de mercados, mas, 
essencialmente, "à nova mercadoria, à nova tecnologia, à nova fonte de abastecimento, ao 
novo tipo de organização" (p. 162), constantemente substituindo as velhas formas e 
instituições. É o que ele chama de "processo de destruição criativa", conduzido por 
empresários individuais, a nova burguesia. Mas o capitalismo, à medida que cresce, passa a 
se sufocar; o empresário é substituído pelo burocrata; políticas antigas e valores 
aristocráticos ressurgem; os intelectuais, fortalecidos pela expansão da educação e da 
indústria de comunicações e de livros, enfraquecem a legitimidade ética do 
empreendedorismo capitalista. No fim, conclui Schumpeter, "não há tanta diferença como 
se pode supor entre afirmar que a decadência do capitalismo se deve a seu sucesso ou dizer 
que é devida a seu fracasso". Landes rejeita esse pessimismo e reafirma sua crença no 
poder da racionalidade, do desenvolvimento tecnológico, no empreendedorismo individual 
e na mudança. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 27 

O segundo problema era por que algumas sociedades eram capazes de adotar o 
capitalismo, o racionalismo e o empreendedorismo individual, enquanto outras não. Aqui, 
Landes usa dois tipos de argumento. Um é histórico, sobre as condições peculiares da 
Inglaterra no século 18 e suas diferenças em relação à França e a outros países europeus - 
diz respeito a coisas tais como ausência de guerras, imigração de artesãos estrangeiros e 
facilidades criadas pela navegação. O outro argumento, mais interessante para nós, são as 
questões relacionadas a valores e cultura, e para isso Landes tem de abandonar a estrita 
visão económica e entrar no domínio da sociologia. 

Essa tradição sociológica é mais bem associada a Max Weber, com sua ênfase na 
cultura, nos valores e nas instituições. Para Weber, o interesse individual não era suficiente 
para gerar acumulação de riqueza. Em todas as sociedades, algumas pessoas sempre 
desfrutaram dos confortos da riqueza e da vida fácil, mas só na Europa Ocidental (e mais 
recentemente em alguns países asiáticos) o crescimento económico aconteceu. A 
acumulação capitalista, afirmava Weber, não era o simples produto da agregação de ações 
individuais, mas de virtudes como trabalho árduo, austeridade e abstinência de prazeres 
mundanos, postas a serviço de realizações a longo prazo. Weber identificou essas virtudes 
como parte da ética protestante, produto das primeiras tradições judaicas e cristãs. Outros 
autores, observando o Japão, tentaram encontrar seu equivalente funcional nos sistemas de 
valores do samurai (Robert Bellah, 1971). 

Valores e motivações, no entanto, não surgem no vácuo; precisam de um solo 
adequado para fincar raízes e prosperar. Weber associou o desenvolvimento da iniciativa 
individual e do empreendedorismo à descentralização política, presente tanto nos tempos do 
judaísmo primitivo quanto na Europa feudal. Dessas raízes históricas e culturais, a Europa 
Ocidental mudou da Idade Média para a Revolução Industrial e a criação dos estados-nação 
modernos, que ele considerava parte de um processo muito amplo de "racionalização". 
Weber era um evolucionista, mas, diferentemente de Adam Smith, Marx e a maioria dos 
pensadores dos séculos 18 e 19, não defendia a ideia de que todas as sociedades deveriam 
passar por todas as fases de evolução e acabar todas do mesmo jeito. Ao contrário, ele via a 
China e a índia, com suas tradições budistas e confucionistas, como civilizações que 
seguiram caminhos diferentes e não estavam destinadas, assim, a desenvolver os mesmos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 28 

tipos de instituição moderna. Além de analisar a ética individual no judaísmo-cristianismo, 
nas tradições budistas e confucionistas, e suas relações com o comportamento económico, 
Weber comparou como essas sociedades desenvolveram suas instituições políticas, suas 
elites políticas, religiosas e administrativas. Na Europa Ocidental, o racionalismo incluía o 
empresário orientado por princípios morais, a emergência da ciência empírica, o 
crescimento das profissões modernas, das instituições legais e de novas formas de 
organização política, baseadas na dominação racional-legal e em burocracias públicas 
eficientes. Modernas sociedades industriais teriam sido criadas por essa combinação 
peculiar de elementos, que não se desenvolveu em nenhum outro lugar. 

Seria a tradição ocidental de alguma forma superior às outras? Para Landes, seguindo 
Marx, a resposta é simplesmente sim. Para Marx, o capitalismo era o estágio mais avançado 
da sociedade moderna, antes do socialismo. Para Landes, não há dúvida de que o 
racionalismo é melhor do que a irracionalidade, a ciência melhor do que a magia. As 
sociedades ocidentais foram capazes de libertar os poderes da racionalidade, outras não o 
foram. Weber, entretanto, foi mais cuidadoso. Para ele, as escolhas entre uma vida de 
realizações intensas ou uma vida contemplativa, o culto ao passado ou a fé no futuro, a 
crença total nos poderes da racionalidade instrumental ou nos valores da tradição e do 
carisma individual, são decisões sobre valores que deveriam ser deixadas para as 
preferências individuais. Racionalismo, para Weber, não era um objetivo em si, mas um 
meio para outros fins. Uma sociedade que confiasse exclusivamente no racionalismo, 
desprovida de valores mais profundos, estaria fadada a se tornar estéril, sem energia, presa 
fácil da irrupção dos velhos ídolos da tradição e do carisma. 

Os dois livros analisados por Skidelsky apresentam uma interpretação moderna desse 
debate clássico. Para Liah Greenfeld (2002), o crescimento económico deveria ser 
explicado por uma característica europeia típica dos tempos modernos, o nacionalismo, que 
ela acredita ter criado as bases sociais e institucionais do capitalismo - participação 
igualitária dos cidadãos no estado-nação, mobilidade social, poder e prestígio para os 
comerciantes e empresários, contra as tradições aristocráticas Nessa questão, a autora se 
opõe tanto aos economistas, para quem o crescimento económico é um processo natural, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 29 

quanto aos sociólogos de tradição weberiana, que procuram explicações nas motivações e 
nos comportamentos individuais, não nas instituições coletivas. 

Skidelsky não está convencido. O nacionalismo é um fenómeno recente, associado à 
Revolução Francesa e à emergência dos estados-nação modernos. Entretanto, muito antes 
disso, em torno de 1600, a Inglaterra já estava iniciando seu crescimento económico. A 
Rússia imperial, por outro lado, era um exemplo de nacionalismo sem as instituições 
adequadas ou os valores individuais apropriados, e um caso claro de falência económica. 
Poderíamos acrescentar outro exemplo, os Estados Unidos, que desenvolveram sua 
economia com um Estado reduzido e como uma sociedade auto-suficiente, voltada para si 
mesma. O nacionalismo europeu, afirma, não é a causa, mas a consequência de um 
processo histórico mais amplo do desenvolvimento capitalista: 

Das ruínas do Império Romano emergiu o feudalismo, um sistema fragmentado, 
justaposto, de jurisdições e estados mantidos unidos pelo cristianismo. Nos 
primórdios do século 16, partes desse sistema tinham se fundido em monarquias 
nacionais intensamente competitivas. O feudalismo conteve os poderes arbitrários, 
abrindo espaço para o crescimento de cidades livres, mercados pan-europeus, e 
direitos de propriedade privada; a competição militar entre Estados estimulou o 
sentimento nacional e voltou a atenção dos governantes para o crescimento do 
estoque de riqueza nacional, por causa da íntima conexão entre riqueza e poder. 
Dessa forma, a identidade nacional e a expansão do "espírito do capitalismo" podem 
ser vistos como produtos articulados da rivalidade europeia entre Estados. No jargão 
económico, nacionalismo é uma variável dependente, não independente, e é a 
consequência, não a causa da competição entre Estados. (Skidelsky, 2003) 

Skidelsky nos poupa da necessidade de enfrentar a pesada modelagem matemática do 
economista e Prémio Nobel Robert E. Lucas (2002), ao nos fornecer as principais 
conclusões desse autor, as quais, para o não-especialista, não parecem muito diferentes das 
de Adam Smith, Schumpeter e Landes. O crescimento económico, para Lucas, seria a 
consequência do compromisso individual com os valores de sucesso, eficiência e 
racionalismo. Essas atitudes estão mais presentes em alguns países do que em outros, e isso 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 30 

explicaria porque alguns países são pobres e outros ricos. A pobreza seria uma condição 
temporária de algumas nações no presente, enquanto os benefícios da Revolução Industrial 
constituiriam um bem permanente para a humanidade. Skidelsky conclui sua resenha 
afirmando: "O livro de Lucas é uma realização intelectual excepcional. Mas suas 
proposições parecem plenamente persuasivas apenas para aqueles que já habitam seu 
universo mental. Essas pessoas aplaudirão sua tentativa heróica de derivar a história e as 
previsões de crescimento unicamente dos esforços das famílias para maximizar seu bem- 
estar. Outros contestarão o uso de generalizações superambiciosas e excessivamente 
simplificadas para explicar o comportamento complexo do mundo real". 

Podemos concluir essa discussão afirmando que, a despeito das diferenças, todos 
esses autores compartilham uma mesma visão de mundo. Para eles, o poder supremo do 
capitalismo de dominar os recursos da natureza e expandir sua influência ao resto do 
mundo é inegável, tanto quanto seu potencial de destruição. São vítimas do dilema de 
Fausto, tão bem sintetizado por Marshall Berman: a fascinação com os poderes da 
racionalidade e da iniciativa e com a habilidade de intervir na natureza e controlá-la; os 
custos e perigos assustadores dessa empreitada; e sua dificuldade - e aqui eu também 
incluo Weber - em ver ou imaginar outras possibilidades, outras formas de vida social ou 
económica, exceto como desvios do racionalismo moderno e, por isso, sem futuro. 

O problema é que essas "outras formas" de vida social e económica não são a 
exceção, mas sim a regra. Adam Smith e Marx acreditavam que todos os países no mundo 
inevitavelmente seguiriam o caminho europeu de desenvolvimento industrial e 
racionalização. Weber mostrou como as modernas sociedades capitalistas racionais 
evoluíram do ambiente político e cultural único da Europa Ocidental, mas não considerou 
os possíveis desenvolvimentos surgidos de outras culturas e outros contextos históricos. 
Para ele, havia diferentes tipos de sociedade tradicional (patriarcal, feudal e patrimonial) e 
distintas tradições religiosas (confucionismo, budismo, judaísmo-cristianismo, islamismo), 
mas só uma sociedade moderna: os estados-nação europeus industrializados e racionais. Se 
a sociedade moderna surgiu de uma história peculiar europeia, o que poderia ter acontecido 
com outras sociedades? Ficariam "tradicionais" para sempre? Eventualmente, elas 
abandonariam suas idiossincrasias culturais e convergiriam para o "modelo ocidental e 



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natural" de racionalidade? Ou evoluiriam à sua própria maneira, seguindo caminhos 
diferentes dos da Europa Ocidental, desenvolvendo um tipo diferente de modernidade? A 
expansão do capitalismo a partir de seu berço europeu para o resto do mundo traria essas 
questões para primeiro plano. 

Expansão imperialista na era do capital 

No século 19, com a consolidação da Revolução Industrial e a introdução de novas 
tecnologias de navegação e comunicação, a expansão internacional do capitalismo europeu 
mudou de escala, tornando-se muito mais intensa e penetrando profundamente no resto do 
mundo. Eric Hobsbawm relata o processo em "O mundo unificado", capítulo de A era do 
capital (1996), título que reproduz a expressão usada por ele para descrever o período entre 
1848 e o colapso económico de 1875. Antes disso, a implacável expansão dos mercados 
nacionais na Europa conduziu aos movimentos revolucionários e levantes populares que, 
em 1848, varreram países como Alemanha, Áustria, Itália, República Tcheca, Hungria, 
partes da Polónia e afetaram Suíça, Bélgica e Dinamarca. As revoluções fracassaram ou 
foram esmagadas tão logo começaram. O fracasso abriu caminho para Estados nacionais 
fortes, que consolidaram seus mercados internos e mantiveram sob controle os membros 
mais radicais de suas populações. Novos Estados nacionais centralizados foram criados - 
Alemanha e Itália - enquanto a Rússia, com a modernização de São Petersburgo, começou 
sua corrida dramática para alcançar o seleto grupo dos poderes europeus e se unir a eles. 
Grã-Bretanha, Rússia, França, Áustria e Prússia lutavam entre si por hegemonia, 
fortalecendo seus exércitos, organizando seus governos, mobilizando sua população e 
estimulando suas economias. 

Apesar das guerras intermitentes, ele se refere ao período entre 1815 e 1915 como 
"um raro século de paz, sem o medo de uma guerra geral que foi a marca do século 20" (p. 
77). A ordem internacional estabelecida nesses anos não era apenas consequência do 
equilíbrio de poder entre os principais países, mas também produto de várias instituições 
criadas para facilitar o comércio e o intercâmbio internacionais, a começar pelo uso da libra 
inglesa - atrelada ao ouro - como moeda mundial, por bancos internacionais (primeiro 
privados, com a família Rothschild, e mais tarde com a criação de bancos centrais 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 32 

nacionais) 2 e instituições tais como a União Postal Internacional (1875), a União 
Telegráfica Internacional (1865) e a Associação Meteorológica Internacional (1878). 
Grandes inovações tecnológicas e melhorias - navios a vapor, estradas de ferro e telégrafo 
- contribuíram para esse processo de globalização. Como Hobsbawm descreve, "durante os 
anos de 1870, um montante anual de cerca de 88 milhões de toneladas de peso de 
mercadorias embarcadas eram trocadas entre as principais nações, em comparação com 20 
milhões em 1840" (p. 50). Em 1872, graças aos avanços na construção de ferrovias, o 
personagem de Júlio Verne, Phileas Fogg, foi capaz de dar a volta ao mundo em 80 dias, 
algo completamente impossível em 1848. Depois da década de 1870, os navios a vapor 
substituíram as embarcações a vela nas rotas internacionais, aumentando a tonelagem e 
reduzindo o tempo de viagem, com ganhos de rentabilidade. Nos anos de 1840, o telégrafo 
foi desenvolvido, e em torno de 1870, graças a uma rede impressionante de cabos 
submarinos, a Europa se conectou com a maior parte das cidades do mundo, na América, na 
Ásia, na Africa e na Austrália. 

A medida que o comércio se intensificava, as elites locais de Ásia, África e América 
Latina se tornavam muito mais próximas dos centros europeus, enquanto a distância entre 
elas e suas populações locais, em estilo de vida e aparência, tendia a aumentar. 
Missionários, homens de negócios e funcionários públicos partiram da Inglaterra e da 
França para outras partes do mundo, impondo sua presença - se preciso, por meios 
militares. Novas fronteiras e administrações locais foram criadas, atendendo às 
conveniências dos poderes europeus, interrompendo as conexões de populações com outras 
de cultura similar, ou forçando a coexistência de culturas, valores e crenças religiosas 
diferentes. No início do século 19, as velhas colónias portuguesas e espanholas na América 
transformaram-se em Estados independentes, sob proteção e supervisão britânicas. China, 
índia e Egito foram forçados a admitir a presença de comerciantes europeus e 
representantes políticos, e terminaram como parte dos impérios europeus - índia com seu 



2 Sobre a história dos bancos centrais europeus e suas relações com seus governos, ver Karl Bopp, 1944. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 33 

vice-reinado britânico, China sob a tutela de interesses ocidentais. Assim Hobsbawm 
descreve a situação na China e no Egito: 

Ambos eram estados independentes baseados em antigas civilizações e em uma 
cultura não-européia, enfraquecida pela penetração do comércio e das finanças 
ocidentais (aceitas de boa vontade ou sob pressão), e sem poder para resistir às 
forças militares e navais do Ocidente, por mais modestas que fossem. Os poderes 
capitalistas, nesse estágio, não estavam especialmente interessados em ocupar e 
administrar qualquer dos dois países, desde que seus cidadãos tivessem total 
liberdade para fazer o que quisessem, incluindo gozar de privilégios 
extraterritoriais. Eles simplesmente se viram conduzidos a um envolvimento 
crescente nos negócios desses países, pelo esfacelamento dos regimes nativos sob o 
impacto ocidental, tanto quanto pelas rivalidades entre os poderes do Ocidente, (p. 
131) 

Para as elites locais as opções eram: resistir à penetração ocidental, o que eles não 
tinham poder para fazer; aceitar plenamente a civilização ocidental, transformando suas 
sociedades em mercados nacionais inteiramente modernos, o que também estava além de 
seus poderes; ou tentar desenvolver algum tipo de reforma social que pudesse incorporar as 
características mais óbvias da sociedade ocidental - tecnologias modernas, administração 
pública, práticas de negócios, armas e práticas militares - sem perder suas ligações 
tradicionais e as conexões com sua própria população. Isso foi o que tentaram, e falharam, 
levando a um abismo crescente e a intensos conflitos entre a cultura e os modos de vida das 
elites e de suas populações, situação que desde essa época não melhorou muito, na maioria 
dos países. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 34 



3. POBREZA E DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL 



Karl Polanyi: as leis dos pobres 

Com Adam Smith e seus seguidores, pela primeira vez na história surgiu a noção de 
que a pobreza e a miséria poderiam desaparecer, com a modernização e o crescimento 
económico, se simplesmente os governos e as pessoas fossem racionais o bastante para não 
obstruir as tendências naturais dos interesses individuais. Na mesma época, no entanto, a 
Inglaterra estava passando por um grave processo de desordem social, que se iniciara, no 
século 16, com o cercamento dos campos abertos nas zonas rurais, transformando-os em 
pastos para ovelhas e destruindo os meios de sustento do campesinato. 3 Esse processo foi 
intensificado pela Revolução Industrial no século 18, com a combinação de explosão 
populacional e intensa migração em direção aos centros industriais, a partir das pequenas 
cidades e do campo. Em vez de bem-estar, o crescimento económico estava criando miséria 
e sofrimento. Será que isso era algo inerente, um componente essencial da modernização e 
do crescimento económico? Ou apenas uma situação temporária, uma dificuldade 
momentânea em um caminho virtuoso de riqueza crescente, para o benefício de todos? 

Esse é o tema do livro clássico de Karl Polanyi, escrito no início dos anos de 1940, 
sobre "a grande transformação" provocada pela criação da economia de mercado (Polanyi, 
2001). Marx, seguindo Ricardo, acreditava que a pobreza extrema era um componente 
essencial do capitalismo moderno. O avanço da tecnologia criou um "exército industrial de 
reserva" de trabalhadores desempregados que aceitavam trabalhar por qualquer preço, 
mantendo os padrões de vida de sua classe no mínimo absoluto. Joseph Schumpeter (p. 37) 
questiona essa teoria, mostrando que Marx não poderia usar uma explicação não-econômica 
para a pobreza (tal como a teoria do crescimento populacional, adotada por Malthus), 
porque o empobrecimento - e a revolta subsequente dos trabalhadores contra os capitalistas 



3 Para uma descrição do sistema rural tradicional na Inglaterra e do movimento de cercamento dos campos, 
ver Harriett Bradley, 1968. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 35 

- era um elemento central em sua doutrina, onde tudo era explicado em função da 
economia. 

Polanyi, entretanto, propõe uma explicação diferente. Para ele, os economistas 
clássicos e seus seguidores estavam errados ao crer que a condição natural do homem era 
barganhar, negociar e trabalhar para proveito próprio - isto é, viver no mercado, como um 
homo oeconomicus. Mercados, da forma como começaram a se organizar no século 18, 
eram um fenómeno novo; pobreza e miséria não eram causados pela industrialização em si, 
mas pela destruição da velha ordem social trazida pela introdução sem controle de uma 
nova economia de mercado. 

Nas sociedades sem mercado, diz Polanyi, a economia não é um domínio separado da 
política, da religião e da convivência social; ao contrário, as atividades económicas são 
engastadas nas instituições sociais, que também dão aos indivíduos sua identidade social e 
condições de sobrevivência pessoal. Essas instituições definem a divisão das funções e do 
trabalho na sociedade - tal como os papéis de homens e mulheres na agricultura, na caça e 
nos cuidados para com as crianças; definem as linhagens hereditárias e familiares 
complexas, determinando quem pode casar com quem, e quem é responsável por cuidar das 
crianças, dos anciãos e dos enfermos. Elas também estabelecem quem tem autoridade para 
resolver disputas e distribuir recursos de acordo com as necessidades percebidas, bem como 
as hierarquias de poder e prestígio. Polanyi resume a imensa variedade de arranjos 
institucionais nas diferentes sociedades em poucos conceitos: "simetria", a base para a 
reciprocidade; "centralidade", a base para a redistribuição; e "domesticidade", a base para a 
auto-suficiência das famílias individuais. Em todas as sociedades pré -mercantis, os 
produtos eram usados para o consumo das famílias; trocados de acordo com tradições e 
regras de reciprocidade, e dados ao governante para rituais, atividades comuns - incluindo 
a guerra - e redistribuição. A barganha e as trocas económicas, quando existiam, 
constituíam atividades secundárias, que aconteciam em ocasiões especiais, ou para uma 
quantidade limitada de produtos. 

A economia de mercado foi uma tentativa de criar uma inovação completamente 
diferente e radical. Em lugar de as transações económicas ocorrerem dentro da estrutura das 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 36 

instituições sociais, o mercado assumiu o controle, transformando terra, trabalho e dinheiro 
no que ele chama de "bens fictícios". Polanyi apresenta duas explicações para a expansão 
da economia de mercado: uma técnica, na tradição do determinismo tecnológico, e a outra 
política e institucional. 

A explicação técnica tem a ver com as necessidades funcionais de uma economia 
baseada na produção mecanizada. A maquinaria era cara, exigindo grandes investimentos e 
uma certeza de rendimentos futuros. Para serem lucrativas na indústria da lã, as máquinas 
deveriam ter pessoas para operá-las durante o tempo todo e o abastecimento de matéria- 
prima precisaria ser estável e ininterrupto. Preços, salários e suprimentos não poderiam ser 
estabelecidos por decisão administrativa, mas definidos de acordo com a lógica económica 
de oferta e demanda. Como em Marx, as "forças produtivas" moldaram as "relações de 
produção", a organização da sociedade. 

A segunda linha de explicação, entretanto, é diferente e original. Para uma economia 
de mercado funcionar, seria preciso criar mercados nacionais integrados de bens, trabalho, 
terra e capital. Isso era uma tarefa política complexa, realizada por governos e lideranças 
políticas e empresariais, e não um resultado direto de tendências tecnológicas. Economias 
nacionais integradas não existiam na Europa até a Revolução Industrial. Tradicionalmente, 
havia dois tipos de mercado. Os mercados internacionais, sem ser regulados, eram 
competitivos e com frequência predatórios, lidando com bens especiais não disponíveis na 
economia local. Os mercados locais, ao contrário, eram severamente regulados, para não 
perturbar as instituições tradicionais das cidades e de seus arredores rurais. No mercado 
internacional, a terra estava aberta à conquista e à ocupação, e as pessoas podiam ser 
capturadas e vendidas como escravas, mercadorias como outras quaisquer. Nos mercados 
locais, nem a terra nem o trabalho estavam disponíveis para comércio ou pilhagem. A terra 
sempre foi a base da autoridade hereditária e da organização religiosa, o local onde as 
pessoas tinham suas casas, viviam e trabalhavam para sobreviver. As pessoas estavam 
ligadas a suas comunidades e tradições, sem liberdade nem necessidade de se mover à 
procura de melhores salários. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 37 

A criação de mercados nacionais, com a transformação da propriedade local e do 
trabalho em mercadoria, foi consequência da introdução forçada da lógica dos mercados 
internacionais nas economias locais, pela quebra da resistência de cidades e 
municipalidades. O primeiro passo dessa transformação foi obra dos Estados mercantilistas 
dos séculos 16 e 17. Eles substituíram os monopólios, protecionismos e regulamentos 
locais por legislações nacionais, concentrando o poder em mãos da Coroa - frequentemente 
em estreita parceria com comerciantes - e destruindo, nesse processo, as bases comunais da 
organização social. O segundo passo, ocorrido na Inglaterra no século 18, foi a abolição dos 
regulamentos detalhados da vida económica, substituídos pela interação livre dos interesses 
do mercado. 

Para acompanhar esse processo Polanyi segue a evolução das Leis dos Pobres na 
Inglaterra, desde o século 16 até sua abolição nos primórdios do século 19. O primeiro 
período se iniciou com as mudanças na vida rural trazidas pela transformação dos campos 
comunais abertos em propriedades fechadas para pasto de ovelhas e produção de trigo - os 
cercamentos. Isso, diz Polanyi, foi a revolução dos ricos contra os pobres, aumentando a 
produtividade dos campos, mas destruindo o tecido social das sociedades rurais, 
expulsando as pessoas de suas casas e terras. Para compensar, a Coroa estabeleceu a 
primeira Lei dos Pobres, instituindo que as municipalidades providenciassem trabalho para 
todas as pessoas capazes, punissem a vadiagem e criassem asilos para os anciãos, enfermos 
e incapazes. Em 1563, foi criado um "estatuto dos artífices" especial, exigindo sete anos de 
aprendizado e tornando o trabalho obrigatório para os artesãos, com salários fixados pela 
autoridade pública. O último instrumento legal dessa sequência foi o Ato de 
Estabelecimento e Remoção, de 1662, que restringiu a liberdade de as pessoas se 
deslocarem de suas comunidades. 

Juntas, essas legislações tiveram o efeito de desacelerar o crescimento da economia e 
reduzir seu custo social. Polanyi aprova o que foi feito. Ao contrário de muitos autores, que 
consideram o período mercantilista dos Tudor e dos Stuart como um tempo de 
conservadorismo e imobilidade, Polanyi acredita que eles personificavam os melhores 
princípios da arte de governar daquele tempo, apoiando a imigração de artesãos 
estrangeiros, favorecendo novas tecnologias, adotando novos métodos estatísticos e 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 38 

procedimentos rigorosos em seus relatórios e limitando os privilégios tradicionais da Igreja 
e da nobreza. Para ele, era função do governo mudar a velocidade da transformação social e 
limitar seus danos e isso foi conseguido, de forma significativa, por tais políticas. 

Mais tarde, entretanto, com a expansão da indústria e com a introdução de maquinaria 
moderna, parece que todas essas proteções, em vez de ajudar as pessoas, passaram a 
contribuir para piorar suas vidas. O último esforço para resistir à transformação da 
sociedade inglesa em um mercado plenamente desenvolvido foi a Lei de Speenhamland, de 
1795, à qual Polanyi dá destaque. Essa lei obrigava as municipalidades a garantir a todos 
uma renda mínima necessária para comprar pão, tivesse a pessoa trabalho ou não. Criou-se, 
desse jeito, um novo direito, o "direito de viver", de ser sustentado pelo dinheiro público. 
Polanyi, acompanhando a visão dominante entre os historiadores e economistas de seu 
tempo, considera a Lei de Speenhamland uma "armadilha mortal", uma "catástrofe social" 
que teria aumentado a miséria dos trabalhadores e criado o caos na economia britânica, até 
sua abolição, em 1834. Com a subsistência dos trabalhadores garantida, os empregadores 
podiam reduzir seus salários à vontade, e ninguém precisava ficar preocupado com a perda 
do emprego. A produtividade afundou, a população se expandiu e a miséria atingiu níveis 
extremos. 

Em 1834, depois de um relatório de uma Comissão Real sobre os efeitos negativos 
das Leis dos Pobres, elas foram abolidas e substituídas pelo que se tornou a plena expressão 
da visão liberal. O "direito de viver" deixou de existir. Aqueles que não podiam trabalhar 
ainda seriam protegidos pela sociedade, entrando em um asilo onde os padrões de vida 
deveriam ser inferiores ao que conseguiriam com um salário. Por outro lado, cabia ao 
mercado decidir sobre quem iria trabalhar, onde e a que preço. Livre dos freios da proteção 
trabalhista, o capitalismo moderno estava em condições de finalmente crescer e prosperar, 
entrando no século 20 com a esperança de encerrar o longo ciclo de sofrimento e miséria da 
classe trabalhadora. Para fazer isso, entretanto, outras forças de moderação relativas às 
forças destrutivas do mercado, precisavam ser construídas, por meio da organização dos 
trabalhadores em uniões sindicais e do início do estado de bem-estar social. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 39 

O debate inglês sobre a Lei dos Pobres e as consequências da Lei de Speenhamland 
não é diferente das discussões atuais a respeito das vantagens relativas e dos riscos dos 
mercados livres ou regulados, bem como do papel e dos efeitos da política de bem-estar 
social, que permanecem principalmente como uma questão de ideologia, baseadas em 
evidência controversa. Hoje se sabe que o antigo consenso sobre os efeitos desastrosos 
daquela legislação, com o que Polanyi concordava, não se apoiava em uma análise 
adequada dos dados coletados pela Comissão Real, mas nos preconceitos da época, 
partilhados por seus membros. Quando os dados foram apropriadamente analisados, nos 
anos de 1960, os resultados obtidos mostraram-se muito diferentes. Como afirma Mark 
Blaug(1963,p. 151): 

Não importa qual autoridade se consultasse sobre as Leis dos Pobres inglesas no 
século 19, as conclusões eram sempre as mesmas: a Antiga Lei dos Pobres 
desmoralizou a classe trabalhadora, promoveu o crescimento da população, abaixou 
os salários, reduziu os aluguéis, destruiu os pequenos proprietários rurais, onerou os 
contribuintes. Quanto mais a Antiga Lei dos Pobres aliviava a pobreza, tanto mais a 
pobreza aumentava. O problema de criar um sistema público eficiente de assistência 
foi finalmente solucionado com a aprovação da "dura, mas salutar" Emenda à Lei 
dos Pobres, de 1834. 

A análise dos dados disponíveis, no entanto, revelou o oposto: 

A Antiga Lei dos Pobres, com o alívio proporcionado aos trabalhadores mal pagos e 
aos desempregados, era, em essência, um instrumento para lidar com o problema do 
excedente de trabalho no setor rural mais atrasado de uma economia em rápida 
expansão, porém ainda subdesenvolvida. E considerando a qualidade da 
administração social daquele tempo, não era de nenhuma maneira uma política 
equivocada. Os Membros da Comissão da Lei dos Pobres de 1834 pensavam de 
outra forma, e deliberadamente escolheram os fatos para suspender as normas 
existentes como desejavam. Além de deixarem de tomar em conta o problema 
específico do desemprego estrutural no campo, as evidências que consideraram 
eram pouco mais do que histórias pitorescas sobre má administração, (pp. 176-177) 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 40 

Entendemos agora a dificuldade que Polanyi teve para reconciliar suas visões sobre a 
necessidade de controlar as forças do mercado e os "fatos" retratados no relatório da 
Comissão Real, que ele não poderia se furtar a aceitar. De fato, Speenhamland não era 
diferente das Antigas Leis dos Pobres dos Tudor, reduzindo o impacto destrutivo da rápida 
expansão da economia de mercado sobre a sociedade tradicional. 

Sem a proteção governamental, agora todos estavam no mercado. Gradualmente, à 
medida que a economia crescia, as condições de vida dos trabalhadores começaram a 
melhorar. Uma explicação era a concentração de atividades económicas em torno dos pólos 
industriais, atraindo mais investimentos e trabalho qualificado. Isso aconteceu a um desses 
centros industriais, segundo relata E. H. Hunt (1986, p. 995): 

Estradas, canais e mais tarde estradas de ferro foram construídos para servir às áreas 
favorecidas. Surgiram indústrias secundárias e serviços comerciais tais como os que 
abastecem a maquinaria, corantes, finanças, e algodão bruto para os moinhos do 
Lancashire. Cada uma dessas atividades atraía as outras, e ao tempo em que essas 
áreas concentravam crescimento, se tornaram repositórios de habilidades 
especializadas em todos os níveis: o corretor de algodão de Manchester e o 
exportador de Liverpool, não menos que o mecânico de Oldham e o operador de 
máquina de fiar. Empresários capitalistas e trabalhadores trataram de agir para 
satisfazer as sempre crescentes necessidades de investimento e trabalho adicional, e 
uma combinação de vantagens locais oferecia aos empregadores compensações 
mais do que suficientes pela elevação de salários. Em locais como Manchester, o 
trabalho bem pago não era necessariamente caro, e os altos salários, por sua vez, 
contribuíam para a velocidade do crescimento local. 

Outros fatores que colaboravam para melhorar os padrões de vida eram a redução dos 
custos de alimentação e vestuário e o papel crescente dos sindicatos de trabalhadores na 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 41 

negociação dos salários e na melhoria das condições de trabalho. Os sindicatos mostravam- 
se mais efetivos em regiões de grande crescimento do que em outras áreas. 4 

Sociedade e mercado 

Podemos ver, a partir do trabalho de Polanyi, quantos diferentes aspectos da pobreza 
são misturados e muito frequentemente confundidos. Há os efeitos que o desenvolvimento 
dos mercados teve sobre sociedades sem mercado, destruindo suas instituições, rompendo o 
tecido social e transtornando a vida das pessoas. Há os problemas da pobreza e da miséria 
criados no mercado em si, pela exploração dos trabalhadores pela lógica mortal dos 
"moinhos satânicos". Polanyi aprovava as Antigas Leis dos Pobres porque elas protegiam 
os camponeses dos efeitos destrutivos do mercado. Mas ele acreditava nos efeitos negativos 
das Novas Leis dos Pobres porque elas supostamente impediam o mercado de funcionar 
como deveria. Mark Blaug, entretanto, nos mostra que as Novas Leis dos Pobres não eram 
tão ruins como pareciam, já que funcionavam da mesma forma que as velhas, protegendo 
os camponeses na parte "subdesenvolvida" da economia britânica. Se Blaug está certo, a 
questão dos possíveis efeitos das políticas de assistência no interior das economias de 
mercado, e não fora delas, não poderia ser estabelecida mediante o estudo dos efeitos das 
Leis dos Pobres e de sua revogação na Inglaterra daqueles anos. Foi preciso esperar que se 
desenvolvessem os sindicatos, as lutas de classe e o estado de bem-estar social para que se 
pudesse ver que a melhoria de condições de vida dos trabalhadores não traz pobreza, e sim 
riqueza para a economia capitalista. 

Além disso, pobreza e miséria não foram uma criação das economias de mercado, 
sempre existiram em todas as sociedades. Nesse ponto, é útil introduzir a distinção entre 
pobreza e miséria ou indigência. A maioria das pessoas, na maioria das sociedades, é pobre, 
no sentido de que elas mal ganham o que necessitam para sobreviver no dia-a-dia (embora 
o conceito do que é "necessário" mude de lugar para lugar). Miseráveis não são somente 



4 Ver também, sobre as condições de vida na Inglaterra durante a Revolução Industrial, N. F. R. Crafts, 1997. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 42 

pobres. Eles são os que não podem ou desistiram de trabalhar para seu próprio sustento. A 
pobreza sempre foi considerada uma condição normal, exceto nas sociedades desenvolvidas 
atuais, onde se espera que todos tenham no mínimo os padrões de vida das classes médias. 
De acordo com Bronislaw Geremek (1994), em seu estudo clássico sobre a história da 
pobreza na Europa, é possível perceber que, na tradição cristã da Idade Média, existiam 
pelo menos três visões diferentes de miséria: uma considerada como virtude, outra como 
destino e a terceira como vício. O pobre virtuoso era aquele que tinha escolhido renunciar 
aos prazeres da vida material e se dedicar à espiritualidade, à contemplação ou à 
solidariedade humana. O ascetismo voluntário e o puritanismo não se apresentavam como 
exclusividade do cristianismo mas, como Max Weber demonstrou, existiam também nas 
tradições religiosas do budismo e do hinduísmo. 5 Constituía dever do pecador comum e 
mais rico cuidar desses santos, com atos de caridade, o que também poderia atrair para o 
pecador prestígio social e uma sorte melhor depois da vida. A maioria dos pobres, no 
entanto, não era desse tipo; eles eram verdadeiros miseráveis, vivendo em privação, porque 
estavam velhos, fracos ou doentes demais para se manter. Também necessitavam de 
atenção e cuidado, e sua miséria involuntária os tornava quase tão virtuosos quanto os 
santos. Os pobres do primeiro tipo, responsáveis por seu próprio destino, deveriam ser 
cuidados com respeito, admiração e, às vezes, temor. Os miseráveis de segundo tipo não 
tinham poder algum sobre as próprias vidas, e eram objeto da caridade cristã. O terceiro 
tipo correspondia aos que eram suficientemente saudáveis e fortes para trabalhar, mas não o 
faziam - bandidos, vagabundos e criminosos, deveriam ser reprimidos e punidos. 

Todas as sociedades, em diferentes graus, tiveram de aprender a lidar com a miséria e 
criaram regras especiais e provisões para isso. A primeira questão a enfrentar foi a da 
classificação. Quem eram os "pobres meritórios", miseráveis por razões além de sua 
vontade, e os "não-meritórios", miseráveis por sua falta de vontade de trabalhar? Uma 
segunda distinção ocorria sempre entre "nossos" pobres, gente de nossa própria 



5 Para um resumo da visão de Weber sobre o ascetismo cristão e oriental, e seus contrastes, ver Reinhard 
Bendix, 1998, pp. 201-204. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 43 

comunidade, por oposição aos de outras comunidades. "Nossos" miseráveis meritórios 
eram dignos de toda ajuda possível; os outros deveriam ser punidos por sua preguiça, ou 
expulsos para outros lugares, sem caridade nem apoio. 

Todos esses miseráveis tinham em comum o fato de serem incapazes de se sustentar e 
dependerem de caridade para sobreviver. Camponeses e, depois, trabalhadores urbanos, 
mesmo vivendo em condições extremas de pobreza, não eram considerados miseráveis, 
mas pobres, o que se percebia como condição normal. A transformação na agricultura e, 
mais tarde, a Revolução Industrial na Europa, deram preeminência a outro tipo de 
miserável, aquele que perdeu o trabalho, ou não podia achá-lo, viajando por diversas 
cidades e vilas em busca de meios de sobreviver. Para a Igreja e para a Coroa Britânica, 
eles eram pobres e miseráveis que deveriam ser tratados com caridade quando necessário, 
mas forçados a trabalhar, ou punidos por vadiagem. Para Marx, constituíam a "reserva de 
trabalho industrial" e, como tal, parte dos pobres virtuosos que herdariam o mundo do 
capitalismo. Mas Marx não sabia como diferenciar esses pobres meritórios do 
lumpenproletariat, a "escória" humana que infestava as cidades industriais e não tinha 
lugar neste ou em um mundo futuro. Para os economistas liberais, a única solução era 
transformar a miséria viciada em pobreza virtuosa, trazendo todos para o mercado e 
eliminando as instituições de caridade. 

Outra questão mencionada, mas não com bastante ênfase, nos escritos de Marx, 
Polanyi e outros economistas, é o impacto do desenvolvimento industrial e da expansão do 
mercado em outras sociedades. Marx fala sobre a expansão do capitalismo pelo mundo no 
Manifesto comunista, e escreveu sobre a índia como correspondente do New York Herald 
Tribune. Para ele, o capitalismo não conhecia barreiras geográficas ou culturais. Sociedades 
não-capitalistas como a índia, ainda baseadas em formas tradicionais de organização social, 
deveriam passar pelo processo de destruição e incorporação ao mercado capitalista. 
Precisariam esperar acontecer a revolução social na Europa para serem capazes de enfrentar 
seus problemas de pobreza e miséria. Sempre vale a pena citar Marx, sobre os efeitos da 
dominação britânica e seu significado mais profundo: 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 44 

Agora, repugnante como deve ser para os sentimentos humanos testemunhar essa 
miríade de organizações sociais patriarcais. Produtivas mas inofensivas, sendo 
desorganizadas e dissolvidas em suas unidades, lançadas em um mar de desgraças, e 
seus membros perdendo de uma vez suas antigas formas de civilização e seus meios 
hereditários de subsistência, não devemos esquecer que essas idílicas vilas 
comunitárias, por mais inofensivas que possam parecer, sempre foram a base sólida 
do despotismo oriental, que contiveram a mente humana no menor compasso 
possível, fazendo dela uma ferramenta submissa de superstição, aprisionando-a 
entre as leis tradicionais, desprovendo-a de toda grandeza e energias históricas. 

E, finalmente: "É verdade que a Inglaterra, ao causar uma revolução social no 
Hindustão, foi movida unicamente pelos interesses mais vis e foi estúpida na sua maneira 
de fortalecê-los. Mas essa não é a questão. A questão é se a humanidade pode realizar seu 
destino sem uma revolução fundamental no estado social da Ásia. Se não pode, quaisquer 
que tenham sido os crimes da Inglaterra, ela foi a ferramenta inconsciente da história ao 
provocar essa revolução" (Marx, 1853). 

A visão de Polanyi é mais complexa. Para ele, a expansão internacional da economia 
de mercado possuía dois correlatos não-econômicos: um social, outro político. A 
consequência social era a mesma que ocorreu na Inglaterra "subdesenvolvida" - a 
destruição dos estilos de vida tradicionais da organização social, sem sua completa 
substituição pelos mecanismos e instituições de mercado. O resultado foi desordem social, 
perda de valores e tradições, miséria generalizada e anomia. O correlato político foram as 
tentativas de estabelecer uma nova ordem internacional mundial, governada pelos 
princípios do credo liberal, e seu fracasso. O mercado internacional não era o simples 
produto da interação dos interesses individuais na escala global, e exigia o estabelecimento 
da paz internacional, garantida por tratados complexos e alianças militares, além do 
estabelecimento de uma moeda comum internacional, o ouro, operada pelas grandes casas 
bancárias e pelos governos. Era o resultado de uma ação intencional, da mesma forma que a 
criação de mercados nacionais era o produto da ação intencional dos regimes 
mercantilistas. Para Polanyi, as duas Guerras Mundiais na primeira metade do século 20 e a 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 45 

emergência do fascismo constituíam a evidência de que a sociedade mundial não poderia 
ser organizada pela lógica dos princípios de livre mercado. 

O resto do livro de Polanyi é dedicado à análise das tensões entre esses dois 
princípios contraditórios que dominaram a sociedade moderna no século 19: a contínua 
expansão do mercado e o contramovimento de proteção social, que colocou limites à sua 
expansão. O autor não acreditava que a economia de mercado pudesse se desconectar 
completamente de seu contexto social. Ele viu na luta e na oposição constantes entre essas 
duas tendências - os mercados funcionarem sem controle e as sociedades prevalecerem - as 
raízes dos conflitos sociais e políticos dos séculos 19 e 20 que conduziram ao fascismo. 

O livro foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, quando o terror do fascismo 
estava vívido e o socialismo aparecia como uma alternativa possível. Polanyi descreve a si 
mesmo como um socialista. Ele acreditava que, a longo prazo, a única solução para o 
trágico confronto entre o mercado e a sociedade era a retirada das três "mercadorias 
fictícias" - trabalho, terra e dinheiro - das forças incontroláveis do mercado, e sua 
colocação sob o controle da sociedade. Para entender como isso poderia ser feito, ele 
examinou as propostas dos "socialistas utópicos" que, desde o início da industrialização, 
tentaram sugerir alternativas à livre interação das forças do mercado. Ele menciona John 
Bellers, um quacre que já no século 18 propunha organizar os pobres em cooperativas auto- 
sustentáveis; Jeremy Bentham, que tentou organizar os indigentes e desempregados em 
complexas casas industriais, livres dos caprichos da concorrência de mercado; e Richard 
Owen, que procurou organizar os trabalhadores em cooperativas auto-sustentáveis e 
sindicatos. Todos fracassaram porque, segundo Engels (1989) observou e Polanyi 
reafirmou, não levaram em conta a lógica do mercado, que estava expandindo a pobreza e 
criando desemprego em uma taxa sempre crescente. Os utópicos falharam em entender o 
poder das forças do mercado, mas, quando com o tempo elas acabaram sendo controladas, 
como deve ser, eles foram relembrados. Owen, em especial, teve seu lugar de destaque 
porque, segundo Polanyi, foi ele quem "descobriu a sociedade" como base para a 
organização da vida coletiva, em oposição ao individualismo destrutivo da competição de 
livre mercado, tanto quanto a seu contrário, o planejamento central autoritário. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 46 

As últimas seções do livro de Polanyi, uma reflexão sobre valores morais e religiosos, 
não tiveram o mesmo impacto dos capítulos iniciais sobre a vinculação entre capitalismo e 
pobreza. Podemos ler essas seções como um argumento a favor da humildade. O ser 
humano é inerentemente limitado em sua habilidade de se manter vivo, já que a morte é 
inevitável. Uma limitação similar existe em nossa habilidade em viver uma vida totalmente 
livre, ou uma vida de completa imersão na sociedade. É impossível eliminar a liberdade de 
mercado e seus riscos e voltar para a sociedade, tanto quanto é impossível permitir aos 
mercados crescer e operar sem os limites das instituições sociais. Toda vez que se tenta ir 
para um dos dois extremos, acaba-se chegando ao absolutismo e ao autoritarismo. Nas 
palavras do próprio Polanyi (2001, p. 268): 

A descoberta da sociedade não é, assim, nem o fim nem o renascimento da 
liberdade. Enquanto o fascista se conforma em renunciar à liberdade e glorifica o 
poder que é a realidade da sociedade, o socialista se conforma a essa realidade e 
defende o clamor por liberdade, apesar da sociedade. O homem amadurece e se 
torna apto a existir em uma sociedade complexa. Para citar mais uma vez as 
palavras inspiradas de Robert Owen: "Se quaisquer causas do mal forem 
irremovíveis pelos novos poderes que os homens estão prestes a adquirir, eles 
saberão que são males necessários e inevitáveis; e assim queixas infantis e inúteis 
deixarão de ser feitas". 

A importância duradoura do trabalho de Polanyi é a ponte que ele tentou construir 
entre duas tradições principais na interpretação da contemporaneidade, a dos economistas e 
a dos sociólogos e antropólogos. Para os últimos, a noção de que a economia está 
encravada nas relações sociais não é uma surpresa, e foi claramente explicitada no trabalho 
de Émile Durkheim um século atrás, tanto quanto no esforço ambicioso de Talcott Parsons 
em fornecer um quadro integrado para a compreensão da interação combinada entre as 
atividades e instituições económicas, políticas, culturais e sociais nas sociedades 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 47 

modernas. 6 O que torna o trabalho de Polanyi mais fascinante é que, em vez de tentar 
interpretar a sociedade como um organismo coerente e de bom funcionamento - como 
Durkheim (1893) e Parsons (1968) - ou como uma combinação bem orquestrada das 
decisões individuais e dos comportamentos racionais, tal qual os economistas, ele põe o 
dedo na ferida das tensões e contradições que estão no âmago do mundo moderno. 



6 Para uma argumentação mais recente a favor da reintrodução da análise social no entendimento das relações 
de mercado, ver Mark Granovetter, 1985. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 48 

4. Colonialismo, dependência e cultura 

No século 19, a suposição corrente na Europa era que a expansão ocidental fazia parte 
de um processo civilizatório - por meio da expansão da tecnologia moderna e da 
racionalidade - que não diferia da expansão do cristianismo pelos cruzados da Idade Média 
e pelos conquistadores espanhóis do século 16, ou da expansão da democracia ocidental nos 
dias atuais. Até Karl Marx acreditava que a expansão do capitalismo ao redor do mundo era 
um desenvolvimento positivo, pois levava a modernização para regiões e povos atrasados. 
Hobsbawm cita a aprovação de Marx à vitória americana sobre o México - que, com o 
progresso histórico, criara condições para o desenvolvimento capitalista - e à "missão" 
inglesa na índia, que representou a "aniquilação da antiga sociedade asiática e o 
estabelecimento das bases materiais da sociedade ocidental". (1996, p. 132). 7 Marx 
reconhecia, é claro, o enorme custo humano da modernização e do desenvolvimento 
capitalista, mas isso não foi suficiente para colocá-lo contra o que ele considerava o curso 
natural da história e do progresso. No século 20, enquanto os impérios europeus 
desmoronavam sob o impacto das guerras mundiais e do nacionalismo terceiro-mundista, a 
visão oposta ganhava força: a de que o capitalismo ocidental destruiu tanto a harmonia e a 
estabilidade das sociedades tradicionais quanto sua habilidade de se juntar ao seleto clube 
das sociedades desenvolvidas e ricas. 

Até certo ponto, a expansão internacional do capitalismo poderia ser percebida como 
uma replicação, em escala global, da destruição dos meios de vida tradicionais ocorrida na 
Inglaterra e em outros países europeus nos séculos 18 e 19 - e que mais tarde acabou 
conduzindo à prosperidade. Em pelo menos dois aspectos, entretanto, o capitalismo 
internacional foi diferente. Em primeiro lugar, no uso extensivo do trabalho escravo; e em 
segundo lugar, na criação de impérios mundiais, colocando países e sociedades inteiras em 
uma condição de subordinação económica e política em relação aos poderes europeus. 



7 Para uma visão do imperialismo britânico na índia, ver David Gilmour comentado por Ian Buruma, 2003b. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 49 

Polanyi observa que o comércio internacional precedeu em séculos a criação das 
economias de mercado nacionais integradas. Na Europa, o comércio era em sua maior parte 
um negócio das cidades-estado italianas e da Liga Hanseática germânica e escandinava. É 
possível retraçar suas origens até as primeiras civilizações, como a dos fenícios. Em fins do 
século 15 e princípios do 16, com os novos avanços da tecnologia de navegação, 
portugueses, espanhóis, italianos e holandeses descobriram as rotas para a Ásia e a 
América, à procura de ouro, especiarias, seda e escravos. "Comércio" não é bem o termo 
para descrever essa atividade. Algumas vezes, os navegadores estabeleciam relações de 
negócio com dignitários locais, trocando algum tipo de bem. Na maioria das vezes, 
entretanto, essas foram excursões predatórias - que levaram à destruição das sociedades 
locais e à morte de centenas de milhares de pessoas -, como aconteceu na conquista 
espanhola dos impérios inca e asteca na América e no genocídio das populações nativas nos 
Estados Unidos, no Brasil e na Argentina. 

Escravidão 

A escravidão, isto é, a transformação da vida humana em mercadoria, não foi uma 
invenção do capitalismo moderno. Existiu desde a Antiguidade, geralmente aplicada a 
estrangeiros retirados de seu meio ambiente por algum tipo de guerra. Com a descoberta 
das minas de ouro e prata nas Américas e, mais tarde, com a emergência do açúcar e do 
algodão como valiosas mercadorias, a escravidão cresceu em importância. Primeiro atingiu 
os nativos americanos e, depois, se serviu da importação sistemática de africanos - para 
trabalhar nas minas e plantations no Brasil, no Caribe, no Sul dos Estados Unidos e em 
outras regiões -, feita por companhias agrícolas e mineradoras e por colonos portugueses, 
ingleses, espanhóis, franceses e holandeses. Uma vez obtidas, seja pela violência, seja pelo 
trabalho escravo ou por escambo com os chefes e dignitários locais, as mercadorias 
internacionais - escravos, especiarias, ouro e açúcar - eram introduzidas nos circuitos de 
comércio da Europa ou nas colónias das Américas, compradas e vendidas em mercados 
abertos. 

O impacto desse comércio internacional sobre as sociedades locais não foi uniforme. 
Na Europa, propiciou a acumulação de que levaria, eventualmente, à criação de mercados 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 50 

nacionais integrados e ao desenvolvimento do capitalismo moderno. Nas Américas, 
sociedades e civilizações tradicionais foram destruídas, ou conduzidas a uma nova relação 
de dependência e subordinação face aos colonizadores europeus. Na Ásia, por muito tempo, 
os europeus representaram apenas uma presença menor junto às grandes e bem- 
estabelecidas civilizações antigas da índia, da China e do Japão que, de imediato, não 
foram por eles afetadas. O mundo muçulmano, sob ocupação turca, permaneceu isolado. 

O impacto na Africa é menos claro. Herbert S. Klein (1999, p. 103) descreve com 
detalhes a organização do tráfico de escravos na África: 

Embora no início do tráfego houvesse casos de capitães negreiros ignorantes que 
aprisionavam os nativos que apareciam a sua frente no litoral, essas práticas 
cessaram rapidamente. Os compradores europeus eram totalmente dependentes dos 
vendedores africanos para o fornecimento de escravos. Os comerciantes europeus 
nunca penetraram muito além da costa, antes do final do século 19, por causa do 
poder militar dos estados africanos e pela ameaça de doenças [...] Dadas as 
diferenças de recursos e relações de poder, os europeus rapidamente descobriram 
que apenas o comércio pacífico era possível. Os que não se adaptavam a isso, eram 
rapidamente removidos do negócio, algumas vezes à força. 

O impacto do tráfico de escravos na sociedade africana é um tema complexo, e Klein 
pesquisa duas questões: o impacto do comércio exterior na economia africana e o impacto 
demográfico da escravidão. Sobre a primeira questão, a conclusão é que o valor total das 
importações europeias no auge do comércio internacional, em fins do século 18, era 
"menos de 5% de toda a renda da população da África Ocidental, cerca de 25 milhões" (p. 
125). As perdas populacionais na África com a escravidão são comparáveis às ocasionadas 
pela emigração em países europeus, tais como Inglaterra, Irlanda, Itália e Portugal, nos 
séculos 18 e 19. O impacto mais significativo, no entanto, foi o crescimento da escravidão 
dentro da própria sociedade africana, que continuou mesmo depois que o tráfico atlântico 
foi interrompido. A estimativa era que "em torno de 1850, havia mais escravos na África do 
que na América - provavelmente atingindo quase 10 milhões de pessoas" (p. 129). Essas 
constatações não eximem os europeus da culpa pela enormidade do crime que foi o tráfego 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 51 

e o uso da mão-de-obra escrava nas Américas ao longo de tantos séculos. Elas nos ajudam, 
no entanto, a entender que a escravidão não foi, como muitas vezes se pensa, uma história 
simples de europeus malvados de um lado, atacando e destruindo uma sociedade inocente e 
pacífica do outro. 

Dependência 

Mais importante do que a justificativa moral ou a condenação da expansão ocidental é 
o entendimento do que foi provocado por ela nos países que sofreram seu impacto, e de 
quais seriam as opções deles para fazer o melhor uso possível de sua condição. A "teoria da 
dependência", desenvolvida inicialmente na Comissão Económica das Nações Unidas para 
a América Latina (Cepal), nos anos de 1950, com o trabalho do economista argentino Raul 
Prebisch, e disseminada mais tarde por André Gunter Frank, Fernando Henrique Cardoso, 
Celso Furtado e outros, nos anos de 1960, oferecia uma interpretação. A teoria, com 
pequenas diferenças entre os autores, consistia basicamente na transposição da noção de 
exploração económica, que Marx havia desenvolvido para caracterizar as relações entre 
capitalistas e trabalhadores, para as relações entre os poderes imperiais e suas colónias, ou 
entre países industriais e subdesenvolvidos. 8 Os países industriais exploravam os países 
pobres vendendo-lhes produtos manufaturados caros e pagando pouco pelas matérias- 
primas commodities. O capitalismo teria prosperado mantendo os trabalhadores na miséria, 
e os países imperiais teriam prosperado mantendo pobres e subdesenvolvidos os países 
pobres. Isso era feito com o apoio de aliados locais que trabalhavam como agentes dos 
interesses internacionais em suas sociedades. O mercado internacional destruía os esforços 
dos países pobres no sentido de desenvolver suas próprias indústrias e administrar o uso de 
seus recursos naturais. Para superar essa situação, era necessário que os países pobres 
desenvolvessem governos fortes e nacionalistas, que se dedicassem a planejar a 
industrialização por meio de subsídios públicos e de barreiras comerciais, e fossem capazes 



8 Sobre Prebisch e a Cepal, ver Joseph Hodara, 1997. Os primeiros textos sobre a "dependência" são de 
Frank, 1967 e de Cardoso & Faletto, 1970. Para uma análise crítica, ver Robert Packenham, 1992. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 52 

de se manter unidos em alianças internacionais para enfrentar os interesses conjuntos do 
mundo capitalista. No contexto da Guerra Fria, era inevitável que essas visões fossem 
traduzidas em termos do conflito entre os poderes ocidentais e a União Soviética, apesar 
dos esforços da índia e de outros países em se apresentar como representantes do "terceiro 
mundo". 

Essas ideias ainda estão vivas entre muitos políticos, na América Latina e em outras 
partes do mundo, mas perderam seu apelo intelectual nos círculos académicos por diversas 
razões. Em primeiro lugar, o fracasso da maioria dos países de "terceiro mundo", em 
especial na América Latina, em alcançar o desenvolvimento económico e o bem-estar 
social mediante políticas nacionalistas e planejamento central. Em segundo lugar, o 
inesperado sucesso de outros, destacadamente na Ásia, ao romper o círculo de pobreza e 
subdesenvolvimento. Em terceiro lugar, o fato de que, ao contrário dos pressupostos de 
muitos "dependentistas", não é verdade que os países ricos dependem da exploração dos 
países pobres para serem ricos. A maior parte do comércio internacional ocorre entre os 
países ricos; os velhos impérios tornaram-se um peso morto para os países coloniais antes 
de se desintegrar; e as intervenções políticas dos países ricos nas áreas pobres, quando 
ocorrem por razões estratégicas, geopolíticas ou ideológicas, representam um custo que 
nenhum país atualmente deseja assumir, exceto os Estados Unidos. 

Culturas, civilizações e sociedades 

A medida que se tornaram evidentes as limitações das teorias económicas e políticas 
para explicar e prever saídas para os países em relação à pobreza e ao desenvolvimento 
económico, velhas explicações ressurgiram, relacionadas com as diferenças na civilização e 
na cultura. 

Para os economistas clássicos e seus seguidores, todos os homens nascem iguais, com 
as mesmas tendências e os mesmos vícios individuais, e todos os países deveriam ser 
capazes, por isso, de se beneficiar das tecnologias modernas e da tendência natural das 
sociedades em acumular riqueza. Instituições, valores ou atitudes equivocados poderiam 
inibir a expressão dessa natureza e por isso deveriam ser removidos ou transformados. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 53 

Outra versão dessa visão é a evolucionista: as sociedades são diferentes na origem, mas 
existe uma tendência histórica clara do desenvolvimento humano, um "processo 
civilizatório" mediante o qual pessoas e sociedades evoluem dos meios de vida mais 
primitivos até os mais adiantados (Norbert Elias, 1994). 

Essa perspectiva envolve um grande paradoxo. De um lado, é profundamente 
democrática e igualitária: considera que todos têm os mesmo direitos e deveriam ser 
tratados com consideração e respeito. Por outro lado, pode facilmente conduzir a visões 
profundamente intolerantes e arrogantes - a ideia de que existe uma única maneira de viver 
em sociedade, que é a ocidental, baseada no individualismo, na liberdade pessoal e na 
propriedade privada; e de que pessoas e sociedades que participam de outras maneiras de 
viver deveriam ser levadas, por persuasão ou força, a adotar as instituições, os valores e os 
comportamentos da civilização ocidental. 

O enorme sofrimento humano infligido através dos tempos em nome do cristianismo, 
da racionalidade e, mais recentemente, da liberdade e da democracia, não deveria nos 
conduzir à visão oposta, isto é, de que todos os tipos de arranjo humano são igualmente 
válidos, com nenhuma escolha moral ou prática a ser feita. É muito fácil dizer que pessoas 
pobres, vivendo sob opressão ou sujeitas à discriminação degradante ou mutilação física 
deveriam ficar como estão, porque vivem em uma cultura diferente, com valores diferentes. 

Max Weber tentou encontrar uma resposta para esse dilema. Weber dizia que a 
racionalidade ocidental é um produto peculiar do desenvolvimento histórico da Europa 
Ocidental, resultado da combinação entre a descentralização política e a tradição histórica 
judaico-cristã, que não se assemelha, por isso mesmo, a outras tradições históricas, da 
China e da índia, baseadas em religiões e instituições diferentes. Weber não compartilhava 
da visão unidimensional dos evolucionistas do século 19, e era pessimista em relação às 
bênçãos do desenvolvimento económico e da racionalidade moderna. Ao mesmo tempo, ele 
só concebia a existência de um tipo de organização política e social moderna - a sociedade 
"racional-legal" que se desenvolveu na Europa Ocidental - e não aceitava nem o 
irracionalismo dominante no pensamento alemão da época, nem o pluralismo e o 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 54 

relativismo que se tornariam moda mais tarde. Reinhardt Bendix (1998, p. 471), um dos 
principais intérpretes de Weber, assim descreve seus pontos de vista: 

Embora Weber tenha se preocupado ao longo de sua carreira com o 
desenvolvimento do racionalismo na civilização ocidental, sua pesquisa não deixa 
dúvidas, como vimos, de que no mundo moderno razão e liberdade estão em perigo. 
Mesmo assim, o compromisso pessoal de Weber com a causa da razão e da 
liberdade permaneceu inabalável, em contraste com os muitos autores que durante 
sua vida e desde então apoiaram as doutrinas irracionalistas de uma forma ou de 
outra. O compromisso de Weber envolveu um esforço de resguardar a razão humana 
depois de ter enfrentado intelectualmente a irracionalidade humana - como em sua 
análise do carisma e das bases e consequências não-racionais da ação racional. 9 

Na tradição weberiana, e não somente nela, há uma ampla literatura sociológica, 
económica e filosófica que converge na noção de que é possível distinguir boas de más 
sociedades, justiça de injustiça, pelo pensamento racional e lógico. Nessa perspectiva, 
direitos e liberdades, oportunidades e poderes, renda e riqueza são "bens sociais primários" 
que deveriam ser maximizados em qualquer sociedade, e cuja presença ou ausência poderia 
ser usada como medida para avaliar sua qualidade e sua equidade. A identificação desses 
direitos básicos e sua gradual consolidação nas melhores experiências do estado de bem- 
estar social e da ordem democrática do mundo ocidental seriam somente um 
desenvolvimento peculiar entre outros, e um patrimônio comum a toda a humanidade que 
deveria ser valorizado, mantido e disseminado, embora, é claro, não por quaisquer meios. 

Entretanto, permanece o fato de que sociedades que passaram por experiências 
traumáticas de expansão de mercado, e conseguiram mais tarde construir instituições 
sociais capazes de manter as forças do mercado sob controle, tiveram melhores condições 
de implementar esses valores e instituições do que aquelas que apenas sofreram o impacto 



9 Sobre as ideologias irracionalistas alemãs do início do século 20, ver Fritz Ringer, 1990. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 55 

destrutivo da expansão do capitalismo, sem seus benefícios de longo prazo. Será que o 
passado é uma limitação insuperável? 

r 

índia, na visão de V. S. Naipaul 

O embate entre a cultura ocidental e as tradições orientais, criado pela expansão do 
capitalismo e do imperialismo, é um dos temas centrais da obra de V. S. Naipaul, nascido 
em Trinidad, ganhador do Prémio Nobel de Literatura de 2001, que visitou a terra de seus 
ancestrais, a índia, em meados da década de 1970, no tempo da "emergência" de Indira 
Gandhi. índia: A Wounded Civilization ("índia: Uma civilização ferida"), segundo livro de 
sua trilogia sobre esse pais (1979, 1991 e 2002), é parte de um projeto de vida do autor de 
oferecer uma interpretação das condições dos países que passaram pela experiência colonial 
e pós-colonial. Naipaul, que escreve de forma muito persuasiva, usando entrevistas, 
impressões de viagem e análises literárias, é muito polémico. A maior crítica que se faz a 
ele talvez seja a de que ele culpa as vítimas por suas dificuldades e seus problemas, mais do 
que os colonizadores. Há muito pouco nessa obra sobre o papel dos ingleses na colonização 
e na transformação do subcontinente indiano. Isso, para bem ou para mal, foi algo que 
aconteceu à índia, e sua pergunta é o que os indianos fizeram ou deixaram de fazer a esse 
respeito. 

Segundo Naipaul, não é verdade que os ingleses encontraram uma sociedade bem- 
integrada, que demoliram e lançaram em uma rota de conflitos e destruição. Antes dos 
ingleses, a índia foi submetida a séculos de ocupação pelos mughals e por outros grupos 
nómades, e sua população desenvolveu uma longa tradição de fuga do mundo externo para 
o interno, escapando da necessidade de enfrentar as dificuldades e contradições da vida 
cotidiana. A sociedade indiana tradicional é descrita por Naipaul em tons muito negativos - 
o sistema de castas, a preocupação obsessiva com os tabus de pureza e os rituais, a 
adoração da vaca, a passividade, a tradição de submissão e obediência. A ocupação 
britânica trouxe duas forças poderosas ao cenário: primeiro, tecnologias, valores e 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 56 

instituições ocidentais, incluindo os rudimentos de uma economia de mercado; 10 segundo, o 
movimento de independência e o esforço de transformar a índia em uma sociedade 
moderna - democrática, economicamente desenvolvida, justa e, ao mesmo tempo, afinada 
com as melhores tradições da região. 

Para descrever a reação da índia ao contato com o Ocidente, Naipaul analisa dois 
livros do romancista R. K. Narayan (1949 e 1967). Em um dos livros (Mr. Sampath), o 
personagem principal, Srinivas, depois de tentar diferentes trabalhos e atividades para 
ganhar a vida, se recolhe a uma vida de contemplação e não-violência, semelhante, 
aparentemente, à posição ética de Gandhi, mas de fato seu oposto. Para Naipaul (1979, p. 
15): "Apenas 20 anos se passaram entre a primeira conclamação de Gandhi à desobediência 
civil e os fatos do romance. Mas, em Srinivas, o preceito de não-violência de Gandhi já 
havia degenerado em algo muito parecido ao oposto do que Gandhi pretendia. Para 
Srinivas, não-violência não é uma forma de ação, um acelerador da consciência social. É 
apenas um meio de assegurar uma calma imperturbável; é o não-fazer, a não-interferência, 
a indiferença social". 

O outro livro, The Vendor ofSweets (O vendedor de doces), escrito por Narayan 20 
anos mais tarde, é descrito por Naipaul como "uma fábula, e de maneira geral ele repete o 
tema do livro anterior: há uma investida no mundo do fazer e no final há um recolhimento". 
Jagan, o personagem principal, "decide recolher-se ao campo, longe da cidade, perto de um 
santuário em ruínas. Lá, despojado de posses, ele vai observar um mestre entalhador, que é 
como um 'homem do milénio passado', completar uma antiga imagem inacabada de uma 
deusa de cinco pés, 'a luz que ilumina o próprio sol'". Jagan, por fim, alcança equilíbrio e 
paz, mas a um preço muito alto (p. 33): 

Jagan venceu sua guerra. Agora, cego por essa vitória contra sua corrupção 
mundana (a corrupção que, multiplicada um milhão de vezes, conduziu seu país da 



10 Sobre a natureza e as limitações da expansão da economia de mercado na índia, ver Tirthankar Roy, 2000. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 57 

independência a outra forma de colapso político), com seus impulsos gandhianos 
deteriorados pela auto-estima, pelo fatalismo e pela indiferença social, Jagan anseia 
apenas por manter a estabilidade de seu mundo; ele não é capaz de mais nada. Ser 
puro no meio da "sujeira desta terra", seguro no meio da desgraça: isso é tudo que 
ele pede. Quando seu mundo desmorona, ele não consegue voltar a lutar; ele não 
tem nada a oferecer. 

Gandhi era diferente, porque tinha vivido na Inglaterra e sofrido a experiência dos 
conflitos raciais na Africa do Sul; ele usou elementos da cultura indiana como instrumentos 
na luta pela independência. Por ter vivido em Londres, ele aprendeu que era um hindu; na 
África do Sul, adquiriu o que Naipaul chama de "sentido racial", que o levou a defender a 
ideia de uma nação unificada, unindo indianos e muçulmanos e superando as tradições de 
discriminação de casta. Gandhi, entretanto, "viveu demais" e caminhou cada vez mais para 
o "mahatmadismo", assim descrito por Naipaul (p. 155): "Um êxtase religioso e uma auto- 
exposição religiosa, um ilusionismo, uma maneira de se livrar do pensamento construtivo e 
das responsabilidades políticas. A verdadeira liberdade e a verdadeira compaixão 
continuam sendo vistas como consistindo em se retirar de um mundo difícil. Na índia 
independente, o gandhismo é como o consolo de um povo conquistado, para quem o Estado 
sempre foi estranho, controlado por outros". 

O que restou, então, de bom e usável, da sociedade tradicional indiana? Aqui e ali, há 
legados importantes na literatura, na arte e na filosofia, aos quais não se pode voltar pela 
contemplação mística nem pela busca interior: só podem ser recuperados mediante 
investigação crítica e pesquisa. Para Naipaul, os requisitos de uma sociedade moderna, são 
os mesmos em toda parte, na Inglaterra ou na índia: individualismo, racionalidade, 
liberdade de contrato, criatividade. A essas características individuais, entretanto, a índia 
precisou acrescentar uma força coletiva, que ele identifica como o "sentido racial" em 
Gandhi, ou uma "ideologia", "que teria respondido a todos seus objetivos políticos, e mais: 
não só enfraquecendo a intocabilidade e submergindo as castas, mas também despertando o 
indivíduo, capacitando os homens a se manter sozinhos com uma identidade mais ampla, 
estabelecendo novas ideias da excelência humana". Estamos no final do livro, e não é 



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explicado em que consiste essa ideologia, nem como ela poderia ser reconciliada com as 
atitudes modernas que Naipaul considerava essenciais. 

Podemos entender melhor agora por que Naipaul foi tão criticado, não só em relação 
a seus escritos sobre a índia, mas também por seu trabalho posterior sobre a Africa do Sul, 
a América Latina e o Islã. Sua crítica aos esforços de responder aos desafios da 
modernização com o recolhimento às antigas religiões e tradições comunitárias é 
devastadora; entretanto, ele não parece ter muito a oferecer em seu lugar, além de 
afirmações genéricas sobre o valor da pesquisa, da individualidade, da criatividade, do 
contrato e um vago "sentido racial" ou ideologia. A questão é saber se seus críticos têm 
algo melhor a propor. 

México, por Octávio Paz 

Como Naipaul, Octávio Paz é um homem de letras, cujo tema é a busca da explicação 
das deficiências e limitações da sociedade mexicana em seu relacionamento traumático 
com a modernidade. Para tal, ele tenta cobrir um campo enorme, incluindo a história e a 
interpretação das civilizações pré-colombianas, uma análise política das diferentes fases da 
história mexicana, uma discussão sobre as tradições intelectuais do país, questões sobre a 
industrialização e o comércio internacional, e um ensaio filosófico sobre a dialética da 
solidão. 

O México, tal como a índia, não era uma sociedade idílica e bem organizada, que um 
dia foi invadida e destruída pelos conquistadores espanhóis. De acordo com a interpretação 
de Paz, os astecas descobertos por Cortez tinham conseguido o poder pela aniquilação de 
tradições mais antigas e ricas, estabelecendo uma sociedade baseada no poder centralizado, 
no totalitarismo e em rituais de sacrifício humano. A destruição do império asteca pelos 
espanhóis foi recebida com indiferença, quando não com satisfação, por outras populações 
nativas; e a substituição da pirâmide asteca de poder pelo domínio dos espanhóis foi 
tomada pelas pessoas comuns simplesmente como uma continuação de uma longa tradição 
de opressão. Octávio Paz (1991) afirma que, na verdade, ao incorporar os nativos em sua 
civilização, obrigando-os a se tornar católicos e a trabalhar como servos para os novos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 59 

senhores, os espanhóis foram capazes de criar uma sociedade melhor que a dos astecas, e 
melhor que a dos colonizadores anglo-saxões do norte, que não tinham um lugar para a 
população nativa e exterminaram a maioria dela. 

Paz escreveu O labirinto da solidão no final da década de 1940, quando era já 
possível olhar para trás, depois de anos de revoluções e insurreições, e verificar que seu 
trabalho tinha sido realizado. O México, então, parecia estar entrando no mundo da 
modernidade, por meio da industrialização, da expansão da educação e de um Estado 
modernizador. A sociedade, no entanto, não se desenvolvera: a pobreza e a injustiça social 
continuavam intactas e tinham se tornado mais trágicas pelo contraste com o estilo de vida 
dos ricos e dos americanos do norte. Em alguns pontos, Octávio Paz procura explicações 
genéricas e compara países nos quais a industrialização e a modernização se desenvolveram 
mais cedo com outros, de desenvolvimento tardio. Ele tem uma visão romântica dos 
primeiros: naqueles países, ele diz, "as transformações políticas, técnicas e económicas 
tiveram êxito e se relacionaram umas com as outras como se estivessem inspiradas por uma 
coerência superior". Para os outros, a modernização do Estado e da economia vieram por 
meio de regimes autoritários e revoluções nacionais, com resultados semelhantes: "essa é a 
grande limitação - seria mais exato dizer condenação - de toda revolução nos países 
periféricos, sem excluir, é claro, as revoluções russa e chinesa: a inescapável contradição 
entre revolução e reformas sociais, uma contradição que é sempre resolvida em benefício 
da primeira" (p. 216). 

Essa linha de análise, sobre os diferentes arranjos entre Estado, economia e 
sociedade, que resultou da introdução do capitalismo moderno em sociedades não- 
ocidentais, é uma abordagem poderosa, quando feita adequadamente. Paz, entretanto, 
prefere um caminho mais antigo e menos fértil, que é fornecer uma espécie de interpretação 
psicanalítica da alma mexicana, simbolizada para ele pela pirâmide asteca. 11 . No topo, os 
deuses brincam com a criação e a destruição de mundos. Abaixo, o povo trabalha e sofre. 



11 Isso está claramente na linha da teoria dos "arquétipos" popularizada por Cari Jung, que Paz, entretanto, 
nunca menciona. Ver Jung & Franz, 1964. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 60 

Sacrifício humano, danças rituais e guerras regulares asseguram que a dominação dos 
deuses sobre a humanidade se mantenha e se perpetue. Para Paz, através dos séculos e das 
incontáveis revoluções, os mexicanos nunca foram capazes de enfrentar a verdadeira 
natureza desse arquétipo e, por isso, foram condenados a repeti-lo, desde os reis astecas até 
seus sucessores - "Virreyes, Altezas Serenísimas y Senores Presidentes". A desagradável 
conclusão é que "os verdadeiros herdeiros dos assassinos do mundo pré-hispânico não 
foram os espanhóis da Península, mas nós, espanhóis que falamos mexicano, sejamos 
criollos, mestiços ou índios". 

A primeira edição de O labirinto termina com uma crítica geral à modernidade, que 
torna os homens solitários e estéreis, e com um apelo em favor de uma sociedade humana, 
"não mais dominada por mentiras, má fé, dissimulação, cobiça inescrupulosa, violência e 
simulação" (p. 172). A segunda parte do livro, escrita 20 anos depois, começa com o 
terrível massacre de estudantes na praça de Tlatelolco, em 1969, e termina com a 
necessidade de tornar a procurar a alma oculta da sociedade mexicana e, daí, reunir forças 
para quebrar o círculo de autoritarismo, opressão e injustiça que bloqueia o pleno 
desenvolvimento do México como sociedade completamente livre. 

Naipaul e Octávio Paz, escritores tão diferentes, de culturas muito distintas, partilham 
as mesmas indagações, buscam soluções de forma similar, e chegam a conclusões 
parecidas. A indagação: por que o México e a índia, antigas sociedades capazes de erguer 
suas populações em revoluções memoráveis, foram incapazes de criar verdadeiras 
democracias e colher os benefícios da indústria, da ciência e da tecnologia modernas? A 
busca: há algo único nas culturas indiana e mexicana que explique esse fracasso histórico? 
A conclusão: cada sociedade tem sua própria história, mas precisa encarar o presente e 
construir o futuro da mesma forma - enfrentando seu passado, denunciando suas próprias 
mentiras e máscaras e assumindo a responsabilidade pela construção de seu futuro. Ao 
final, a questão não é achar alguém para culpar pelas dificuldades do presente, mas saber o 
que se pode fazer para enfrentá-las e superá-las. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 61 

Conclusão 

Naipaul e Paz também partilham a falta de uma abordagem conceituai adequada para 
lidar com as questões da cultura, por mais poderosas que sejam suas descrições literárias. 
Poderíamos dizer que, para ambos, cultura e sociedade são coisas do passado, em contraste 
com racionalidade e individualismo, que são coisas do presente e do futuro. Nesse sentido, 
eles comungam das visões de outros autores que clamam pelo retorno a um passado 
mitológico - como Richard Morse (1988), que defendia a volta da América Latina aos dias 
da dominação espanhola e da vida tribal nativa pré-colombiana -, 12 embora sejam 
radicalmente diferentes ao descrever o passado como um estorvo e uma ilusão, e o presente 
das sociedades modernas como a única alternativa possível. 

Entretanto, cultura e sociedade também fazem parte do presente, tanto nas sociedades 
desenvolvidas quanto nas subdesenvolvidas. Polanyi estava certo ao buscar um marco geral 
para entender as ligações entre economia e sociedade, mesmo que as respostas específicas 
por ele encontradas, ao procurar as estruturas de produção, distribuição e troca de bens e 
serviços nas sociedades tradicionais, não tenham perdurado. 

Por muito tempo, cientistas sociais e economistas tenderam a ignorar a existência de 
culturas e subculturas, e isso era parte da tradição modernista e liberal, segundo a qual 
todos são iguais e deveriam ser livres para participar da sociedade de acordo com suas 
realizações individuais, não conforme a cor de sua pele ou seu lugar de nascimento. Esses 
princípios são tão importantes hoje como no passado, mas não podem nos cegar para o fato 
de que as pessoas participam mesmo de diferentes culturas, e isso é importante para elas; 
nenhuma política social relevante pode ser implementada sem considerar esse aspecto. 13 
Parte da dificuldade de pensar na cultura em termos gerais é que a palavra é frequentemente 
utilizada para descrever o que é único e peculiar em uma comunidade específica, que provê 
seus membros de um sentido de identidade e pertencimento. Entretanto, também é possível 



12 Para uma interpretação e uma discussão das visões de Richard Morse, ver Simon Schwartzman, 1997. 

13 Para uma discu: 
Schwartzman, 1997. 



13 Para uma discussão extensiva da "redescoberta" da cultura nas ciências sociais modernas, ver 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 62 

pensar a cultura em termos mais gerais, como um número limitado de maneiras pelas quais 
as pessoas se relacionam com as outras e com a comunidade mais ampla onde vivem, de 
forma similar à identificada por Talcott Parsons como um sistema de "integração" em um 
sistema social. 

As comparações desenvolvidas por Max Weber entre as civilizações clássicas da 
Europa e da Ásia apontam a direção a ser seguida. Algumas sociedades, por razões 
históricas, desenvolvem governos e Estados fortes e organizados, seja por meio da guerra 
ou do desenvolvimento e da administração de complexos sistemas de irrigação, requerendo 
a mobilização de milhares de pessoas e o manejo de trabalhos de construção complexos. 
Outras permanecem dispersas, com poderes diluídos entre senhores e tribos locais. Essa é 
uma dimensão central de qualquer sociedade: sua estrutura vertical, que pode ser descrita 
como forte e hierárquica, ou como fraca e descentralizada. A outra dimensão se refere aos 
vínculos horizontais que ligam as pessoas em grupos sociais e comunidades, que também 
podem ser descritos em termos de fortes ou fracos, baseados na identidade comum das 
pessoas ou em sua diferenciação, em função dos requisitos da divisão do trabalho, como 
proposto por Durkheim, ou por outra razão. 

Dessas dimensões clássicas da análise sociológica, Aaron Wildavsky, na linha do 
trabalho de Mary Douglas,propôs uma tipologia de quatro "culturas" principais. 14 Quando a 
hierarquia social é forte e os grupos sociais também são fortes, pode-se falar de uma cultura 
hierárquica: a sociedade é estratificada, cada um "conhece seu lugar, e cada segmento 
desenvolve sua própria identidade social e profissional, dentro de uma hierarquia social. 
Esse é o sistema corporativo que os ideólogos do Estado Novo brasileiro tentaram 
implementar nos anos de 1930, sob a inspiração da igreja católica conservadora. Entretanto, 
a sociedade brasileira parece ser historicamente mais próxima de outra cultura, na qual a 
hierarquia social ainda é forte, 15 mas a vida comunitária e a integração horizontal são 



14 Ver Douglas, 1982; Thompson, Ellis & Wildavsky, 1990; e Wildavsky, Ellis & Thompson, 1997. 

15 Segundo a interpretação mais comum, o Brasil era, tradicionalmente, uma sociedade agrícola, e somente 
com o regime de Vargas, nos anos 1930, emergiu um Estado centralizado moderno; essa noção, entretanto, foi 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 63 

débeis; essa é a cultura que Douglas e Wildavsky descreveram como fatalista e apática. Se 
a hierarquia é, ou se torna, fraca, tanto pode abrir caminho para uma cultura de iniciativa 
individual e empreendedorismo, na qual as diferenças individuais tendem a emergir, como 
pode dar origem a sociedades igualitárias fortes, com a integração e a identidade de grupo 
prevalecendo sobre outras formas de filiação ou iniciativa individual. 

Haveria muito a discutir sobre essa tipologia, e ela tem se mostrado extremamente 
útil para entender uma grande variedade de situações. Podemos usá-la para tentar 
compreender melhor a natureza dos movimentos sociais contemporâneos e do renascimento 
cultural e religioso, e para especular sobre as consequências e o impacto de cada uma 
dessas alternativas culturais sobre as questões de modernização, desenvolvimento 
económico e pobreza que estamos discutindo. 16 

Sem avançarmos muito, podemos mencionar duas importantes consequências que 
decorrem dessa abordagem. A primeira é que as culturas deixam de ser vistas como 
conjuntos arbitrários e únicos de preferências e interpretações das identidades sociais e do 
mundo, e podem ser tratadas como um conjunto limitado de estilos de vida que estão 
fortemente encravados e dependentes de relações sociais específicas. A segunda 
decorrência, e a mais importante, é a percepção de que as culturas podem mudar quando 
essas condições sociais mudam, ou podem ser usadas para transformá-las. A cultura nem 
sempre é destino, pode ser também uma escolha. Além disso, a cultura não é monolítica. 
Há tensões e possibilidades dentro de cada cultura, e há sempre pessoas lutando por definir 
e interpretar o que sua cultura significa. Nesse sentido, culturas são "ferramentas" (ou 
"recursos culturais") usadas de maneiras distintas em diferentes contextos. O cristianismo 
foi usado para justificar o socialismo, o capitalismo, a racionalidade ou a irracionalidade. O 



ultrapassada pelas interpretações na linha dos escritos pioneiros de Raymundo Faoro sobre a natureza 
patrimonial-burocrática da administração colonial portuguesa e suas sucessoras (Faoro, 1958; Schwartzman, 
1988b, 2003a). 

16 Para uma aplicação do esquema de Douglas para a elaboração de uma tipologia de "jogos de linguagem" na 
sociologia do conhecimento e da ciência, ver David Bloor, 1983. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 64 

confucionismo pode ser usado para abraçar "valores tradicionais", que podem ser uma 
barreira à empresa capitalista, ou justificar "trabalho árduo, educação e respeito à 
autoridade", que pode ser útil no capitalismo e estimular a mobilidade social. O islamismo 
desempenhou o papel de uma cultura ecuménica aberta ao florescimento das ciências e das 
artes; de uma ideologia de regimes autoritários fortes; e como justificativa para movimentos 
sociais igualitários, antiindividualistas e altamente militantes. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 65 

5. Trabalho, pobreza e exclusão social 

Proletários, operários e empregados 

"Pobreza" e "exclusão social" são termos usados hoje quase como sinónimos. O que 
encontramos por trás disso é a consideração de que qualquer pessoa socialmente integrada 
está também protegida contra a pobreza e a miséria. Nossa visão histórica mostra que não 
foi assim no passado, não estava na mente dos economistas e dos cientistas sociais que 
escreveram sobre as origens do capitalismo e das sociedades modernas. Para Marx, os 
trabalhadores, muito bem integrados na economia capitalista, permaneciam pobres por 
causa do modo de funcionar da economia. Não havia diferença entre os que trabalhavam e 
os que não trabalhavam e estavam temporariamente no "exército industrial de reserva", que 
também era uma criação do capitalismo. Além disso, existia "a escória" - o 
lumpenproletariat, os mendigos, bandidos e bêbados, que não mereciam tipo algum de 
teoria económica ou social: apenas rejeição. 

Thomas Malthus tinha uma explicação diferente para a pobreza, mas chegou a uma 
conclusão semelhante. A pobreza, para ele, é um fato da natureza, decorrência do fato de 
nascerem muitas pessoas e não haver produção suficiente de alimento, e não consequência 
de uma ordem económica particular. É natural que os seres humanos se reproduzam e se 
multipliquem, até o limite dado pela disponibilidade de alimentos. Em suas próprias 
palavras (1998, p. 40): 

A grande lei da necessidade que impede a população de crescer em qualquer país, 
além do alimento que tanto pode ser produzido como adquirido, é uma lei tão clara 
a nossos olhos, tão óbvia e evidente para nossa compreensão e tão completamente 
confirmada pela experiência de qualquer idade, que não podemos duvidar dela nem 
por um momento. Os diferentes modos que a natureza usa para prevenir ou reprimir 
uma população excessiva, realmente, não parecem para nós tão certos e regulares, 
mas, embora não possamos sempre prever o modo, podemos com certeza prever o 
fato. Se a proporção de nascimentos em relação às mortes indicar por alguns anos 
um crescimento muito além do aumento proporcional de alimentos produzidos ou 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 66 

adquiridos pelo país, podemos ter perfeita certeza de que, a menos que uma 
emigração aconteça, as mortes logo ultrapassarão os nascimentos; e o crescimento 
que tiver acontecido por alguns anos não pode ser o crescimento médio real da 
população no país. Se não houvessem outras causas de decréscimo populacional, 
todos os países estariam sujeitos a pestes e fomes periódicas. 

Malthus acreditava ser impossível romper essa lei férrea. A caridade e os altos 
salários estimulariam o crescimento da população, que conduziria novamente à fome e à 
catástrofe social. A única alternativa às fomes e pestes periódicas seriam as restrições 
morais - celibato prolongado e abstinência sexual voluntária. Se os pobres não se 
comportassem como deviam, como era sua obrigação, nada havia que alguém pudesse ou 
devesse fazer para minorar seu sofrimento. 

Entretanto, essa lei férrea foi quebrada nas áreas industriais pelo desenvolvimento da 
tecnologia, aumentando a disponibilidade de alimentos; pela emigração, dirigindo a pressão 
demográfica de lugares como Irlanda, Itália e Alemanha para novos países inexplorados 
como Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina, Brasil; e pela redistribuição da riqueza 
provocada pelo movimento trabalhista e pela introdução da legislação de bem-estar social. 

Robert Castel (1995, capítulo 3, "La société salariale") descreve essa evolução em 
termos de três fases das condições da população trabalhadora nas sociedades industriais: a 
fase do proletariado, a da classe operária e a do trabalhador assalariado, ou dos 
empregados. A condição proletária retrata as primeiras décadas da Revolução Industrial, 
quando os trabalhadores mal podiam sobreviver e era impossível distinguir as linhas 
divisórias entre pobreza e miséria. Foi um período caracterizado pelos contrastes radicais 
entre ricos e pobres, pela extrema vulnerabilidade dos trabalhadores e pelos perigos que 
eles representavam para a vida cotidiana dos ricos. A expressão classes dangereuses 
(classes perigosas), usada originalmente para se referir a vagabundos, criminosos e 
marginais, estendeu-se à classe mais baixa como um todo - "classes labourieuses, classes 
dangereuses'" (Louis Chevalier, 1969). Castel fornece exemplos abundantes das visões e 
dos esforços da época para lidar com o problema na França. Cita por exemplo (p. 222) esta 
definição de paupérisme, extraída do Dictionnaire d "économie politique, de Léon Say & 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 67 

Joseph Chailley-Bert (1891): "A miséria é uma nova condição, tanto por suas causas como 
por sua natureza. Sua origem se deve à organização industrial de nosso tempo; é baseada 
nas maneiras de ser e viver dos trabalhadores industriais; e supõe a aniquilação da moral, 
rebaixamento e corrupção das faculdades mentais". 

Economistas e filósofos podiam considerar essa circunstância como normal ou 
inevitável, mas outros pensadores sociais, autoridades públicas e a Igreja tentaram 
compreender o que estava acontecendo e ver o que poderia ser feito para melhorar a 
situação. Já em 1834, a Academia Francesa de Ciências Políticas e Morais definia os 
termos de referência para uma "pesquisa que poderia identificar, através de observações 
positivas, quais são os elementos que caracterizam, em Paris ou em qualquer outra cidade 
grande, essa porção da população que forma uma classe perigosa por seus vícios, sua 
ignorância e sua miséria; e indicou os meios que a administração, as pessoas ricas e 
acomodadas, os trabalhadores inteligentes e laboriosos, poderiam usar para melhorar essa 
classe perigosa e depravada" (p. 227). No final do século 19, na Inglaterra, os cientistas 
sociais e estatísticos coletavam informações sobre a pobreza urbana e seus correlatos, 
tentando entender sua natureza - e, quem sabe, ajudar a minorá-la. 17 

Nessa época, entretanto, os antigos proletários já estavam se convertendo na nova 
classe operária. O contrato entre capitalistas e trabalhadores deixava de ser um simples 
pagamento pelo desempenho de uma determinada tarefa e tornava-se uma relação de longo 
prazo, com um conjunto crescente de direitos assegurados - assistência em situação de 
doença e acidentes, benefícios de aposentadoria, limites na jornada de trabalho e na 
exploração de crianças. Mais tarde, até o lazer tornou-se um direito assegurado. Contratos 
individuais eram substituídos por acordos coletivos, fortalecendo o poder de barganha do 
trabalhador. Na maior parte da Europa, os trabalhadores criavam sindicatos fortes, 
associações laborais, partidos socialistas e comunistas, e disputavam o poder político com 
os burgueses e os ricos. Eles também organizavam suas condições de trabalho e passavam a 



17 Entre os mais notáveis estão os trabalhos de Charles Booth, 1902; e Seebohm Rowntree, 1902. Para uma 
visão geral, ver E. P. Hennock, 1987. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 68 

ter controle sobre elas, decidindo, em muitos casos, quem tinha direito e podia ter acesso ao 
trabalho. Castel acredita que essa condição atingiu o auge na França na década de 1930, o 
mesmo se passando na Inglaterra e em outros países industrializados. A maioria dos 
assalariados eram "colarinhos azuis", trabalhadores industriais. Eles faziam o trabalho 
pesado e ficavam na base da pirâmide social. Entretanto, perderam o ímpeto revolucionário 
dos antigos proletários, que "nada tinham a perder além de suas correntes", e 
desenvolveram hábitos e feições peculiares, uma cultura "popular" e de "classe 
trabalhadora" que tendia a ser associada com uma rejeição dos valores e estilos de vida dos 
bem-educados e dos burgueses. 

A terceira fase descrita por Castel é a generalização do emprego assalariado, que 
deixa de ser exclusivo dos operários e passa a caracterizar a condição de trabalho da 
maioria da população dos países industrializados. Com a expansão das atividades 
intermediárias, especializadas e terciárias - trabalhadores de "colarinho branco", 
profissionais, funcionários públicos, técnicos -, ser assalariado tornou-se a condição natural 
de quase todos; começou a se apagar a fronteira entre o mundo da classe operária de 
"colarinho azul" e o dos empregados de classe média. Castel diz que, em 1975, 82% da 
população ativa, presumivelmente na França, recebia um salário e considerava que isso era 
a principal base para o estabelecimento da identidade social de uma pessoa, em qualquer 
lugar. Na perspectiva atual, e sob o ponto de vista dos países pouco industrializados, é fácil 
imaginar que essa fase teria vida curta. 18 Castel está certo, entretanto, ao afirmar que o 
emprego assalariado era e ainda é percebido como a situação ideal pela maioria das pessoas 
na maioria dos países, e podemos acompanhar o estabelecimento dos cinco elementos ou 
"condições" que ele acredita estarem associados a essa nova situação. 

A primeira condição é a clara separação entre os que trabalham regularmente e a 
população inativa fora do mercado de trabalho. Em certo sentido, essa é a culminância das 
antigas divisões entre pobre e miserável, pobre "meritório" e "não-meritório". 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 69 

A definição formal de "população ativa" é uma construção estatística que data do 
final do século 19 e princípio do 20, na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos, sendo 
hoje largamente adotada pelos órgãos oficiais de estatística ao redor do mundo. O 
pressuposto é que a "população ativa" é constituída por pessoas responsáveis pela produção 
de bens e serviços para a sociedade, que por isso têm direito de receber atenção e 
assistência. A população inativa é formada por crianças, mulheres, idosos, enfermos e 
vagabundos, que não trabalham e representam um peso para os demais. Eles também 
merecem caridade e assistência, exceto os vagabundos, que são um caso para a polícia. 

A partir desse novo conceito, a preocupação com a pobreza como elemento 
permanente e essencial do capitalismo foi substituída pela preocupação com o desemprego, 
que deveria ser uma condição peculiar e temporária. Na linguagem comum, um 
"desempregado" é alguém que não tem um emprego. Nas estatísticas do trabalho, a palavra 
tem um sentido muito diferente: um desempregado, ou desocupado, é um membro da 
população ativa que está temporariamente sem trabalho. Muitas pessoas que não têm 
emprego são desempregadas no primeiro sentido, mas não no segundo. A diferença é muito 
importante, uma vez que, no sentido estatístico, considera-se que os desempregados estão 
sem trabalho devido às flutuações económicas, e por isso têm direito a algum tipo de 
auxílio-desemprego; já os que não trabalham porque são "inativos" recebem um tratamento 
diferente, quando recebem. 

Mas, como classificar o trabalhador temporário e ocasional, o trabalhador que não 
tem um contrato legal, a criança que trabalha, mas não deveria trabalhar, o traficante de 
drogas, a dona-de-casa que cuida dos filhos, a criança que trabalha sem pagamento em casa 
ou na fazenda? A Organização Internacional do Trabalho, preocupada em dar consistência 
às estatísticas de emprego ao redor do mundo, sugere respostas para estas e outras 
situações. A maioria dos países, em vez de reportar um único número sobre emprego e 



18 No Brasil atual, menos de 50% da população economicamente ativa tem um emprego regular e está 
integrada no sistema nacional de assistência social. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 70 

desemprego, publica uma coleção de dados sobre pleno emprego, trabalho temporário, 
emprego formal e informal, subemprego, trabalho sem pagamento etc. Com isso, temos 
uma imagem mais acurada do que acontece no mundo do trabalho; e também percebemos 
que uma definição clara do que é ou deixa de ser a "população ativa" nunca foi 
completamente conseguida e nunca será. 

A segunda condição é a organização científica do trabalho, isto é, o modo taylorista 
de produção industrial, baseado na linha de montagem. O trabalho humano é distribuído em 
tarefas simples, repetitivas e minuciosas, enquanto todo o conhecimento e a competência 
dos trabalhadores são absorvidos pelos administradores e engenheiros industriais. A ciência 
deveria ser aplicada não apenas à construção de máquinas, mas também ao comportamento 
dos trabalhadores. O trabalhador ideal, para Frederick Winslow Taylor (1911), era o tipo 
"bovino": forte, obediente e dócil. 

Uma das consequências da introdução dessa tecnologia administrativa foi o 
desaparecimento de antigos ofícios profissionais, criando uma classe trabalhadora mais 
homogénea e indiferenciada. Outra consequência, entretanto, foi o crescimento de novas 
profissões assalariadas - administradores, técnicos, pessoal de manutenção e de controle de 
qualidade. A seu tempo, os mesmos princípios foram estendidos ao setor de serviços - 
bancos, lojas de departamentos e escritórios. Para Castel, "é certo dizer que esse modo de 
organização do trabalho, baseado na pesquisa para a produtividade máxima originada do 
rigoroso controle de operações, é um componente essencial das modernas relações de 
trabalho assalariadas" (p. 333). 

Mais uma vez, aqui, outras tendências limitaram esse desenvolvimento. O surgimento 
inesperado do Japão como potência industrial mundial nos anos de 1970 e 1980, levou a 
um profundo questionamento do modelo taylorista, ou fordista e à procura de novas formas 
de organização, colocando mais ênfase na competência individual e no trabalho de grupo e 
resgatando a apreciação pelas antigas tradições de ofício, que podiam ter desaparecido ou 
nunca terem sido suficientemente desenvolvidas em países jovens como os Estados Unidos, 
mas que ainda estavam vivas na velha Europa e no Japão (Michael Piore & Charles Sabei, 
1984). 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 71 

A terceira e a quarta condições tinham a ver com a transformação do trabalhador em 
consumidor de massa e com seu acesso à propriedade e aos serviços públicos. A noção de 
que um trabalhador poderia ser também um consumidor costuma ser atribuída a Henry 
Ford; mas foi um processo mais geral que mudou o enfoque do século 19, de que o 
trabalhador deveria produzir o máximo possível, ao menor custo. Outro aspecto dessa 
comunhão de interesses foi a descoberta pelos especialistas em relações humanas que, para 
aumentar a produtividade, os trabalhadores deveriam estar bem e se sentir felizes em seus 
locais de trabalho (Elton Mayo, 1933). Com a transformação do trabalhador em 
consumidor, a oposição radical entre as classes burguesa e trabalhadora foi substituída pela 
percepção de que elas tinham interesses comuns a preservar. Na década de 1960, os 
sociólogos britânicos de esquerda se indagavam se a classe trabalhadora estaria passando 
por um processo de "aburguesamento", perdendo sua identidade política e social. 19 

O novo trabalhador assalariado podia aspirar à propriedade - de uma casa, de um 
carro - e também aos benefícios de uma série de serviços públicos criados para atendê-lo. 
Entre estes, o mais importante talvez tenha sido o acesso à educação pública. A expansão 
da educação para as classes trabalhadoras nas sociedades modernas não pode ser explicada 
somente em termos de exigências do trabalho industrial. A educação pública surge com a 
construção dos estados-nação modernos e com o papel de movimentos religiosos e sociais 
de diferentes tipos. 20 Em muitos países, houve tentativas mais ou menos bem-sucedidas de 
elaborar sistemas educacionais separados para as classes trabalhadoras e as classes mais 
altas. Entretanto, a tendência geral era desenvolver um amplo currículo com o objetivo de 
dotar todas as classes sociais de uma linguagem e um conjunto de valores em comum. 

A quinta condição, finalmente, se relacionava com o reconhecimento da classe 
trabalhadora como sujeito de condições legais especiais, que iam além dos contratos 



19 Ver John Goldthorpe, 1969; e David Lockwood, 1989. Para uma visão contemporânea, ver Duncan Gallie, 
1996. 

20 Ver, para a Europa, David Vincent, 2000; para os Estados Unidos, Edward Stevens, 1990; para Portugal e 
Brasil, S. Schwartzman, 2003b. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 72 

privados entre o trabalhador e seu empregador (Castel, p. 338). Tratava-se aqui de admitir 
que a sociedade não era feita de indivíduos isolados, mas de entidades coletivas que 
definiam o marco dentro do qual ocorreriam os contratos individuais de trabalho. Devia ser 
respeitado um "contrato coletivo" entre as classes sociais. Na prática, isso significava que 
os direitos do trabalhador à estabilidade do emprego, férias pagas, proteção contra 
acidentes, licença de saúde e de maternidade, jornada de trabalho e um salário mínimo não 
eram abertos à negociação, mas eram estabelecidos por lei ou por contratos coletivos entre 
sindicatos e empregadores, de empresas específicas ou de segmentos da economia. O 
preenchimento dessas condições variava de país para país. Foi muito mais forte na Europa 
que nos Estados Unidos, onde, entretanto, os sindicatos têm sido tradicionalmente 
poderosos e capazes de impor contratos de trabalho exigentes e minuciosamente 
negociados. No Brasil, existe um código trabalhista detalhado e uma justiça trabalhista 
especial, com seus próprios juízes e tribunais, para assegurar o cumprimento do código. 

Exemplo extremo dessa tendência foi o modelo "corporativista" de organização 
social adotado pelos regimes fascistas europeus nos anos de 1920, copiado no Brasil na 
década de 1930 e ainda presente, sem esse nome, em muitos países. O arranjo se baseava na 
crença de que a sociedade deveria se organizar como uma corporação formal, com cada 
pessoa presa a sua função - empregados, empregadores, profissionais, funcionários 
públicos. Obrigações e benefícios seriam distribuídos de acordo com a posição social e as 
responsabilidades de cada um. As instituições educacionais forneceriam o número 
adequado de pessoas a serem treinadas para cada posição social. Aos governos caberia 
assegurar que todos desempenhassem suas obrigações e recebessem as necessárias 
retribuições, bem como cuidar dos incapacitados para o trabalho. Phillipe Schmitter (1974) 
observa que dois tipos de corporativismo floresceram na Europa. Um deles era o fascista: 
autoritário, de cima para baixo, desapareceu como tal após a Segunda Guerra, mas 
permaneceu na organização social dos países socialistas e nos vestígios da legislação social 
do Brasil e de outros países. O outro era o corporativismo "societal", de baixo para cima, 
criado pelas corporações dos sindicatos de trabalhadores e das associações profissionais, 
como nos países escandinavos. Entre os dois extremos, existiram incontáveis esforços e 
iniciativas de regular o mercado de trabalho, controlando quem poderia trabalhar e 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 73 

negociando acordos - entre sindicatos e empregadores - sobre salários, estabilidade no 
emprego e outros benefícios, que deviam ser sancionados e mantidos pelas autoridades 
públicas. 

Os excluídos 

O estabelecimento da "sociedade assalariada" foi um processo longo e difícil, nunca 
completamente acabado e já em retrocesso, com o impacto da globalização e das novas 
tecnologias. 21 Mesmo nas melhores condições, ser um trabalhador assalariado em uma 
sociedade de consumo de massa é uma situação limitada e opressiva. Uma vasta literatura, 
em boa parte seguindo a tradição crítica marxista, aponta tais dificuldades. 22 

Agora, inúmeras pessoas antes protegidas por essa extraordinária construção social 
estão sendo excluídas. Muitas outras nunca entraram no sistema, e não parece que o farão. 
Nos Estados Unidos, os excluídos são uma pequena mas importante minoria, formada em 
parte por descendentes dos escravos e, cada vez mais, por imigrantes pobres oriundos dos 
países subdesenvolvidos. Nos países mais pobres, os "excluídos" são com frequência a 
maioria do povo. Não é de admirar que exista uma procura tão grande por arranjos 
alternativos à economia de mercado, que o socialismo parecesse abrir caminho a um arranjo 
social melhor e que valores comunitários e religiosos ressurjam com tanta força. 

Por que, com a abundância de recursos trazida pelas novas tecnologias de produção 
de massa, tantos permanecem excluídos, incapazes de ganhar a vida e participar plenamente 
de suas sociedades? Eles são pobres por que são vítimas do desenvolvimento capitalista ou 
de alguma espécie de discriminação social associada a ele? Ou há algo em suas mentes, em 



21 Ou será que as mudanças nas instituições sociais, tais como a desregulação do mercado e o 
enfraquecimento do Estado estão ocorrendo por outras razões, relacionadas às disputas pela apropriação dos 
recursos da sociedade, e justificadas em nome da globalização e das novas tecnologias? Isso será discutido 
mais tarde. 

22 Os autores mais notáveis nessa linha são os membros da Escola de Frankfurt, incluindo Herbert Marcuse, 
Theodore Adorno, M. Hõrkheimer e Walter Benjamin. Ver Illuminations : The Criticai Theory. Texto 
disponível em <www.uta.edu/huma/illuminations>. Acesso em 26 ago. 2004. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 74 

sua cultura e seu ambiente que os impeça de se integrar de forma adequada às classes 
médias e assalariadas? 

Já vimos a explicação proposta por Polanyi - a economia de mercado destrói o tecido 
das sociedades tradicionais e não é capaz, por si mesma, de criar uma alternativa viável. A 
resposta de sociólogos e cientistas políticos nos anos de 1950 e 60 foi a formulação de uma 
teoria da modernização. As sociedades modernas de mercado estariam baseadas em valores 
de desempenho pessoal e em relações sociais fundadas na convergência de interesses 
mútuos; sociedades tradicionais, sem mercado, se baseariam em valores de status e em 
relações sociais fundadas na identidade cultural, em vínculos pessoais e afetivos. 23 A 
passagem de sociedades "tradicionais" para "modernas" seria predominantemente um 
processo de transformação e adaptação psicológica e cultural. Essas noções foram 
desenvolvidas para dar conta do atraso persistente dos chamados "países 
subdesenvolvidos", mas também poderiam ser aplicadas às regiões mais "tradicionais" dos 
países desenvolvidos, como o sul dos Estados Unidos. Na época, era generalizada a crença 
em que, mais cedo ou mais tarde, todas as sociedades tradicionais acabariam por se tornar 
modernas e o problema deixaria de existir. No início do século 21, ficou claro que as coisas 
são muito mais complicadas e muito pouco das teorias de modernização de trinta ou 
quarenta anos atrás ainda é lembrado. 24 

Da antiga escravidão à pobreza moderna 

Os conceitos geminados de tradição e modernização são particularmente inadequados 
para entender as questões de pobreza e miséria social historicamente associadas com a 
escravidão no Brasil, nos Estados Unidos e em alguns países do Caribe, e que ainda afetam 
as condições de vida das populações negras nesses países. Há dois aspectos a considerar 



23 A principal formulação dessa teoria é de Talcott Parsons. Para a influência de Parsons na sociologia norte- 
americana, ver Guy Rocher, 1975. 

24 Ver, entre outros, Gino Germani, 1973; Alex Inkeles & David Horton Smith, 1974; Daniel Lerner, 1958; e 
LucianPye, 1962. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 75 

aqui: as condições dos escravos e as da população pobre e livre que, no Brasil e em outros 
países latinos, com frequência era maior do que a dos escravos. Como foi que os escravos 
não se desenvolveram em um proletariado pleno e organizado, como na Europa? Como dar 
conta da grande população de homens livres, que não parecem se encaixar em nenhum 
lugar nos arranjos económicos da escravidão? 

Nada havia de "tradicional" nas grandes plantations de açúcar e de algodão 
estabelecidas pelos colonizadores europeus na América, baseadas no trabalho escravo. 
Desde o início, eram estabelecimentos modernos, fornecendo produtos de exportação para 
o mercado internacional, impulsionados por uma complexa rede de tráfico de escravos. A 
brutalidade e a exploração sofridas pelos negros escravizados nas mãos dos traficantes e 
dos proprietários das plantations provavelmente não foram muito piores do que a 
exploração dos camponeses, de suas mulheres e crianças nos "moinhos satânicos" dos 
primórdios da Revolução Industrial, na Inglaterra e na França. Por que os escravos não 
conseguiram se organizar e lutar por seus direitos como os trabalhadores na Europa, onde a 
industrialização eventualmente evoluiu para uma prosperidade compartilhada? Por todas as 
Américas, os escravos africanos lutavam contra seus donos sempre que podiam, 
estabelecendo comunidades independentes e, no Haiti, instauraram uma sociedade 
completamente dominada pelos negros. Não havia semelhanças, no entanto, entre essas 
revoltas de escravos e as lutas de classe na Europa da época, uma vez que os escravos, 
tipicamente, tentavam fugir das plantations e buscar a independência, enquanto os 
trabalhadores europeus almejavam melhorar suas condições de trabalho. 25 

Para responder a essa questão, autores marxistas argumentaram que, sob a escravidão, 
não ocorria um tipo de capitalismo plenamente desenvolvido, mas um arranjo mercantilista, 
no qual nem a terra nem o trabalho eram negociados de forma livre no mercado. A terra era 
concedida como privilégio para protegidos políticos pela administração colonial e não 
havia um mercado no qual os pobres pudessem vender sua força de trabalho. A condição 



25 Ver Nelson Robert Anderson, 1996; e Richard Price, 1996. Sobre o Haiti, ver David Nicholls, 1996. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 76 

dos escravos, no entanto, constituía apenas parte do problema. Lado a lado com os 
escravos, vivia uma grande e crescente população de homens livres, cuja existência e cujo 
modo de vida não poderiam ser explicados por uma simples explicação económica, exceto 
em um sentido negativo, como na interpretação de Maria Sylvia de Carvalho Franco (1969, 
p. 231): "Ao lado do latifúndio, a presença da escravidão freou a constituição de uma 
sociedade de classes, porque excluiu dela os homens livres e pobres e deixou incompleto o 
processo de sua expropriação. Ficando marginalizada nas realizações essenciais da 
sociedade e guardando a posse dos meios de produção, a população que poderia ser 
transformada em mão-de-obra livre esteve a salvo das pressões económicas que 
transformariam sua força de trabalho em mercadoria". 

Os autores que estudaram a escravidão sem as lentes estreitas das interpretações 
economicistas, como Gilberto Freyre nos anos de 1930 e, mais recentemente, Kátia 
Mattoso, mostraram que a plantation escravista clássica constituía apenas parte de uma 
situação muito mais ampla e complexa (Freyre, 2003; Mattoso, 1986). No século 18, os 
escravos eram trazidos a Minas Gerais para trabalhar na mineração de ouro e diamantes; 
mas, em poucas décadas, os depósitos aluviais foram exauridos, deixando uma grande 
população de escravos e homens livres vivendo da agricultura de subsistência. No Brasil, 
ao longo do século 19, ser escravo podia significar coisas muito diferentes - um trabalhador 
na plantation de açúcar, um servente doméstico, um vendedor ambulante e até mesmo um 
profissional independente ou artesão. Era possível para alguns escravos ganhar dinheiro e 
até mesmo comprar sua liberdade de seus proprietários. A miscigenação intensa criou uma 
grande população de homens livres com status social mal definido, que viviam em torno 
das fazendas e nas cidades, frequentemente como parte da família extensa das elites 
latifundiárias. Em 1808, na Bahia, de acordo com estimativas de Kátia Mattoso (1978), 
havia 144 mil homens livres negros e mulatos, comparados aos 118 mil negros e mulatos 
escravos, de um total de 356 mil pessoas. No final do século, de acordo com o censo 
nacional de 1872, o número de negros e mulatos na Bahia crescera seis vezes, subindo para 
830 mil, enquanto a população escrava tinha aumentado 40%, representando 167 mil 
pessoas em um total de 1.380. Nessa época, a maioria da população brasileira, mesmo 
residindo no campo, não participava mais da economia de plantation. A antiga economia 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 77 

açucareira perdera sua importância havia muito tempo, as minas de ouro de Minas Gerais 
tinham sido abandonadas e as plantations de café já buscavam outras fontes de mão-de- 
obra para substituir o trabalho escravo. 

Esse é o quadro da sociedade brasileira ao final do século 19: uma pequena elite 
branca, restos de uma economia escravista decadente, um grande número de escravos, 
filhos ilegítimos de senhores brancos com escravas, descendentes de índios e brancos 
pobres, e imigrantes pobres chegando em número cada vez maior da Itália, da Alemanha e, 
mais tarde, do Japão. Esses imigrantes viviam no campo, trabalhando em fazendas de café, 
ou como meeiros em pequenas extensões de terra, mal produzindo o suficiente para 
sobreviver entre uma colheita e outra. Cada vez mais, migravam para as cidades, morando 
em barracões, trabalhando como vendedores ambulantes, artesãos, ajudantes ou 
empregados domésticos; ou vivendo como ladrões de galinha e mendigos ocasionais. Não 
formavam um "exército industrial de reserva" no sentido europeu, uma vez que não havia 
mercado de trabalho; e não eram vítimas da destruição de uma ordem social tradicional, 
que nunca chegou a existir no Brasil. Em muitos aspectos, eram como o lumpenproletariat 
menosprezado por Marx - mas em vez de constituírem uma pequena parte da população, 
eram a maioria. Quando, anos mais tarde, o Brasil começou a desenvolver sua própria 
versão de sociedade assalariada e de estado de bem-estar social, apenas uma parcela dessa 
população foi beneficiada. É esta ainda é a situação atual, com mais da metade da 
população ativa do país trabalhando sem nenhum tipo de contrato formal, estabilidade no 
emprego ou proteção social. 

Será que a escravidão nos Estados Unidos foi diferente da que ocorreu nas colónias 
francesas, espanholas e portuguesas? Uma vasta literatura aborda o tema, discutindo se a 
escravidão foi mais humanitária em um lugar ou em outro, ou as consequências de longo 
prazo dessas eventuais diferenças. Herbert S. Klein (1999) reexamina as fontes e afirma 
que a situação em todas as partes era mais ou menos a mesma. Os escravos nos Estados 
Unidos viviam em geral mais do que no Brasil (a expectativa de vida era de 35 anos na 
América do Norte e 30 anos no Sul) e tendiam a ter mais filhos, mas isso pode ser 
explicado pelas condições gerais de saúde das populações das duas regiões e não por 
diferenças de tratamento. Por outro lado, as relações inter-raciais eram muito diferentes, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 78 

com barreiras rígidas, similares às de castas, apartando brancos e não-brancos nos Estados 
Unidos (tal como na Africa do Sul), e com linhas divisórias bem mais fluidas no Brasil. 
Diferentes explicações foram dadas para esse fato, algumas relacionadas com a natureza do 
empreendimento colonial nas duas regiões (colonos imigrantes versus aventureiros e 
caçadores de fortunas), outras com as diferenças entre as igrejas católica e protestante ou 
com outras distinções culturais. Houve também tentativas de relacionar tais singularidades 
aos conflitos internos nos processos de construção da nação nas várias regiões ou às 
disputas por empregos no mercado de trabalho entre grupos étnicos diferentes. Resumindo 
essa questão, George M. Fredrickson (1999) observa: 

Apesar de estudos revisionistas recentes, não há dúvida de que existe certa verdade 
na visão tradicional de que o Brasil, quando ainda era uma colónia portuguesa ou 
um império tropical português - muito antes de aspirar a ser um estado-nação 
moderno - estabeleceu um padrão de relações raciais que diferia consideravelmente 
do que se desenvolveu nos Estados Unidos e na África do Sul. O estereótipo do 
mulato ou pardo era - e até certo ponto ainda é - muito diferente do estereótipo dos 
negros, ou pretos. A limitada abertura brasileira à mistura de raças oferecia a alguns 
mulatos acesso a muitas das vantagens exclusivas do status euro-brasileiro. Os que 
tinham pele clara e eram bem-educados podiam ser contratados para empregos bem 
pagos, gerenciar negócios, comprar propriedades cobiçadas, obter cargos militares 
ou governamentais e casar com brancos. As inúmeras categorias diferentes de cor 
no Brasil e a permeabilidade das fronteiras entre essas categorias significavam que 
um sistema de segregação similar ao Jim Crow 26 ou um apartheid seria muito difícil 
de ser imposto no Brasil, mesmo se tivesse havido uma política de incentivos forte 



26 [Nota do Autor] Jim Crow é a denominação que se dava ao conjunto de leis que, sobretudo nos estados do 
Sul dos Estados Unidos, discriminavam a população negra, separando as pessoas nas escolas por cor, 
exigindo que negros se sentassem na parte de trás dos ônibus, impedindo casamentos mistos, segregando os 
lugares de residência, e assim por diante. Essa legislação só foi abolida na década de 1960, a partir dos 
movimentos anti-segregacionistas. Ver a respeito: 
<http://americanradioworks.publicradio.org/features/remembering/>. Acesso em 26 ago. 2004. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 79 

para tal. Era simplesmente muito difícil determinar quem era o quê unicamente com 
base na aparência física. 27 

A pobreza urbana nos Estados Unidos 

Da mesma forma que no Brasil, os descendentes dos antigos escravos dos séculos 1 8 
e 19 são o núcleo de origem da pobreza urbana nos Estados Unidos, junto com as mais 
recentes ondas de imigrantes vindos do México e do Caribe. Em seu excelente sumário da 
literatura americana sobre a pobreza urbana, William Julius Wilson & Robert Aponte 
(1987, apêndice) mostram como, na virada do século, a principal preocupação dizia 
respeito às condições de vida dos imigrantes europeus. Na década de 1930, o tema da 
pobreza quase desapareceu da literatura, cedendo lugar para questões relacionadas à 
organização e ao funcionamento do estado de bem-estar social sob a política de 
reerguimento económico de Franklin D. Roosevelt, o New Deal. A pobreza e a miséria, é 
claro, foram preocupações centrais durante os anos da depressão económica, mas eram 
vistas como questões económicas, sem que houvesse necessidade de olhar para os pobres 
como um grupo social que demandasse atenção especial, diferente das políticas do New 
Deal. Depois da Segunda Guerra Mundial, dizem os autores, "a próspera década de 1950 
ofereceu pouco estímulo para que os cientistas sociais e administradores públicos 
reconhecessem e enfrentassem os problemas de uma concentração crescente de cidadãos 
nas favelas e guetos de nossas principais cidades" (p. 166). 

A "redescoberta da pobreza" nos Estados Unidos ocorreu nos anos de 1960, primeiro 
sob o governo Kennedy e, depois, com mais força, com o Programa de Guerra contra a 
Pobreza de Lyndon Johnson, em 1964. Pela primeira vez foi oficialmente reconhecido que 
alguns grupos sociais - idosos, crianças pobres e uma parcela significativa da população 
negra - não conseguiam se beneficiar das vantagens de uma economia desenvolvida, e que 
a pobreza estava associada a outros problemas sociais, como a delinquência juvenil, o 



27 Ver também Herbert Klein, 1967; Anthony Marx, 1998; e Frank Tannembaum, 1947. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 80 

analfabetismo e as mazelas urbanas, que não podiam ser abordados isoladamente. Para 
mudar a situação, era necessário desenvolver programas de treinamento profissional, dar 
apoio para as pessoas se tornarem capazes de trabalhar e estimular a participação 
comunitária no enfrentamento dos problemas da pobreza. Atribui-se essa mudança de 
perspectiva, em grande parte, a alguns livros influentes da época - A sociedade afluente, de 
John Kenneth Galbraith (1998) e The other America, de Michael Harrington (1994) - e 
também à crescente preocupação com as condições de vida das populações negras, 
impulsionada pelo movimento em prol dos direitos civis. 

Na década de 1960, a pobreza tornou a ser um tema importante da pesquisa social, 
com foco nas relações entre pobreza e cultura e nas controvérsias geradas sobre a questão. 
Ao mesmo tempo, o governo estabeleceu uma "linha de pobreza" oficial que se tornou um 
padrão para medir e comparar o problema. Essa medida sempre foi sujeita a críticas - por 
exemplo, por não incluir rendimentos indiretos ou por ter um ponto de corte muito baixo - 
mas de toda forma tem permitido análises de longo prazo e comparações entre diferentes 
regiões e grupos sociais. O que essas análises mostram é que houve uma redução muito 
significativa dos níveis de pobreza nos Estados Unidos nos anos de 1960, tendo declinado 
de cerca de 22% para 12,8% da população - nível aproximado em que se manteve a partir 
daí. Elas também mostram que a pobreza deixou de ser predominantemente rural e é hoje 
sobretudo urbana, afetando um número expressivo de brancos, que são a maioria. 
Proporcionalmente, no entanto, a incidência relativa da pobreza e de seus indicadores 
correlatos de desarticulação social (crimes, nascimentos de mães solteiras, famílias 
chefiadas por mulheres e dependência da assistência social) é muito maior entre negros 
(Wilson, 1987, p. 173). 

A publicação em 1965 do relatório The Negro Family, de Daniel Moynihan (US 
Department of Labor Office of Policy Planning and Research), deu origem a controvérsias 
intensas e a um grande volume de pesquisas sociais que ainda continuam, bem sumarizadas 
no texto de Wilson & Aponte. A proposição básica do relatório é que a população negra 
estava sendo dividida em dois segmentos, um se transformando em classe média bem 
sucedida e estável e outro que se tornou conhecido como "subclasse". Sobre este segundo 
segmento, dizia-se que o problema era o círculo vicioso criado pela desorganização da 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 81 

família, com o grande número de domicílios chefiados por mulheres, mães solteiras e 
dependentes da assistência social. As pessoas que conseguiam escapar das comunidades 
pobres e miseráveis formadas por tais famílias, uniam-se às classes médias, privando suas 
comunidades de seus arrimos e de modelos de conduta. Moynihan atribuía essa situação à 
longa história de escravidão e discriminação contra os negros americanos, e propôs 
políticas enérgicas de compensação. 

Seria impossível apresentar sequer um resumo aproximado das extensas controvérsias 
que cercaram o relatório e dos muitos estudos que surgiram a partir dele. Basicamente, o 
debate foi entre os que pensavam que as raízes do problema se encontravam em certas 
características da cultura ou mesmo da raça negra, incluindo uma suposta tradição de 
matriarcado, e aqueles para quem os problemas derivavam da situação em que os negros 
haviam sido colocados pela sociedade predominantemente branca. 

Em outras palavras, tratava-se de um debate sobre se a pobreza era responsabilidade 
dos pobres, como Malthus afirmara havia mais de 200 anos, ou se era um subproduto da 
sociedade e da economia modernas. Não há dúvida de que podem existir instituições, 
atitudes e comportamentos em determinados grupos que dificultam sua capacidade de se 
estruturar para buscar melhores condições de vida. Por outro lado, existem fortes evidências 
que mostram como, no caso dos Estados Unidos, as condições externas em que vive a 
população negra afetam não só seu nível de vida, mas também suas chances de sair da 
situação em que se encontra. Por exemplo, há uma crescente literatura mostrando que o 
aprisionamento generalizado de negros é uma causa importante da desestruturação das 
famílias, dificultando o acesso à educação e ao mercado de trabalho. Em alguns lugares, 
50% da população negra jovem está ou já esteve encarcerada. O combate às drogas e o 
policiamento repressivo dos guetos negros constituem outro fator relevante. 

A verdade, afirma Wilson, está em algum ponto entre os dois extremos. É certo que 
muitos pobres nunca tiveram as oportunidades e a assistência necessárias para sair de suas 
condições de pobreza e exclusão social, e são vítimas de preconceito e discriminação. 
Também é verdade que, em sua situação de privação, eles podem ter desenvolvido atitudes 
e comportamentos que tornam difícil aproveitar os recursos e as oportunidades que lhes são 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 82 

oferecidos - atitudes e comportamentos que precisam ser adequadamente conhecidos e 
compreendidos. 28 

A melhor síntese do debate a respeito da "subclasse" e de seu impacto sobre as 
políticas sociais nos Estados Unidos está provavelmente no livro de Christopher Jencks 
(1993), Rethinking Social Policy. Ele examina as evidências disponíveis sobre as mudanças 
nos componentes principais da "síndrome da subclasse" - pobreza, desemprego masculino 
e feminino, o gap educacional, violência, gravidez de adolescentes e de mães solteiras - e 
verifica que essas são, em grande parte, situações independentes, que não variam no mesmo 
sentido. Na época em que ele escreveu, no início da década de 1990, o desemprego entre os 
jovens e a gravidez de mulheres solteiras estavam aumentando; mas o crime tinha parado 
de crescer e o desempenho educacional também avançava, especialmente entre negros. Sua 
principal conclusão é que o conceito de "subclasse" não é muito útil. Cada uma dessas 
questões tem suas próprias causas, que requerem políticas específicas e, apesar de 
frequentemente virem juntas nas mesmas áreas e grupos populacionais, deveriam ser 
tratadas uma a uma, e não como parte de uma única cultura de "subclasse". 

É uma tese bem razoável. O debate sobre a "subclasse" é muito ideológico: há uma 
tendência perigosa, entre os conservadores, de olhar para os pobres como se pertencessem a 
uma cultura singular, definida geralmente em termos negativos e, a partir dessa perspectiva, 
tratar todos seus supostos membros com preconceito e discriminação, abertos ou 
dissimulados. Por outro lado, é inegável que há uma cultura negra característica nos 
Estados Unidos, em parte associada à pobreza urbana e à vida sob discriminação e 
preconceito, e em parte associada a toda uma série de estilos de vida e comportamentos - 
desde o uso peculiar da língua inglesa até uma relação especial com a música e com a 
organização da vida social e comunitária -, que não é nem melhor nem pior do que a dos 



8 Wilson se refere aqui a um texto de 1968 escrito por Herbert J. Gans (1969), que tenta explicar o 
desenvolvimento de uma cultura de subclasse em termos da distância entre as aspirações das pessoas e as 
normas de comportamento aceitas pela sociedade, uma aplicação direta da teoria de "estrutura social e 
anomia" desenvolvida por Robert K. Merton em seu artigo clássico de 1938. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 83 

brancos e a de outros grupos étnicos, mas que pode ter consequências específicas sobre o 
acesso das pessoas às oportunidades de desenvolvimento pessoal e acesso à riqueza. 

Conclusão 

Essa incursão pelos temas das transformações do trabalho, dos sistemas de 
escravidão, dos trabalhadores livres e da pobreza urbana nos Estados Unidos deve ser vista 
em contraste com a maneira pela qual os temas do desemprego, da pobreza e da 
desigualdade social costumam ser tratados no Brasil. Por exemplo, o conceito de 
"desemprego", desenvolvido no contexto da criação do estado de bem-estar social na 
Europa e do New Deal nos Estados Unidos, não ajuda muito a entender o que ocorre em um 
país onde, historicamente, uma grande parte da população nunca chegou a participar de 
forma plena da economia moderna, embora esteja totalmente integrada em termos de suas 
aspirações de consumo. A pobreza rural e urbana não é mero efeito de uma crise económica 
temporária ou de um "modelo" económico adotado por este ou aquele governo, que possa 
ser modificado pela simples vontade política dos governantes; e não se pode esperar que a 
pura transferência de alguma renda para os setores mais pobres da população, embora 
válida como política compensatória, altere de forma significativa tal situação. A pobreza 
tampouco é fruto, simplesmente, de um comportamento pouco ético das elites, ou de uma 
política de discriminação e preconceito deliberados dos ricos em relação aos pobres, ou dos 
brancos em relação aos negros - como se as elites e os ricos de outros países fossem mais 
generosos ou menos preconceituosos do que os brasileiros, e isso explicasse as diferenças. 

O que essas teorias, interpretações e propostas de solução têm em comum é que 
pretendem apresentar uma explicação geral para tudo e uma receita simples para a solução 
de situações extremamente complexas e difíceis. Na linha sugerida por Jenks, é necessário 
desagregar os problemas em seus componentes, conhecer melhor a realidade dos diferentes 
setores sociais afetados pela exclusão social e enfrentar cada um deles de forma separada. 
Por exemplo, existem problemas específicos com a educação, que reforçam a desigualdade 
social e não habilitam as pessoas para o mercado de trabalho; existem situações claras de 
subculturas de marginalidade social nas periferias das grandes metrópoles, que não podem 
ser ignoradas; existem problemas graves na administração e na gestão do solo urbano, que 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 84 

estão relacionados com a favelização das grandes cidades e com suas consequências; 
existem perversões na legislação, que dificultam a atividade económica de pequenos 
empresários e estimulam a informalidade; existem problemas graves no sistema judiciário e 
nas polícias, que discriminam e agravam a situação da população mais pobre; existem 
situações de discriminação social e sobreexploração que precisam ser identificadas e 
reprimidas; e assim por diante. 

Para lidar com essas questões, precisamos conhecer melhor o que está ocorrendo em 
cada setor, sem a tentação das explicações simplistas e das soluções mágicas. O Brasil não 
está sozinho nessa batalha. Todos os países, mesmo os mais ricos, têm de enfrentar 
problemas semelhantes, e temos muito o que aprender com eles, da mesma forma que eles 
têm a aprender conosco. Não é um caminho fácil, mas é o único que existe, e precisa ser 
percorrido. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 85 

Parte 2: Globalização 
6. O debate sobre a globalização 

Da dependência à globalização 

Em torno da década de 1990, as teorias da dependência tinham perdido seu atrativo 
como explicação para os problemas do subdesenvolvimento e da pobreza fora dos centros 
industriais. Isso por dois motivos principais. Primeiro: países que procuravam seguir 
políticas de auto-suficiência económica e industrialização forçada não estavam 
conseguindo os resultados esperados. Segundo: países como a Coreia e Taiwan, os 
chamados "Tigres Asiáticos", considerados até então exemplos extremos de dependência 
económica e política em relação aos Estados Unidos e à Europa, estavam apresentando 
níveis inesperados de desenvolvimento e crescimento económicos. Fernando Henrique 
Cardoso, autor do livro mais difundido sobre a dependência nos anos de 1960, foi eleito 
presidente do Brasil em 1994 e deu início a uma política de ajuste interno e abertura à 
economia internacional. Em vez de dependência, a nova palavra de ordem passou a ser 
globalização. 

Uma explicação inicial, mas limitada, para o sucesso dos "Tigres Asiáticos" foi 
puramente externa: dizia-se que esses países tinham sido bem-sucedidos porque 
mantiveram suas economias abertas aos mercados internacionais, sem intervenção do 
Estado, ao contrário de países como a índia e o Brasil, que permaneceram fechados e com 
as economias controladas. Entretanto, essa explicação não era adequada, uma vez que, por 
exemplo, a presença do Estado na economia do Japão, da Coreia e de Taiwan foi muito 
mais forte do que em qualquer país da América Latina. Tornou-se necessário voltar a esses 
países para tentar entender - para além das circunstâncias da Guerra Fria e das opções 
económicas de curto prazo - por que alguns foram capazes de implementar políticas 
internas e externas que permitiram colher os benefícios da participação na economia 
internacional, tornando suas sociedades mais ricas e mais igualitárias, enquanto outros não. 
Isso incluía algumas questões antigas, como suas diferenças climáticas e de recursos 
naturais (Landes, 1999) e outras nem tanto, como as formas de organização de seus 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 86 

governos, a extensão e a qualidade da educação pública, o espaço dado à iniciativa privada, 
a forma como lidavam com a ciência e a tecnologia, e as condições legais, institucionais e 
culturais para o funcionamento de uma administração pública eficiente e de empresas 
modernas. O Banco Mundial, uma instituição central no novo mundo globalizado, 
desempenhou papel importante no fomento a essa linha de pesquisas, tentando influenciar 
os países a reformar suas instituições para colher os benefícios que se supunha decorrerem 
do novo cenário internacional. 29 

A segunda abordagem dava ênfase não aos países, mas ao novo contexto 
internacional, descrito agora em termos de "globalização", como algo diferente e mais 
opressivo do que a antiga "internacionalização". Não há consenso sobre o que essa nova 
globalização realmente significa; mas o ponto de partida é a penetração intensa de 
sociedades nacionais por todo tipo de redes, associações, instituições e culturas - mercados 
financeiros, grandes companhias multinacionais, organizações não-governamentais, mídia 
internacional, redes de comunicação instantânea, circuitos académicos - e novas 
organizações internacionais e multilaterais, como as Nações Unidas, a Otan, a União 
Europeia e a Liga Árabe. A globalização é vista como uma tendência multidimensional, 
com aspectos e consequências económicos, militares, culturais, tecnológicos, políticos e 
ambientais, cada qual requerendo atenção especial. Uma característica comum dessa 
segunda abordagem é, por vezes, um renascimento com nova roupagem da antiga teoria da 
dependência: a noção de que as limitações globais impostas sobre países individuais são 
fortes demais para serem contidas por políticas locais, acrescida de uma preocupação 
renovada com a necessidade de reformar a ordem internacional. Em lugar dos antigos 
imperialismo e neocolonialismo, agora o réu é a globalização, com consequências e 
implicações similares. 



29 Isso fica evidente nos temas da maioria dos relatórios do Banco Mundial sobre o desenvolvimento mundial, 
World Development Reports, desde os anos de 1990. Ver World Bank 1990; 1993; 1994; 1995; 1997; World 
Bank & Shahid Yusuf, 2000. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 87 

O Consenso de Washington 

A primeira manifestação dramática dos riscos da globalização foi a crise financeira e 
monetária que afetou o México em 1982 e se espalhou por outros países nos anos seguintes. 
Na América Latina, os anos de 1980 ficaram conhecidos como "a década perdida". Uma 
explicação foi a inabilidade dos países da região de se adaptar à volatilidade dos fluxos de 
capital internacional e às outras mudanças provocadas pela globalização. Organizações 
internacionais e, mais especificamente, o Fundo Monetário Internacional, foram chamados 
a ajudar os países a enfrentar a situação e desenvolveram uma visão do que esses países 
deveriam fazer para se integrar à economia mundial e dela se beneficiar. A expressão 
"Consenso de Washington" foi cunhada pelo economista John Williamson em 1989 para 
descrever essa visão. Vinte anos mais tarde, depois de crises recorrentes na América Latina, 
na Ásia e na Rússia, ficou óbvio que algo estava seriamente errado, e o Consenso de 
Washington passou a ser atacado. Um dos críticos mais conhecidos foi o ganhador do 
Prémio Nobel de economia, Joseph E. Stiglitz, que tinha sido economista-chefe e vice- 
presidente do Banco Mundial e, antes disso, Presidente do Conselho de Consultores 
Económicos do Presidente Clinton. 

O texto original de Williamson foi uma tentativa de listar o que os países latino- 
americanos deveriam fazer para "arrumar suas casas" e se qualificar a um financiamento do 
Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, na perspectiva dessas agências. Era 
uma lista de dez recomendações de política económica em torno de três ideias básicas: 
disciplina macroeconómica, economia de mercado e abertura para o mundo. 

Stiglitz (2002) e Williamson (1990) concordam em seu diagnóstico sobre a crise 
enfrentada pelas economias latino-americanas na década de 1980, assim como sobre as 
principais recomendações de como lidar com elas. A explicação era, primeiro, que esses 
países estavam gastando além de seus recursos e que isso estava levando à inflação e à 
desorganização da economia. A disciplina fiscal era particularmente difícil para os regimes 
democráticos que substituíram os governos militares dos anos de 1980. Os gastos públicos 
crescentes eram uma consequência do superdimensionamento do Estado devido às políticas 
clientelistas, a uma grande burocracia - em sua maior parte ineficiente -, à criação de 
empresas pesadas e geralmente não-competitivas, à incontrolável expansão dos sistemas de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 88 

benefícios sociais e pensões, e à corrupção. Em segundo lugar, esses países importavam 
mais do que exportavam, e os déficits no balanço de pagamentos estavam levando ao 
endividamento crescente. Para corrigir esses dois problemas, eles deveriam cortar gastos 
públicos e desvalorizar suas moedas , favorecendo o setor exportador. Em terceiro lugar, 
suas economias estavam fechadas aos mercados e tecnologias internacionais, o que 
conduzia a altos preços internos e à incapacidade de importar; para resolver isso, deveriam 
baixar suas tarifas , forçando as empresas nacionais à concorrência. Pode-se sintetizar as 
recomendações básicas dizendo que os países deveriam alcançar o equilíbrio 
macroeconómico , isto é, não gastar mais do que era permitido pela capacidade de cobrar 
impostos; não importar além de sua capacidade de obter dólares; e manter a inflação sob 
controle. Deveriam liberalizar suas economias , abrindo-as ao investimento de capital 
estrangeiro e ao comércio internacional; e privatizar as empresas públicas , particularmente 
nas áreas de metalurgia, energia, transportes públicos e telecomunicações. Com a 
privatização, o setor público poderia obter recursos para auxiliar a equilibrar suas contas, os 
capitais privados trariam novos investimentos e a qualidade dos produtos e serviços 
melhoraria. 

Esse diagnóstico e suas recomendações ainda são fortemente questionados na 
América Latina. Durante a campanha presidencial de 2002, o governo de Fernando 
Henrique Cardoso, que trabalhou com bastante sucesso para ordenar a economia, foi 
acusado pela oposição de desmantelar o setor público, sacrificando o crescimento da 
economia e os serviços públicos em troca do controle da inflação, e entregando o país aos 
banqueiros, capitalistas e especuladores internacionais. O Partido dos Trabalhadores, PT, 
tanto quanto o Presidente, Luis Inácio Lula da Silva, têm uma longa história de lutas contra 
essas políticas, em favor da expansão do setor público, defendendo políticas baseadas na 
proteção das indústrias nacionais, em investimentos sociais crescentes e no controle do 
fluxo de capitais estrangeiros. Políticos como Néstor Kirchner, na Argentina, Alan Garcia, 
no Peru, e Hugo Chávez, na Venezuela, pensam de forma semelhante. No entanto, a 
política económica de Lula tem sido tão ou mais conservadora que a de Cardoso. Apesar de 
seu eventual atrativo popular e eleitoral, não parece ser possível, no século 21, fazer reviver 
as políticas de inflação, isolamento da economia internacional e crescimento descontrolado 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 89 

do setor público, que conduziram às crises das décadas de 1970 e 1980. O que havia de 
errado, no entanto, com o Consenso de Washington? 

Williamson e Stiglitz não discordam das necessidades de responsabilidade fiscal, 
mercados livres e governos enxutos, e concordam também que essas políticas tenderam a 
ser implementadas de forma dogmática, frequentemente com base em ideologias simplistas 
de mercado, e sem levar em conta as situações específicas de cada país. O que estaria 
errado não seriam as recomendações, mas as formas pelas quais elas foram seguidas. 

As privatizações, que Stiglitz acreditava serem uma meta importante, foram quase 
sempre empreendidas apressadamente, levadas pela urgência de curto prazo de reduzir o 
déficit público e gerar recursos para pagar as dívidas, e na suposição de que grupos 
privados sempre viriam preencher o lugar dos serviços e empresas públicas fechados, 
trazendo capital próprio. No Brasil, a privatização foi um sucesso indiscutível nas áreas de 
mineração, metalurgia e telecomunicações, mas um desastre na área de energia, por 
exemplo. Na Rússia, as privatizações conduziram à criação de uma nova oligarquia ao 
estilo mafioso, que passou a controlar a maior parte da vida económica e política país. Na 
ausência de estruturas reguladoras apropriadas e de mercados bem-estabelecidos, as 
privatizações podem conduzir a situações de corrupção, monopólio, redução de serviços 
públicos, custos crescentes para a população e desemprego. (Luigi Manzetti, 1997) Parece 
claro que a solução para esses problemas não é voltar atrás com as privatizações, mas fazê- 
las adequadamente. 

A abertura dos mercados, outra política importante, pode facilmente levar à 
destruição das pequenas empresas locais, gerando desemprego e desordem social. Stiglitz 
diz que os Estados Unidos tinham uma política hipócrita em relação a isso, uma vez que 
forçavam, e muitas vezes obtinham, medidas de liberalização nos países em 
desenvolvimento, enquanto protegiam sua agricultura com subsídios elevados. Nos países 
desenvolvidos, as negociações comerciais são um campo fértil para a manifestação de 
grupos de interesse especiais, com os quais outros países têm dificuldade em lidar. A 
liberalização de mercados financeiros é ainda mais problemática. A maioria dos países 
latino-americanos possuía bancos públicos ineficientes, usados politicamente e sustentados 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 90 

pela inflação, que precisaram ser fechados ou transferidos ao setor privado. A combinação 
da estabilização económica com a abertura internacional levou muitos sistemas bancários 
na América Latina à falência ou a reestruturações caras e dramáticas, como ocorreu com o 
Proer no Brasil (Graciela Kaminsky & Cármen Reinhart 1999). O livre fluxo de capital 
especulativo de curto prazo trouxe mais problemas do que benefícios. São recursos que 
raramente levam a investimentos de longo prazo e à criação de novos empregos, forçam os 
países a manter grandes reservas internacionais como garantias que congelam os recursos 
públicos, e são os primeiros a se retirar em situações de incerteza, criando sérias crises de 
confiança. 

Poderia ter sido diferente? Stiglitz acredita que sim, e dá vários exemplos de países, 
do Chile à China, que foram capazes de evitar as armadilhas da versão do FMI do 
Consenso de Washington. Para ele, o maior problema da abordagem do FMI foi a maneira 
dogmática e autoritária de imposição de suas políticas, deixando pouco ou nenhum espaço 
para que os países fizessem uso de suas próprias competências e as adaptassem a suas 
condições peculiares. Não havia preocupação com o ritmo e a sequência das reformas, tanto 
por causa do fundamentalismo de mercado das autoridades do FMI, como por seu poder 
quase imperial sobre os países que precisavam de seu apoio. Políticas adequadas de 
reajustes económicos deveriam levar em consideração que não existem automatismos de 
mercado que compensem a destruição de instituições e empresas tradicionais. Uma 
economia de mercado, para crescer, precisa de instituições bem-estabelecidas, inclusive um 
sistema legal funcionando adequadamente, direitos de propriedade, leis antitrustes efetivas, 
e disponibilidade e liberdade de informação. A agenda de transformação não deveria ser 
limitada ao equilíbrio económico e à expansão da economia de mercado, mas sim incluir 
itens como a preservação do emprego e dos serviços sociais básicos, reforma agrária, 
educação pública e um ataque direto às situações de pobreza extrema. 

Mais fundamentalmente, Stiglitz acredita que a transformação económica requer a 
preservação e a transformação graduais da sociedade, conduzidas por lideranças 
competentes e legítimas. Os governos talvez tenham de se tornar menos dispendiosos, mas 
eles também precisam melhorar sua capacidade de regular a economia e de implementar 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 91 

políticas sociais, e nenhuma reforma pode ser feita a partir de Washington, sem a 
participação e o compromisso ativos dos líderes e intelectuais dos próprios países. 

É mais fácil apontar os problemas associados ao Consenso de Washington do que 
sugerir uma alternativa melhor, uma vez que parece impossível e indesejável voltar ao 
tempo das economias fechadas, dos déficits públicos crescentes e da injustiça social 
permanente. Dani Rodrik, economista de Harvard, identificado, tal como Joseph Stiglitz, 
como membro do "Dissenso de Cambridge" (Edmar L. Bacha, 2002), também concorda 
com os principais objetivos económicos do Consenso de Washington; mas pensa que o 
problema vem das tentativas de traduzir recomendações genéricas de política económica 
em arranjos institucionais específicos, o que está longe de ser óbvio e automático: 

Princípios tais como incentivos apropriados, direitos de propriedade, moeda forte e 
solvência fiscal dizem nada, por si mesmos, sobre as instituições que devem 
implementá-los. Eles precisam ser implementados por um conjunto de políticas 
públicas específicas. A experiência indica que pode haver muitas maneiras de 
empacotar esses princípios em arranjos institucionais. Diferentes pacotes têm custos 
e benefícios diferentes, dependendo das limitações políticas prevalecentes, dos 
níveis de competência administrativa e das falhas do mercado. O contexto 
institucional preexistente oferecerá limites e oportunidades, requerendo atalhos 
criativos ou experimentos arrojados. A partir dessa perspectiva, a "arte" da reforma 
consiste em fazer escolhas apropriadas de um cardápio potencialmente infinito de 
desenhos institucionais. (Dani Rodrick, 2003) 

O impacto da globalização 

Logo no início de seu livro, Stiglitz diz que, em anos recentes, "a distância entre ricos 
e pobres vem crescendo e mesmo o número dos que vivem na pobreza absoluta - aqueles 
que vivem com um dólar ou menos por dia - tem aumentado" (p. 24). Será? Os efeitos reais 
da globalização sobre a economia são o tema de uma análise detalhada feita por Fischer 
(2003), diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional de setembro de 1994 a agosto 
de 2001, em uma resposta indireta às críticas de Stiglitz. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 92 

O marco central da globalização, para Fischer, foi a falência do sistema monetário 
mundial criado pela Conferência Internacional de Bretton Woods, de 1944, que criou 
também o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para a Reconstrução e 
Desenvolvimento, hoje conhecido como Banco Mundial. Até os anos de 1970, havia a 
expectativa geral de que as moedas de todos os países teriam uma relação fixa com o dólar 
americano, e era missão do FMI providenciar apoio e assistência aos países nas 
circunstâncias em que essa taxa fosse difícil de manter. Depois da década de 1970, com o 
crescimento dos fluxos de capital e o uso de políticas monetárias para propósitos 
domésticos, o valor das moedas começou a flutuar, conduzindo à instabilidade das relações 
financeiras entre os países. Isso não constituiu um fenómeno novo, uma vez que, 
proporcionalmente, os fluxos de capital internacional hoje não são maiores do que foram 
antes da Primeira Guerra Mundial, mas foi uma ruptura importante da situação que havia 
prevalecido nos últimos cinquenta anos, e que continua tendo desdobramentos. 

Fischer começa seu texto com uma homenagem póstuma ao economista Rudiger 
Dornbusch (2000), citando um trecho que, em sua admiração pela globalização, lembra a 
fascinação de Marx com o capitalismo, quase dois séculos antes: 

Este século, e em particular as três últimas décadas, mostraram que enquanto o 
estado-nação se desmantelava diante da economia global, as empresas estatais e a 
repressão económica deram lugar à livre empresa, com o capitalismo voraz e suas 
espetaculares inovações rompendo as burocracias dos governos e das corporações. 
Quem quer que diga que algo é impossível é logo interrompido por alguém que diz 
que já o fez. O processo está longe de estar completo; a inovação e a livre empresa 
espalham uma nova forma de pensar, baseada no sucesso e na aceitação desse 
modelo, para horror do statu quo político e para alegria de todos aqueles dispostos a 
adotar uma atitude de poder-fazer. Se este século ensinou alguma coisa, certamente 
foi isso: reveses assustadores como a depressão e a guerra são apenas tragédias 
momentâneas - oportunidades de compra, se você preferir - no avanço inexorável 
dos padrões de vida e das possibilidades de desfrutar de uma vida melhor. Um dos 
grandes economistas deste século, Joseph Schumpeter - ministro das finanças da 
Áustria nos anos de 1920 e professor de Harvard no fim da vida - escreveu sobre a 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 93 

destruição criativa como o mecanismo dramático do progresso económico. Esse 
processo continua. 

Fischer concorda com Dornbusch, mas com menos entusiasmo. Ele examina as 
evidências disponíveis sobre as mudanças da economia global nas últimas décadas, e 
encontra um quadro contraditório. Sobre a pobreza, sua conclusão principal é que a 
situação está melhorando, especialmente nos países densamente povoados, como a China e 
a índia; há poucas mudanças na América Latina e uma clara deterioração no sul da Africa, 
associada em grande parte à disseminação da aids. Por outro lado, a desigualdade de renda 
parece estar crescendo, tanto entre países como dentro deles. Em outras palavras, os pobres 
estão se tornando menos pobres, mas sua distância dos ricos está crescendo. Será isso uma 
consequência da abertura das economias nacionais ao mercado internacional? Sobre essa 
questão, ele examina os efeitos da livre circulação de capitais, não apenas do comércio. 
Observa que os países que têm melhor desempenho abriram suas economias para o 
comércio e o fluxo de capitais, mas nem todos os que assim fizeram foram bem-sucedidos. 
Uma economia aberta, conclui Fischer, é uma condição necessária, mas não suficiente para 
o crescimento económico. Como um verdadeiro economista liberal, Fischer acredita que, 
no longo prazo, o capital deveria ser livre para correr mundo à procura do melhor retorno 
possível; no curto prazo, entretanto, ele concorda que talvez seja necessário colocar alguns 
limites a esse fluxo, como o Chile fez com sucesso por um período. Mas, acima de tudo, é 
necessário tornar as condições financeiras dos países mais transparentes e certificar-se de 
que as condições macroeconómicas gerais estejam no rumo certo - déficits públicos 
reduzidos, inflação baixa e taxas de juros adequadas. 

Fischer acredita também que o sistema global de comércio internacional é injusto e 
desfavorável aos países em desenvolvimento, por causa dos subsídios e protecionismos dos 
setores agrícolas na Europa e nos Estados Unidos. No entanto, ele não apoia as antigas 
visões de Raul Prebisch e da Comissão Económica das Nações Unidas para a América 
Latina a respeito da superioridade no comércio internacional das economias industriais 
sobre as agrícolas, no longo prazo. Ele acredita que os desequilíbrios atuais podem ser 
ultrapassados por meio de negociações dentro da Organização Mundial de Comércio. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 94 

No final, Fischer discute o papel do Fundo Monetário Internacional e como ele 
poderia se tornar mais efetivo. Implicitamente, Fischer aceita muitas críticas feitas por 
Stiglitz, e apoia a visão de que o FMI deveria melhorar seu desempenho, por meio de uma 
condicionalidade mais focada, com ênfase nas políticas macroeconómicas e nas medidas 
estruturais essenciais à estabilidade macroeconómica, e de maiores esforços para assegurar 
que os países assumam a responsabilidade pelos "programas de reforma". Ele também 
acredita que o Fundo deveria se tornar mais transparente e prestar mais contas aos países 
que são seus clientes. Entretanto, ele é cético quanto ao envolvimento de organizações não- 
governamentais na supervisão das atividades do Fundo e não questiona sua missão geral ou 
suas metas. 

O que podemos esperar do futuro? Grande parte do que vier a acontecer vai depender 
do crescimento económico dos países industrializados. Se a economia mundial continuar a 
crescer, quase todos poderão se beneficiar disso; se ela não crescer, será muito mais difícil. 
Alguns países grandes e importantes no mundo em desenvolvimento, como a índia e a 
China, estão seguindo para a frente e, na América Latina, alguns países estão se 
organizando e talvez encontrando seus caminhos - Chile, México, Brasil. Os grandes 
problemas estão na Africa e em muitos países latino-americanos, particularmente na região 
andina. As políticas para o futuro, para Fischer, não deveriam ser diferentes das do passado. 
Será necessário continuar a seguir as recomendações do Consenso de Washington, com 
ênfase maior sobre a pobreza, estabelecimento de redes de proteção social para situações de 
extrema pobreza e reforma institucional. Será necessário acabar com as barreiras 
comerciais contra os países pobres e aumentar a ajuda internacional. Também deveriam ser 
desenvolvidos mecanismos para que o sistema financeiro internacional se torne menos 
suscetível a crises. Seria preciso ter melhores políticas para a migração internacional, como 
também aperfeiçoar a governança de maneira geral. 

Todas essas proposições requerem organizações multilaterais mais fortes e 
competentes, e vão contra a tendência atual de crescente unilateralismo dos Estados 
Unidos. A ajuda internacional, que poderia tratar diretamente dos problemas da pobreza nos 
países mais pobres, auxiliando-os a melhorar suas economias, tem declinado muito. Tem 
sido assim especialmente nos Estados Unidos e em outras economias ricas, talvez devido 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 95 

aos fracos resultados dos programas de ajuda e à má administração dos recursos, em muitos 
países. O fim da Guerra Fria e o enfraquecimento das Nações Unidas e de outras 
organizações multilaterais também pode explicar a crescente negligência no tratamento 
dado aos países mais pobres. Fischer conclui seu trabalho com uma nota sombria, dizendo: 
"Como as palavras de Keynes nos fazem lembrar, não podemos supor que o mundo vai 
continuar na via da globalização, de maior prosperidade e maior democracia. Isso pode ser 
uma coisa espantosa de se dizer ao final de um século que testemunhou a primeira 
competição prolongada entre dois sistemas políticos e económicos claramente definidos. O 
sistema pró-democrático, pró-mercado, pró-globalização venceu essa disputa 
inquestionavelmente. Apesar disso, esse sistema está sob ataque". 

George Soros, o economista e financista que tanto lucrou atuando no mercado 
financeiro, agora um filantropo, é muito mais crítico do que Stiglitz em relação ao sistema 
capitalista global, tal como se encontra hoje (Soros, 1998). Seus textos são difíceis de 
entender por leitores não familiarizados com a complexidade dos mercados financeiros, e 
muito marcados por seu envolvimento pessoal em situações específicas. Ele introduz o 
conceito de "reflexividade" para expressar a noção de que as realidades económicas não 
são independentes do observador, mas talhadas em grande parte pelas interpretações e 
ações daqueles que tentam entendê-las e lidar com elas. 30 Para ele, reflexividade é mais 
importante do que o equilíbrio para entender de realidades económicas, particularmente nos 
mercados financeiros. A conclusão geral, entretanto, não é difícil de entender: os mercados 
financeiros globais são inerentemente instáveis e precisam de controle e regulação. O FMI, 
ao estimular os países a abrir suas economias e ao abastecê-los de recursos para resolver 
crises de curto prazo, torna-se parte do problema, mais do que sua solução. Dada essa 
situação, ele só vê duas saídas: ou os países em desenvolvimento tentarão escapar da 



30 O conceito em si, também conhecido como "efeito Pigmalião" não é novo ("Serei sempre uma florista para 
o professor Higgins, porque ele sempre me trata e sempre me tratará como uma florista, mas eu sei que posso 
ser uma dama para você porque você sempre me trata e sempre me tratará como uma dama."). Foi explicado 
por Robert K. Merton em seu artigo de 1957 sobre a "profecia autocumprida" e é largamente adotado por 
sociólogos da ciência. Seu uso na análise económica, entretanto, é mais recente (Merton, 1957). 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 96 

economia global ou serão dela expelidos; ou os países mais desenvolvidos concordarão em 
estabelecer um mercado internacional de capitais muito mais regulado. 

Escrevendo em 1944, Karl Polanyi falava sobre as três "mercadorias fictícias" que 
foram lançadas nos mercados pelo capitalismo, mas deveriam ser postas sob controle social 
fora do mercado - terra, trabalho e moeda. A terra continua sendo uma questão importante 
em muitas sociedades mas, de maneira geral, o processo de destruição das sociedades 
camponesas tradicionais, empurrando as populações para as cidades, completou seu 
percurso. O desenvolvimento do estado de bem-estar social colocou fortes limites à livre 
mercantilização do trabalho dentro dos estados-nação e há muito mais restrições hoje ao 
fluxo internacional de trabalho do que há um século, quando milhões de imigrantes 
deixaram a Europa e a Ásia por outras partes do mundo. Os problemas da globalização hoje 
estão associados, sobretudo, à mercantilização extrema do dinheiro, e os que conhecem 
mais desse assunto certamente concordam com Polanyi em que o dinheiro é importante 
demais para se deixar que seja controlado somente pelos mercados. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 97 

7. O fim do trabalho? 

Os luddistas 

Nas sociedades modernas, novas tecnologias são constantemente introduzidas para 
substituir o trabalho humano por trabalho automatizado. Não deveríamos então acreditar 
que, no longo prazo, o emprego regular será a exceção e não a regra? 

A evidência histórica nos países industriais tem mostrado, pelo menos até 
recentemente, que as tecnologias levaram à criação de mais riqueza, aspirações mais 
elevadas, melhores padrões de vida e mais empregos, e não menos, para uma população 
cada vez mais rica. A explicação mais comum para isso é a chamada "Lei de Say", 
formulada por Jean-Baptiste Say no início do século 19, segundo a qual "a oferta cria 
demanda" e, por isso, haverá sempre emprego para as pessoas ganharem dinheiro e 
comprarem os produtos gerados por uma economia produtiva, crescente e complexa. A 
inovação tecnológica, ao aumentar a produtividade, poderia levar a eventuais problemas de 
desemprego de curto prazo mas, no longo prazo, a disponibilidade de empregos se ajustaria 
ao fornecimento de bens e serviços. Há um amplo debate entre os economistas sobre as 
diferentes interpretações e aplicações dessa lei, especialmente nos períodos de recessão 
económica, que são com frequência explicados em termos de "excesso de oferta" ou 
"demanda fraca" (William Baumol, 1999). No longo prazo, entretanto, a maioria dos 
economistas concorda com Say. 

A partir dessa perspectiva, a reação dos trabalhadores dos primórdios do século 19 na 
Inglaterra, na França e em outros países contra a mecanização da agricultura e da indústria, 
que se tornou conhecida como "luddismo", costuma ser percebida como uma espécie de 
reação primitiva, de ignorância e medo em relação à modernidade, mas sem outras 
consequências. Eric Hobsbawm, em um trabalho clássico de 1952, descreve essa visão 
comum: 

O movimento trabalhista, em seu início, não sabia o que estava fazendo, mas 
simplesmente reagia às pressões da miséria tateando às cegas, como animais em 
laboratório que reagem às correntes elétricas. A interpretação da maior parte dos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 98 

estudiosos pode ser resumida como segue: o triunfo da mecanização era inevitável. 
Podemos entender e simpatizar com a resistência prolongada da maioria dos 
trabalhadores, exceto alguns mais privilegiados, contra o novo sistema; mas 
devemos entender que era uma reação sem sentido, e condenada ao fracasso. (1952, 
p. 53) 31 

Hobsbawm, no entanto, pensa que a destruição das máquinas não era sempre contra 
as novas tecnologias em si, mas uma prática comum no início das lutas de classe naquela 
época, uma forma de pressionar os capitalistas por melhores salários e condições de 
trabalho. A introdução de novos equipamentos foi frequentemente seguida de mudanças nas 
relações e condições de trabalho, que exigiam ação imediata, algumas vezes com a 
destruição das máquinas. É verdade que algumas pessoas reagiam contra as máquinas 
enquanto tais, não apenas os trabalhadores, mas também os pequenos industriais e artesãos 
que viam seus meios de sustento e seus estilos de vida serem ameaçados ou destruídos 
pelas novas tecnologias e pela concentração da propriedade e do capital. Mas isso, diz o 
autor, não era o mais importante. O trabalhador "se preocupava não com o progresso 
técnico em abstrato, mas com o duplo problema prático de evitar o desemprego e manter 
seu estilo de vida habitual, que incluía fatores não-monetários como liberdade e dignidade, 
tanto quanto salários. Assim, não era às máquinas propriamente ditas que ele se opunha, 
mas a qualquer ameaça aos fatores citados - sobretudo à mudança no conjunto das relações 
de produção, que o ameaçava" (p. 62). 

Estas continuam sendo questões centrais no atual debate sobre os avanços da 
tecnologia e seus impactos na vida do trabalho. Será verdade que as novas tecnologias 
levam ao desemprego? Como as novas tecnologias transformam o emprego, o trabalho e os 
estilos de vida? Quanto das transformações ocorridas se deveu às inovações e 
transformações tecnológicas, e não a outros fatores - relacionados com os conflitos pela 



31 Sobre o luddismo ver, entre outros, Malcolm Thomis, 1972; e E. P. Thompson, 1964. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 99 

redistribuição de riqueza e a forma pela qual foram estabelecidas as relações sociais no 
local de trabalho? 

Tecnologia, globalização e desemprego 

A história até o final do século 20 parece confirmar a sabedoria de Jean-Baptiste Say: 
apesar das guerras e das crises económicas periódicas, não há evidências de que o avanço 
da tecnologia tenha conduzido ao desemprego estrutural de longo prazo nas sociedades 
industriais. Mais recentemente, entretanto, o fantasma do desemprego ressurgiu, associado 
às questões da globalização. 

Essa questão tem sido muito discutida na Europa, especialmente entre os autores 
neomarxistas. Gõran Therborn, nos anos de 1980, atribuiu as variações do emprego nos 
países desenvolvidos a políticas específicas adotadas por diferentes regimes. Examinando 
os dados sobre emprego, ele diz que a hipótese de um "declínio da sociedade laboral" é 
insustentável. Desemprego não é destino, afirma, mas consequência de políticas 
governamentais específicas (Therborn, 1986). A visão mais ampla nos é dada por Walter 
Korpi (2002), que fala sobre uma "grande queda do desemprego" na Europa, um período 
excepcional de quase pleno emprego nos países desenvolvidos, que durou de 1950 até o 
início da década de 1970. Antes e depois disso, a maioria dos países industriais vivia com 
taxas de desemprego de cerca de 10%, com variações importantes por país e grupos sociais 
específicos. 

A explicação mais comum para o aumento do desemprego nos anos de 1970 é ele ter 
sido causado pelos esforços dos governos industrializados para controlar a inflação, como 
reação ao aumento dos preços do petróleo. Para manter suas economias funcionando em um 
ambiente competitivo, os países tiveram de reduzir seus gastos sociais. Os que fracassaram 
em fazer isso, como Alemanha, França e Bélgica, precisaram aceitar níveis de desemprego 
muito mais elevados do que os países com mercados de trabalho desregulados e 
desprotegidos, como os Estados Unidos. Korpi, entretanto, afirma que a decisão de 
priorizar o controle da inflação em vez do pleno emprego precede ao choque do petróleo, e 
foi um movimento deliberado das elites políticas e empresariais nos países capitalistas para 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 100 

mudar a distribuição de riqueza a favor dos capitalistas. Ele concorda com Therborn, contra 
os economistas convencionais, em que o desemprego não é apenas uma consequência 
natural das condições macroeconómicas, mas uma consequência de decisões políticas. O 
gráfico abaixo descreve a situação. Os níveis de desemprego na Europa costumavam estar 
em torno de 10% até a década de 1940. Depois da Segunda Guerra Mundial, caíram para 
cerca de 2 a 3% e assim permaneceram até meados da década de 1970, quando começaram 
a crescer novamente, atingindo nos anos de 1990 os níveis anteriores à guerra. 



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A grande queda no desemprego 

Nota. 1921-1928: médias para a Suécia e Grã Bretanha. 1950-2000: médias para Austrália, Áustria, 
Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Suíça e 
Grã Bretanha. 

Fonte: Korpi, 2002, figura 1 . 



É impossível tentar resolver a discussão sobre as causas do aumento do desemprego 
no âmbito deste livro. Uma complicação, como já vimos, é a própria noção de 
"desempregados", em geral definidos como "pessoas que não trabalham, mas gostariam de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 101 

fazê-lo". Pessoas que estão fora da força de trabalho - tipicamente, muitas mulheres e 
jovens - na maioria das vezes não são consideradas desempregadas e sim "economicamente 
inativas". Quando a economia se aquece, muitos daqueles que estavam inativos começam a 
buscar trabalho, e com isso aumentam tanto as taxas de desemprego quanto as de ocupação. 
Na Europa Ocidental, com os seguros contra desemprego bem-estabelecidos, é mais fácil 
ficar desempregado por longos períodos do que nos Estados Unidos ou na América Latina, 
onde há pouca ou nenhuma proteção para o desemprego. A noção de "trabalho" é também 
mais complexa do que pode parecer. Indivíduos que recebem qualquer tipo de pagamento 
por qualquer tipo de atividade económica são considerados "ocupados", não importando se 
têm um trabalho temporário ou permanente, se são empregados em tempo parcial ou 
integral ou se são vendedores ambulantes. 

Assim, é necessário ir além das taxas brutas de desemprego e examinar as possíveis 
mudanças no volume e na natureza do emprego, bem como se a inatividade e o desemprego 
estão afetando alguns grupos específicos. Como aponta um estudo recente da Organização 
para Cooperação e Desenvolvimento Económico (Organization for Economic Co-operation 
and Development, OECD), o acesso ao emprego tende a ser mais limitado para certos 
grupos, tais como os de idosos, mães solteiras, jovens em situação de risco, pessoas com 
deficiências, imigrantes, mulheres. (OECD, 2003b) Nas economias desenvolvidas, o 
desemprego entre jovens tende a ser duas a três vezes mais elevado do que a média. 
Devíamos ter em mente que isso se refere apenas aos jovens que estão ativamente 
procurando por trabalho, sem contar os milhões que continuam como estudantes ou que 
adiam sua entrada no mercado de trabalho. Uma interpretação disso poderia ser que leva 
um certo tempo para um jovem achar emprego, mas também pode significar que as novas 
gerações nunca vão encontrar o mesmo tipo de mercado de trabalho e de oportunidades de 
emprego que as gerações mais velhas tiveram. 

A qualidade e a natureza do trabalho 

Outra importante distinção é entre "bons" e "maus" empregos. Bons empregos são 
aqueles significativos para as pessoas: pagam bem, são estáveis e protegem os 
trabalhadores quando adoecem ou se aposentam. Maus empregos são os enfadonhos, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 102 

repetitivos e exaustivos, pagam baixos salários, são precários e não se associam a qualquer 
tipo de direito ou proteção social. Essas características necessariamente não vêm juntas. 
Empregos precários e de tempo parcial podem ser desafiantes e motivadores, enquanto 
empregos estáveis podem se transformar em rotinas sem sentido. Na Europa, onde os 
empregos estáveis e de boa qualidade tendem a predominar, o trabalho precário está 
crescendo rapidamente, e isso é causa de preocupação. De acordo com o relatório da 
OECD: 

Trabalhos de tempo parcial foram responsáveis por metade ou mais do total do 
crescimento do emprego na última década na metade dos países da OECD e por 
uma considerável porção dos novos empregos em outros tantos países. Trabalhos de 
tempo parcial foram responsáveis por uma porção especialmente grande do total de 
ganhos no emprego de mulheres e jovens na maioria dos países - e também de 
trabalhadores mais idosos em um menor número de países -, sugerindo que uma 
jornada menor de trabalho é frequentemente útil para conciliar o emprego 
remunerado com outras atividades, tal como paternidade, estudos ou alguma forma 
de aposentadoria parcial. O trabalho temporário também cresceu em dois terços dos 
países da OECD, mas foi responsável por metade ou mais do total dos aumentos do 
emprego em apenas cinco países. Apesar de o emprego temporário ter sido 
geralmente menos dinâmico do que o emprego de tempo parcial, sua expansão 
desperta especiais preocupações, porque a maioria dos trabalhadores temporários 
preferiria empregos permanentes, e a expansão do trabalho temporário pode ser 
responsável, em parte, pelo declínio das avaliações subjetivas sobre a segurança no 
emprego. (OECD, 2003b, p. 20) 

Se essa é a realidade nas economias desenvolvidas, é muito mais na América Latina e 
em outras sociedades menos desenvolvidas. No Brasil, cerca de metade da população 
economicamente ativa está no chamado setor "informal", significando que esses 
trabalhadores não têm contratos legais de trabalho e não são protegidos pela legislação 
social. Em alguns casos, podem ser atividades interessantes e empreendedoras, levando a 
ganhos mais altos do que em empregos regularmente remunerados. Para a maioria, 
entretanto, trata-se apenas de trabalho não-qualificado, sub-remunerado e precário. No 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 103 

Brasil, de acordo com a Comissão Económica das Nações Unidas para a América Latina, a 
proporção de pessoas trabalhando por conta própria e ajudando suas famílias sem nenhuma 
remuneração cresceu de 22 para 28% entre 1991 e 1999; na Bolívia, a proporção era de 
48% no ano 2000; no Chile, na Argentina e no México, em torno de 20% (Cepal, 2002). 
Esses dados são a evidência do que Gõran Therborn descreveu em seu livro de 1985 como 
sendo a "brasilização" do trabalho, um futuro sombrio que ele projetou para as economias 
avançadas se elas não retornarem a uma política ativa pró-emprego: uma combinação de 
um largo segmento de pessoas subempregadas, vivendo de trabalhos precários na economia 
informal e por vezes ilegal; um setor menor e minguante de empregados estáveis em 
empregos públicos e em grandes empresas; e um segmento menor e altamente lucrativo de 
empresários e administradores de alto nível (Therborn, 1986, p. 32). 

A flexibilidade do emprego é o conceito-chave no quadro geral traçado por Martin 
Carnoy (2000) sobre a transformação do trabalho na nova economia, observada a partir da 
perspectiva do Vale do Silício, na Califórnia. Em seu livro, publicado pouco antes da 
explosão da "bolha das ponto com", em 2000-2001, vê-se claramente a influência das teses 
de Manuel Castells (1996) sobre a nova "sociedade em rede". Para Carnoy, não é verdade 
que a nova tecnologia está reduzindo a oferta de empregos, mas ele observa que o sistema 
de trabalho está sendo profundamente alterado. As antigas instituições que davam apoio aos 
trabalhadores têm de se adaptar também às novas realidades. Há um "bom caminho" para a 
flexibilidade no local de trabalho, mas também um "mau caminho": 

O bom caminho é o de melhorar a produtividade pelo desenvolvimento de locais de 
trabalho de alto desempenho, baseados no treinamento do trabalhador, em sua 
participação, nos incentivos salariais e na segurança do trabalho. Tanto os trabalhos 
de colarinho azul como os de colarinho-branco são reconhecidos ao lado de novas 
formas de um modelo de trabalho de colarinho-branco, no qual os trabalhadores são 
remunerados pelo cumprimento de metas individuais e coletivas de desempenho. 
Nesse novo modelo, flexibilidade e fluidez não são percebidas pelo trabalhador 
como ameaça. O mau caminho é a redução dos custos do trabalho pela contratação 
de trabalhos terceirizados, contratos de trabalho de tempo parcial e prazos fixos, e 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 104 

pressões governamentais para reduzir o salário mínimo real e o poder dos 
sindicatos, (p. 69) 

O antigo sistema de empregos estáveis era mantido pela concentração de 
trabalhadores nas áreas industriais, pela força dos sindicatos e pela vontade dos governos de 
arrecadar impostos para sustentar amplos sistemas de bem-estar social; e tornou-se possível 
pela alta lucratividade dos serviços e indústrias tradicionais. No novo sistema flexível, os 
locais de trabalho são dispersos, os sindicatos fracos e o conformismo e a segurança 
cederam lugar, na percepção pública, a níveis mais altos de ambição e risco, que são 
associados a mudanças políticas importantes: "A eleição de Ronald Reagan e a 
implementação de políticas anti-sindicais fortes, incluindo a substituição dos controladores 
de tráfego aéreo grevistas em 1981, estabeleceu um tom para a negociação que colocou os 
empregadores no comando da situação. Outra expressão da mudança no clima político, o 
fracasso do legislativo em aprovar qualquer aumento no salário mínimo nominal de 1981 a 
1988, reduziu o salário mínimo em 30%, aos níveis de 1950" (p. 90). 

O boom económico que acompanhou tais mudanças no clima político, trazendo o 
desemprego a níveis muito baixos, tornou impossível voltar aos velhos tempos de 
sindicatos fortes e Estados benevolentes, mesmo que, como uma consequência da nova 
flexibilidade, a desigualdade de renda tenha aumentado e o número de pessoas sem 
proteção social, incluindo serviços de saúde e benefícios de aposentadoria, tenha atingido 
altas sem precedentes. De acordo com o Centro de Estatísticas de Saúde dos Estados 
Unidos, em 2000, 40 milhões de americanos abaixo de 65 anos não tinham nenhum tipo de 
cobertura de seguro; de 18 a 24 anos, a porcentagem era de 30%; entre os negros, 20%; 
entre os hispânicos e latinos, 35%. No longo prazo, Carnoy acreditava que o conhecimento 
e a competência individuais substituiriam os sindicatos e o Estado como fonte de segurança 
e estabilidade. A criação de uma economia do conhecimento intensivo conduziria a 
mudanças nas famílias, pela qual homens, mulheres e crianças estariam permanentemente 
estudando e organizando suas vidas em termos de suas oportunidades de aprendizado e de 
trabalho. A vida em comunidade também mudaria. Haveria uma tendência de se migrar das 
antigas comunidades da vizinhança, baseadas na residência de muitos anos e no 
conhecimento pessoal, para novas comunidades, baseadas no conhecimento compartilhado, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 105 

nas filiações profissionais e em outros tipos de afinidades, relacionadas com valores e 
interesses específicos ou dimensões éticas e religiosas. 

A globalização e a destruição dos empregos 

Martin Carnoy tinha consciência dos riscos do mau caminho da flexibilidade mas, 
talvez por causa do momento e do local onde escreveu seu livro, em pleno Vale do Silício, 
nos Estados Unidos, parecia estar convencido de que, no longo prazo, o bom caminho 
prevaleceria. Escrevendo alguns anos depois, Jeremy Rifkin (1995) já tinha uma visão mais 
pessimista. Para ele, não há dúvida de que o avanço da tecnologia destrói os empregos e 
que as novas tecnologias de informação substituem as mentes humanas por máquinas. Ele 
não acredita que tecnologias avançadas tenham um efeito de gotejamento, criando novas 
oportunidades de emprego à medida que as antigas são destruídas. Agricultores estão 
desaparecendo por toda parte, o trabalhador de colarinho azul é uma espécie ameaçada de 
extinção, e nos serviços o trabalho está sendo substituído pela automação. Desde o início da 
produção industrial em massa, tem havido um esforço deliberado, nos Estados Unidos e em 
outras economias avançadas, para estimular as pessoas a consumir, a convencer a opinião 
pública a gastar em vez de poupar, por meio da criação de novos produtos e necessidades 
artificiais - coca-cola, desodorantes, cereais matinais. O consumo, entretanto, não pode se 
expandir se não houver criação de empregos. Se o emprego não afundou ainda mais foi 
graças à contínua expansão dos setores militar e público. Entretanto, há um limite na 
capacidade de expansão do setor público. Na maioria dos países, há uma tendência a parar 
ou mesmo encolher o setor público, como forma de tornar a economia mais competitiva e 
lucrativa. A consequência, afirma Rifkin, é o aumento do número de pessoas 
permanentemente desempregadas. Isso está afetando em particular a população negra nos 
Estados Unidos que, por razões históricas, não tem as mesmas oportunidades dos brancos 
para ingressar no mercado de trabalho ou obter cargos públicos. 

Para compensar o declínio dos empregos nos setores público e privado, Rifkin propõe 
uma nova utopia baseada em um "terceiro setor" crescente, que dê sentido à vida das 
pessoas, mantido por impostos vindos de empresas privadas altamente lucrativas e 
seletivas: 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 106 

Existe agora a oportunidade de criar milhões de novos empregos no Terceiro Setor - 
a sociedade civil. Liberar o trabalho e o talento de homens e mulheres que não são 
mais necessários no setor governamental e no mercado, para assim criar um capital 
social nas vizinhanças e comunidades, custará dinheiro. Ao se taxar a riqueza 
gerada pela nova economia da Era da Informação, redirecionando os recursos para 
as vizinhanças, para as comunidades de bairro, para a criação de novos empregos e 
para a reconstrução do patrimônio comum, cria-se uma nova agenda e uma poderosa 
visão de como a vida poderia vir a ser no século 21. (p. 294) 

Sua conclusão, portanto, não é muito diferente da de Carnoy. Com ou sem empregos 
suficientes, ambos concluem que não há retorno possível à velha ordem política e 
económica. Novas instituições sociais terão de ser criadas, dando um novo propósito e um 
novo sentido de pertencimento às pessoas. Se essas instituições vierem a existir, elas 
poderão assegurar que o "bom caminho" prevaleça sobre o "mau caminho" da 
flexibilidade, ou poderão compartir com o Estado a criação, em larga-escala, de novos 
empregos sem fins produtivos diretos. 

Determinismos tecnológicos, sociais, políticos e de mercado 

Os temas dos determinismos tecnológicos e de mercado estão subjacentes à maioria 
das controvérsias sobre as mudanças que vêm ocorrendo no mercado de trabalho. Quanto 
das "relações sociais" é determinado pela tecnologia e pela lógica da competição de 
mercado e quanto delas pode ser criado pelo envolvimento ativo e pela organização das 
pessoas, levando a decisões políticas apropriadas? Hobsbawm acreditava que os antigos 
luddistas haviam tido sucesso em pequena escala, conseguindo concessões e preservando 
seus padrões de vida em alguns lugares sem, entretanto, "deter o triunfo do capitalismo 
industrial". Apesar dos esforços de Hobsbawm em resgatar a importância do agenciamento 
humano na organização da sociedade, a principal tradição nas ciências sociais marxistas, às 
quais ele pertence, é o determinismo tecnológico. 

O mais conhecido defensor da perspectiva marxista foi, nos anos de 1970, Harry 
Braverman, ao afirmar que o capitalismo moderno, como seus predecessores nos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 107 

primórdios do século 19, fazia uso da automação para degradar as habilidades não somente 
dos trabalhadores industriais, mas também dos que trabalhavam nos serviços e em 
empregos administrativos, em um processo de desabilitação similar ao que Marx descreveu 
como tendo sido produzido pelas primeiras indústrias, nas profissões e nos ofícios 
tradicionais (Braverman, 1975). A "administração científica" do início do século 20, nos 
Estados Unidos, recomendava substituir todas as habilidades tácitas dos trabalhadores - as 
habilidades e competências adquiridas pela experiência profissional, que não constam de 
livros nem manuais - por tarefas bem definidas, medidas e simplificadas, sob controle dos 
administradores. Isso exigiria não apenas a subordinação de todas as competências e 
habilidades à administração, mas também o fechamento dos sindicatos e o fim de todas as 
formas de negociações coletivas e salariais. É inegável a associação entre a "administração 
científica" e as tecnologias cada vez mais complexas utilizadas na indústria; mas também 
ela foi parte de uma ideologia administrativa peculiar que se desenvolveu nos Estados 
Unidos naquela época (Bendix, 2000, capítulo 5). 

Essa questão é tema de uma análise detalhada feita pelo sociólogo William Form, 
cujo principal objetivo é mostrar como, na prática, o conceito de "habilidade" significa 
coisas muito diferentes. A questão da "desabilitação" não pode ser tratada sem que se 
considerem outras variáveis sociais, políticas e institucionais. Ele conclui seu trabalho 
dizendo: "Porque as habilidades estão inseridas em uma rede de ocupações socialmente 
organizadas, a mudança nas habilidades deveria ser estudada como resultado de um 
processo de negociação entre as ocupações. Mesmo em organizações altamente 
estratificadas, as ocupações lutam por dividir habilidades, autoridade, remuneração, 
controle do trabalho, status e privilégios. É ingénuo supor que todas as ocupações priorizam 
a preservação e o desenvolvimento das habilidades. Sempre ocorrem compromissos entre 
esses diversos objetivos" (Form, 1987, p. 45). 

Esse ponto havia sido assinalado alguns anos antes por David Joravsky, em uma 
resenha de dois livros que tratam da invenção do telégrafo e, mais genericamente, da 
expansão da tecnologia moderna: 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 108 

É um equívoco ver o problema da tecnologia como uma escolha entre determinismo 
e livre-arbítrio, como tão frequentemente é apresentado: tanto o sistema tecnológico 
determina a forma como devemos organizar nossas vidas, quanto decidimos como 
nossas máquinas devem ser usadas. A imagem de um martelo abstrato é geralmente 
usada para defender o livre-arbítrio: ele pode ser usado tanto para objetivos 
construtivos quanto para fins mortíferos; temos a liberdade de escolher, e por isso 
escolhemos a vida. No mundo real, inventores criam centenas de martelos 
diferentes, e a importância desses instrumentos depende das diferenças entre eles e 
de como são usados, e não da similitude que compartem com uma maça ou um taco. 
Acontece o mesmo com os sistemas tecnológicos: eles revelam as sociedades que os 
inventaram e utilizaram, não somente os conhecimentos de seus inventores sobre 
princípios mecânicos, mas também suas noções de status social e justiça 
distributiva, até mesmo suas crenças metafísicas sobre as pessoas que devem se 
expressar, se alteram ou são reprimidas no processo de trabalho. (Joravsky, 1989) 

Na década de 1970, a emergência do Japão como potência industrial mundial, com 
padrões muito altos de garantia de qualidade e produtividade, levou alguns autores a se 
referir a uma "segunda exclusão industrial", caracterizada pelo fim da tradição fordista de 
"administração científica" e sua substituição por um renascimento da importância dada ao 
conhecimento tácito e à competência, típicos das antigas profissões de ofício. Isso colocou 
certos países, como a Alemanha, que mantiveram suas tradições de educação profissional 
intactas, em uma condição muito favorável, e foi bem desfavorável aos Estados Unidos, 
que não fizeram o mesmo (Piore & Sabei, 1984). O fenómeno mais visível dos últimos 
anos, que vai contra as previsões do "fim do trabalho", é a transferência de indústrias e 
serviços de trabalho intensivo de países desenvolvidos para outros menos desenvolvidos, 
ou de regiões mais ricas para as mais pobres, no mesmo país. No México temos as 
"maquiladoras", empresas americanas que despacham produtos semiprontos através da 
fronteira, utilizando o trabalho barato e desprotegido do lado mexicano; no Brasil, há 
muitos casos de indústrias se transferindo dos estados mais ricos do Sudeste para o 
Nordeste mais pobre, à procura de incentivos fiscais, trabalho barato e não-sindicalizado, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 109 

sem se importar com a falta de habilidades do trabalhador; e a China, mais recentemente, 
tornou-se a principal base industrial de produção de todo tipo de bens de consumo para 
grandes corporações multinacionais, de computadores a sapatos (Gene Grossman & 
Elhanan Helpman, 2002; Kathryn Kopinak, 1996; e Judith Tendler, 2002). 

Essas situações são às vezes interpretadas como significando que, em vez do gradual 
desaparecimento das oportunidades de trabalho, o que estamos testemunhando é a 
transferência do emprego das regiões desenvolvidas para algumas em desenvolvimento. É 
possível ainda interpretar essas tendências como exemplos da capacidade das modernas 
tecnologias de se adaptarem a diferentes ambientes sociais e políticos, servindo-se de mais 
trabalho quando conveniente, ou movendo-se para tecnologias complexas que dispensam o 
trabalho, quando lhes convém. Isso confirma a ideia de que não é a tecnologia somente que 
molda a forma pela qual o sistema produtivo se organiza. Cultura, tradições e poder de 
negociação de empresários, sindicatos e instituições políticas também importam. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 110 

8. A sociedade do conhecimento 

A fé moderna na educação e na ciência 

Uma das suposições centrais da modernidade é que as pessoas precisam ser educadas 
para poder participar, contribuir e se beneficiar das vantagens da eficiência, da 
racionalidade e da democracia. Esse é o sentido da "Declaração Mundial sobre Educação 
para Todos", estabelecida em Jomtien, na Tailândia, em 1990. 



Declaração de Jomtien sobre Educação para Todos 

Artigo 1 - Satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem 

1 . Cada pessoa - criança, jovem ou adulto - deve estar em condições de aproveitar 
as oportunidades educativas voltadas para satisfazer suas necessidades básicas de 
aprendizagem. Essas necessidades compreendem tanto os instrumentos essenciais 
para a aprendizagem (como a leitura e a escrita, a expressão oral, o cálculo, a 
solução de problemas) quanto os conteúdos básicos da aprendizagem (como 
conhecimentos, habilidades, valores e atitudes), necessários para que os seres 
humanos possam sobreviver, desenvolver plenamente suas potencialidades, viver 
e trabalhar com dignidade, participar plenamente do desenvolvimento, melhorar a 
qualidade de vida, tomar decisões fundamentadas e continuar aprendendo. A 
amplitude das necessidades básicas de aprendizagem e a maneira de satisfazê-las 
variam segundo cada país e cada cultura e, inevitavelmente, mudam com o 
decorrer do tempo. 

2. A satisfação dessas necessidades confere aos membros de uma sociedade a 
possibilidade e, ao mesmo tempo, a responsabilidade de respeitar e desenvolver 
sua herança cultural, linguística e espiritual, de promover a educação de outros, de 
defender a causa da justiça social, de proteger o meio ambiente e de ser tolerante 
com os sistemas sociais, políticos e religiosos que difiram dos seus, assegurando 
respeito aos valores humanistas e aos direitos humanos comumente aceitos, bem 
como de trabalhar pela paz e pela solidariedade internacionais em um mundo 
interdependente. 

3. Outro objetivo, não menos fundamental, do desenvolvimento da educação, é o 
enriquecimento dos valores culturais e morais comuns. É nesses valores que os 
indivíduos e a sociedade encontram sua identidade e sua dignidade. 

4. A educação básica é mais do que uma finalidade em si mesma. Ela é a base para 
a aprendizagem e o desenvolvimento humano permanentes, sobre a qual os países 
podem construir, sistematicamente, níveis e tipos mais adiantados de educação e 
capacitação. (Unesco, 1990) 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 111 

Domingo Faustino Sarmiento, um intelectual e líder político argentino do século 19, 
educado nas tradições francesas de Condorcet e dos enciclopedistas, expressava os mesmos 
ideais: 

A grande preocupação de Sarmiento, a maior paixão de sua vida, era educar as 
pessoas, todos os habitantes da Argentina, elevar seu nível espiritual e económico e, 
assim, assegurar o desenvolvimento de uma nação livre e soberana. A educação de 
massas era o coração e a alma de seu trabalho e foi o título de seu livro mais lido e 
provavelmente seu favorito, De la educación popular. Sua avaliação da situação nos 
países mais progressistas que visitou, levou-o a escrever que "há no mundo cristão, 
embora em cantos dispersos, um sistema abrangente de educação de massas que tem 
início no berço, toma forma na creche, continua na escola primária e é arrematado 
pela leitura, o que engloba toda a existência humana". Esse programa de renovação 
poderia ser implementado através da educação primária, que Sarmiento também 
chama de "educação geral". De maneira profundamente revolucionária, ele defendia 
uma educação aberta, sem discriminação de raça, género, status social, classe social, 
visões políticas ou crenças religiosas. Ele foi um pioneiro na luta por uma educação 
não-sectária, ou educação livre de qualquer dogma religioso ou segregação. 
Sarmiento dedicou sua vida ao desenvolvimento dessa forma de educação. Ele 
escreveu páginas memoráveis para divulgar mais amplamente essa ideia. Em 1856, 
apresentou ao Conselho Universitário do Chile um relatório sobre a educação geral. 
Um século mais tarde, valeria a pena que todos os que não estão atentos à influência 
da educação pública sobre a indústria e sobre o crescimento geral da prosperidade 
nacional o relessem. Com igual dedicação, ele deu início aos Anales de la educación 
comun [Crónica da Educação Comum] em Buenos Aires, em 1858, um periódico 
para promover uma filosofia educacional baseada substancialmente no movimento 
francês de "ensino de habilidades mistas" [mixed-abiliíy teaching], conseguindo 
resultados mais positivos do que os do movimento original. (Félix H. Bravo, 1984) 

Émile Durkheim, um dos fundadores da moderna sociologia, escrevendo no início do 
século 20, parecia rejeitar essas afirmações gerais sobre a virtude da educação. Ele dizia 
que era impossível estabelecer qual deveria ser a educação ideal, válida para todos os 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 112 

lugares e sociedades. Cada sociedade deveria desenvolver o sistema educacional que fosse 
mais funcional para ela, de acordo com seu nível de desenvolvimento. Entretanto, em 
relação às sociedades modernas, seu raciocínio não era diferente do de Sarmiento. Nessas 
sociedades, a educação desempenhava duas funções cruciais. A primeira era consolidar e 
transmitir os valores sociais que mantinham a sociedade integrada; e a outra, fornecer às 
pessoas o conhecimento e as habilidades que necessitavam para viver seus papéis sociais. 
Nas sociedades modernas, por causa da divisão do trabalho, as habilidades eram altamente 
dispersas e especializadas; mas unidas por uma mesma base - a adoção do método 
científico e de valores científicos comuns, um elemento central na tradição cultural 
ocidental: "Ao longo de nossa história, formou-se todo um conjunto de ideias sobre a 
natureza humana, sobre a importância de nossas diferentes faculdades, sobre o direito e 
sobre o dever, sobre a sociedade, sobre o indivíduo, sobre o progresso, sobre a ciência, 
sobre a arte etc, que estão na própria base de nosso espírito nacional; toda educação, a do 
rico tanto quanto a do pobre, a que conduz às carreiras liberais quanto a que prepara para as 
funções industriais, tem por objetivo fixar essas ideias nas consciências" (Durkheim, 1922, 
p.8). 

No passado, esse tipo de "espírito nacional" foi mantido graças ao ensino de 
princípios e tradições religiosos. Nas sociedades modernas, a ciência deveria tomar a 
precedência: "Chegará o momento em que a vida social, em todas suas formas, terá se 
tornado tão complexa que não poderá funcionar a não ser por meio do pensamento 
reflexivo, quer dizer, pelo pensamento iluminado pela ciência. Então, a cultura científica se 
tornará indispensável, e é por isso que a sociedade a pede a seus membros e a impõe como 
um dever" (p. 11). 

Essa crença na importância da educação de base científica, tanto para a manutenção 
das instituições democráticas como para o desenvolvimento da economia, não mudou muito 
desde a época de Sarmiento e Durkheim. Escrevendo no início da década de 1950, o 
cientista político Seymour Martin Lipset encontrou uma clara correlação entre os níveis 
educacionais da população e a democracia. Quando as pessoas são educadas, afirmou, elas 
compreendem e compartilham os valores da democracia; quando não o são, se tornam 
alienadas e vítimas de ideologias autoritárias (1960). Mais recentemente, economistas 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 113 

começaram a estabelecer associações empíricas entre educação (e, mais genericamente, 
capital humano) e crescimento económico, e desenvolver teorias para explicar as relações 
que descobriram (por exemplo: Gary Stanley Becker, 1964; Jacob Mincer, 1974; e 
Theodore William Schultz, 1970). Eles concluíram que, basicamente, investir em educação 
e competência tecnológica seria uma decisão racional tanto para indivíduos como para 
governos, porque traz retornos privados e sociais significativos. Mais recentemente ainda, 
estudos quantitativos sobre a pobreza na América Latina mostraram que a desigualdade na 
educação é o que mais influencia a desigualdade de renda e a pobreza, e investimentos 
significativos na educação pública são recomendados como elemento central em qualquer 
tipo de iniciativa ou programa de combate à pobreza (ver, para o Brasil, Francisco H. G. 
Ferreira, 2001; F. H. G. Ferreira & Phillippe Leite, 2001; José Guilherme A. dos Reis & 
Ricardo Paes de Barros, 1991). O Banco Mundial, nos últimos anos, tem divulgado estudos 
e pesquisas sobre política educacional e desenvolvimento científico, identificados como 
condição-chave para o desenvolvimento económico, em uma abordagem que teria sido 
fortemente endossada por Sarmiento e Durkheim: 

A capacidade de uma sociedade produzir, selecionar, adaptar, comercializar e usar 
conhecimento é crítica para o desenvolvimento económico sustentável e de 
melhores padrões de vida. O conhecimento tornou-se o fator mais importante no 
desenvolvimento económico. A OECD concluiu em um estudo recente sobre os 
determinantes do crescimento que "as taxas de crescimento de longo prazo nas 
economias da OECD dependem da manutenção e da expansão da base de 
conhecimentos". O Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 1998/99 
concorda, ao afirmar que "as economias mais avançadas tecnologicamente são 
verdadeiramente baseadas no conhecimento [...] criando milhões de empregos 
relacionados com o conhecimento em um leque de disciplinas que emergiram da 
noite para o dia". O crescimento real de valor agregado, nas indústrias baseadas no 
conhecimento, ultrapassou consideravelmente as taxas médias em muitos países 
membros da OCDE nas últimas duas décadas. Os números para o período de 1986- 
1984 foram de 3% para as indústrias do conhecimento versus 2,3% para o setor 
empresarial como um todo. Entre 1985 e 1997, a fração das indústrias baseadas no 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 114 

conhecimento no valor total agregado elevou-se de 51 para 59% na Alemanha, de 
45 para 51% no Reino Unido e de 34 para 42% na Finlândia. (OECD, 2001b; World 
Bank, 2002, p. 7) 

As outras faces da educação: a reprodução social e o credencialismo 

A crença moderna nas virtudes da ciência, da tecnologia e da educação formal tem 
sido desafiada por uma longa tradição de pensadores conservadores e, mais recentemente, 
pelos defensores da pós-modernidade e do multiculturalismo. Para os conservadores, a 
educação não deveria lidar primariamente com a ciência e o desenvolvimento de 
habilidades, mas com o fortalecimento da moral, da religião e dos valores éticos; e deveria 
ser domínio da família ou da Igreja, não do Estado, como proclamavam Sarmiento e 
Durkheim. Ivan Illich, ex-padre, a partir de sua experiência com os pobres no México nos 
anos de 1960, publicou um livro chamado A sociedade des escolarizada. Para ele, as escolas 
não são a solução, mas uma das principais causas dos problemas das sociedades modernas: 

Muitos estudantes, em especial os pobres, sabem intuitivamente o que a escola faz 
por eles. Ela os adestra até que confundam processo e substância. Uma vez que 
esses dois conceitos se tornam indistintos, adotam uma nova lógica: quanto mais 
tratamento houver, tanto melhores serão os resultados; ou, a escalada leva ao 
sucesso. O aluno é "escolarizado" desse modo para confundir ensino com 
aprendizagem, promoção de série com educação, diploma com competência e 
fluência com capacidade de dizer algo novo. Sua imaginação é "escolarizada" para 
que aceite serviço em vez de valor. Confunde-se tratamento médico com cuidados 
de saúde, trabalho social com melhoria da vida comunitária, proteção policial com 
tranquilidade, equilíbrio militar com segurança nacional, a mesquinha luta pela 
sobrevivência cotidiana com trabalho produtivo. A saúde, o saber, a dignidade, a 
independência e a produção criativa são definidos como pouco mais do que o 
desempenho das instituições que afirmam servir a esses fins, e sua melhoria se faz 
dependente da concessão de maiores recursos à administração de hospitais, escolas 
e demais organismos correspondentes. (Illich, 1971) 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 115 

Em lugar dessas instituições e burocracias, Illich sonhava com um retorno à 
comunidade, à família, ao grupo de pares e a um contato direto do estudante com as coisas 
da natureza, em um ambiente de aprendizagem livre e espontâneo, fazendo o melhor uso 
possível das tecnologias da época, como televisão e videoteipe. Suas críticas tocam em 
feridas importantes e suas propostas de substituir as escolas tradicionais por um tipo 
radicalmente diferente de arranjo social são muito sugestivas. Illich não era uma voz 
isolada. Na época, Paulo Freire (1987) pregava no Brasil a educação popular como parte de 
um processo mais amplo de mobilização contra o establishment político e económico. 
Foram também os anos de Michel Foucault (1987; 2000a; 2000b), com sua crítica 
devastadora das instituições voltadas para a cura das pessoas precedido pelo livro de 
Herbert Marcuse (1955), Eros e a civilização, proclamando a necessidade de libertar a 
sociedade da repressão da sensualidade e dos instintos, criada pela civilização ocidental. 

Nos anos seguintes, essas ideias não se tornaram dominantes, mas permaneceram 
como parte do pensamento crítico que sempre acompanhou a modernização. Uma das 
razões por que elas não prosperaram na área da educação é que não há como se fornecer 
educação em larga escala - ou, para citar outro exemplo, cuidados de saúde em larga escala 
- sem o apoio de instituições bem-estabelecidas e comunidades profissionais. Entre os ricos 
e já bem-educados, é concebível que algumas famílias e comunidades decidam rejeitar as 
instituições educacionais estabelecidas para suas crianças, e procurar um arranjo mais 
apropriado. Para os pobres, a alternativa às escolas bem organizadas e com equipes 
adequadamente preparadas é a ignorância, o analfabetismo e a alienação social. 

Os sociólogos tendem a levantar duas questões centrais a respeito da expansão da 
educação institucionalizada. A primeira é que a educação não visa apenas prover as pessoas 
de habilidades e competências, desenvolvendo o capital humano, mas também diz respeito 
à seleção e ao filtro de pessoas para posições de poder, prestígio, renda e influência. Se o 
número de lugares disponíveis é limitado, e a educação é o critério pelo qual as pessoas são 
selecionadas para ocupá-los, o nível de conhecimentos requeridos para a seleção se elevará 
pela competição, independente das habilidades técnicas e profissionais requeridas para as 
atividades. Nessa situação, a educação se torna um "bem de posição", cujo valor depende 
da posição relativa de uma pessoa comparada com a de outras, e não da qualidade absoluta 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 116 

de suas qualificações. 32 A consequência é uma tendência a níveis cada vez mais elevados 
de qualificação formal, sem nenhum benefício coletivo significativo. A segunda questão 
relacionada a essa é o "credencialismo", pelo qual o acesso a posições profissionais 
valorizadas depende da posse de qualificações formais e diplomas, e não de competências e 
habilidades específicas. Em tal situação, há uma tendência a se substituir o conteúdo pela 
forma e a realização pelo desempenho de rituais burocráticos. (Randall Collins, 1979; 
2000) Nesse jogo, os estudantes que pertencem a famílias bem-educadas, socialmente 
prestigiadas e ricas - detentoras do que Pierre Bourdieu chamou "capital cultural" 
(Bourdieu & Passeron, 1982; 1990) - têm vantagens importantes sobre os menos dotados, 
estabelecendo um círculo de autoperpetuação da estratificação e da discriminação social. 

Duas condições poderiam limitar ou anular essas tendências negativas da educação 
institucionalizada. A primeira delas: a expansão da educação, por aumentar a competência 
das pessoas, levaria à criação de novos empregos e oportunidades de trabalho; em sentido 
inverso, a expansão da educação - a oferta de trabalho competente -seria regulada pela 
expansão das oportunidades de trabalho. Em ambos os casos, a demanda e a oferta de 
habilidades e competências estariam em equilíbrio. Esse equilíbrio, entretanto, é raramente 
alcançado. Os deterministas tecnológicos tendem a supor que a economia condiciona a 
educação, mas a evidência histórica mostra que não é necessariamente assim. Desse modo, 
os estados da Prússia e da Alemanha foram os primeiros a desenvolver uma educação 
pública geral, muito antes da unificação política e da expansão económica da Alemanha ao 
tempo de Bismarck. O Japão e a Coreia são também exemplos de países que ampliaram 
fortemente seus sistemas educativos, antes que suas economias fossem capazes de usar 
essas competências. Nas sociedades socialistas da Europa e de Cuba, a educação expandiu- 
se e as pessoas eram designadas para empregos de acordo com regras administrativas. 
Quando a economia se abriu, entretanto, o desemprego se elevou e a inadequação das 
instituições educacionais tradicionais se tornou evidente (Sue E. Berryman & World Bank, 
2000). Na América Latina, atualmente, a educação está crescendo em todos os níveis, 



32 Isso é discutido, por exemplo, em Ruth Jonathan, 1997. Ver também Raymond Boudon, 1982. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 117 

limitada apenas pela capacidade dos governos e do setor privado de pagar por ela, mas há 
muitos indícios de que essa expansão não vem acompanhada por um aumento 
correspondente nas habilidades da população, e não está conduzindo à modernização da 
economia e à criação de novos empregos, exceto no próprio sistema educacional. 33 

A segunda condição que poderia limitar o credencialismo seria a predominância do 
mercado sobre critérios institucionais ou burocráticos no âmbito de profissões e de 
empregos. Em princípio, as empresas privadas podem procurar as melhores pessoas 
possíveis para seus empregos, independente das credenciais formais que elas possuam ou 
deixem de possuir. Outra forma de dizer isso é considerar que, se uma empresa quer pagar 
um preço para empregar uma pessoa com uma credencial de educação específica é porque 
ela acredita que essa pessoa trará benefícios proporcionais aos custos. Em ambos os casos, 
as credenciais em si se tornariam irrelevantes. 

Um mercado aberto de habilidades e competências é melhor do que uma sociedade 
sufocada por monopólios e credencialismo. Na prática, a maioria dos países desenvolve 
uma combinação desses dois elementos, com a virtude de preservar as instituições 
académicas e profissionais do mercantilismo predatório e ao mesmo tempo colocar limites 
a seu poder monopolista. Esse já é um outro tema, mas está associado com a questão da 
"mercantilização" ou "privatização" da educação, que tem estado em evidência nos últimos 
anos, particularmente na Europa e na América Latina. Muitos governos, em países ricos e 
pobres, tentaram transferir parte dos custos da educação para os estudantes e suas famílias - 
cobrando a matrícula nas instituições públicas, ou autorizando o estabelecimento de 
instituições educacionais privadas, lucrativas ou não. Um dos argumentos contra essa 
tendência é que ela coloca muita ênfase nas habilidades valorizadas pelo mercado, e não 
nos componentes culturais e científicos de uma boa educação. Mais importante, talvez, seja 
o fato de o desenvolvimento da educação nas sociedades ocidentais ter sido sempre 
associado à criação e ao fortalecimento de comunidades profissionais que controlavam os 



33 Ver, sobre a qualidade da educação em alguns países da América Latina, em comparação com os da OECD, 
(OECD, 2001a; 2003a). 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 118 

procedimentos de admissão, avaliação e credenciamento de estudantes e regulamentavam o 
mercado de trabalho para profissionais academicamente treinados. Nos melhores casos, a 
auto-regulamentação das profissões funciona tanto para preservar o status e o prestígio 
social dos credenciados quanto para criar comunidades fortes e competentes no direito, na 
medicina, na administração pública, na educação e na pesquisa científica, para benefício de 
todos. Entretanto, a auto-regulamentação pode conduzir também à proteção de privilégios 
injustificáveis e a monopólios profissionais, que são ameaçados pela entrada de agentes 
privados e independentes. 

Ao observarmos a situação da educação na maioria dos países latino-americanos nos 
últimos anos, vemos uma tendência contínua de expansão dos sistemas educacionais e 
ampliação da duração dos estudos, com a universalização do acesso à educação básica e a 
expansão da educação pré-escolar, média e superior. Mas não há indícios claros de que essa 
tendência esteja associada à criação de um grande número de empregos de alta qualidade e 
conhecimento intensivo. O que se vê é a expansão de um amplo setor indiferenciado de 
serviços, que cresce paralelamente à expansão das carreiras "empresariais" na educação 
superior - administração, negócios, contabilidade, direito. 34 

Podemos resumir essa discussão dizendo que, em primeiro lugar e em toda parte, a 
educação, tanto quanto a saúde pública e a liberdade de expressão, é uma importante 
conquista da modernidade, que precisa se expandir e se consolidar. Em segundo lugar, há 
um amplo espaço para a experimentação com a educação privada, a comunitária e outras 
formas de educação alternativa, mas nenhuma sociedade moderna pode prescindir de um 
sistema de educação pública bem-estabelecido. Em terceiro lugar, as relações entre a 
educação e a economia não são óbvias nem automáticas, e nem os benefícios privados ou o 
patrocínio e o apoio do Estado se traduzem sempre em bens públicos. Isso significa que a 
educação não deveria continuar se expandindo a todo custo sem uma supervisão adequada, 



34 Para a expansão da educação superior e sua relação com o mercado de trabalho na América Latina, ver 
Schwartzman, 2002a. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 119 

e que a sociedade só deveria absorver os custos dessa expansão quando os benefícios 
sociais esperados fossem bem claros (Alison Wolf, 2002). 

Ciência e tecnologia: uma visão crítica 

Outra suposição do credo moderno é que a educação deveria se basear na ciência e 
que a ciência deveria se desenvolver por si mesma, seguindo os caminhos da curiosidade 
humana e seu impulso intelectual na busca da verdade. 

Há uma ampla literatura mostrando as limitações dessa abordagem. Não há "ciência" 
ou "método científico" uniformes que possam ser explicitados e aplicados igualmente ao 
ensino da linguagem, da história, da física, do direito e da biologia, exceto em um sentido 
trivial. O que os estudantes aprendem nas melhores escolas, na Europa e nos Estados 
Unidos, é em geral o que se tornou conhecido como o cânone ocidental ou, para seus 
críticos, as visões de mundo e preconceitos dos "Velhos Brancos Defuntos". A introdução 
das perspectivas de novas gerações, de negros, mulheres e outras culturas, rompeu para 
sempre a crença em um cânone uniforme, que de qualquer maneira nunca se baseou em um 
conceito unificado de "razão" e método científico. 35 

A noção de que cada pessoa deveria receber ao menos algum rudimento de educação 
científica foi fortalecida pelo fato de que, até recentemente, as tecnologias utilizadas na 
produção de bens de consumo, nas economias avançadas, não ficavam muito longe do que 
uma pessoa bem-educada poderia entender, e havia amplo espaço para cientistas e 
tecnólogos amadores. Atualmente, as tecnologias permeiam a maioria dos processos de 
produção industrial e de bens de consumo, mas estão cada vez mais longe do sentido 
comum e do entendimento da grande maioria das pessoas. No passado, não era muito difícil 
que uma pessoa habilidosa abrisse um manual e pudesse entendê-lo, para desmontar e 
consertar um motor de automóvel. Não é possível fazer o mesmo hoje, com sistemas 
comandados por servomecanismos, circuitos eletrônicos e microchips: há pouca ou 



35 Ver Peter Scott, 2000; para uma discussão anterior, ver Clifford Geertz, 1983. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 120 

nenhuma ligação entre ser capaz de usar um dispositivo eletrônico moderno e entender de 
física moderna e eletrônica. 

A organização do trabalho científico e técnico também se afastou das formas 
tradicionais de organização da produção de conhecimento e da pesquisa. Para salientar esse 
ponto, os autores de The New Production of Knowledge, se referem a dois "modos" de 
produção científica. No "modo 1", a ciência é organizada em disciplinas académicas: 
tecnologia e ciência estão separadas e a avaliação e o financiamento da ciência são feitos 
internamente, por mecanismos de revisão de pares e do uso de recursos públicos. No "modo 
2", a produção de conhecimento se caracteriza por transdisciplinaridade, heterogeneidade, 
escolhas pragmáticas e limites indistintos entre o trabalho básico, aplicado, académico ou 
comercial (Michael Gibbons et ai., 1994). 

No mundo real, o "modo 2" não é de fato novo: ciência e tecnologia sempre 
interagiram. Os motivos e incentivos para o trabalho científico raramente foram tão puros e 
altruístas quanto os descritos por Robert K. Merton muito tempo atrás. Mas o "modo 1" foi, 
e ainda é, uma imagem poderosa de como o trabalho científico deveria ser organizado e 
realizado, particularmente nas universidades e nas instituições de pesquisa sustentadas por 
verbas públicas e tendo ligações fracas com as indústrias, instituições militares ou outros 
tipos de pesquisa aplicada. É possível dizer, como Bruno Latour, que o "modo 1" 
corresponde muito bem ao que ele denomina "constituição da modernidade", que postula a 
absoluta separação entre ciência e pesquisa e suas consequências práticas - portanto, 
liberdade e irresponsabilidade totais das ciências pelos resultados de seu trabalho (Latour, 
1993). O "modo 2" significa um meio de produção de conhecimento muito mais eficiente, 
mas pode ser igualmente irresponsável e sujeito à má-fé e aos conflitos de interesse, em 
função de sua orientação de mercado de curto prazo. (Sheldon Krimsky, 2003). Ao mesmo 
tempo, pode ser mais aberto a avaliações e escrutínio externos, e assim tornar-se mais 
reflexivo e autoconsciente. 

As economias avançadas estão enfrentando o problema de como tornar a pesquisa 
científica e tecnológica mais relevante para a sociedade, sem perder de vista sua energia e 
sua dinâmica; e como vinculá-la melhor às universidades, onde predominam os modos de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 121 

produção científica tradicionais. Países em desenvolvimento, e mesmo os desenvolvidos 
mas que dispõem de menos recursos, devem decidir como participar de um mundo onde a 
produção do conhecimento e suas aplicações são tão concentradas, caras e difíceis. A 
maioria deles ainda acredita que, ao criar pequenas instituições de pesquisa e programas de 
graduação no modo tradicional, estarão seguindo a direção certa e serão capazes, 
eventualmente, de alcançar os países líderes na pesquisa. Entretanto, o fato é que as 
distâncias estão aumentando e esses países estão sendo deixados para trás, com 
comunidades científicas tradicionais obsoletas e por vezes caras, tentando justificar sua 
existência em termos dos antigos ideais educacionais e científicos do modernismo. 

Não há solução fácil para essa situação. Não faz sentido rejeitar a ciência e a 
tecnologia modernas da mesma forma que Illich rejeitava as escolas; e é impossível 
submeter a pesquisa a metas e planos detalhados, pois ela lida com a inovação e a 
descoberta. Entretanto, é necessário concentrar recursos em algumas poucas áreas temáticas 
e instituições, em vez de pulverizá-los para todos os lados. A prioridade deveria ser dada a 
setores e grupos de pesquisa capazes de participar dos fluxos internacionais de 
conhecimento científico e tecnológico, ou onde o país tivesse competências e necessidades 
especiais, tanto no setor público como no privado; 36 recursos públicos deveriam ser 
combinados com investimentos privados; e as instituições de pesquisa deveriam ser 
flexíveis, procurar recursos tanto no país quanto no exterior, e permanecer bem abertas a 
novas ideias e oportunidades. 



36 Ver, para o Brasil, Schwartzman, 2002b. Para uma visão mais geral, ver Schwartzman et ai., 1995. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 122 

Parte 3 - Ação 

9. CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS 

Como lidar com os problemas de pobreza e miséria, associados às formas 
contemporâneas de capitalismo e globalização? Em termos muito gerais, as respostas não 
parecem ser diferentes do que tem sido falado pelos autores clássicos ao longo do tempo. 
Devemos nos guiar pelo conselho de Adam Smith, criando condições que possibilitem o 
florescimento da iniciativa e da criatividade humanas em mercados económicos abertos; e 
seguir as advertências de Karl Polanyi, construindo instituições que possibilitem a 
existência de atividades de mercado e ao mesmo tempo protejam as pessoas contra a 
propensão da modernização para a autodestruição. Sociedades que falham em fazer ambas 
as coisas, não permitindo o florescimento da economia e não protegendo sua gente das 
invasões da economia global e das instituições militares e culturais que lhe são associadas, 
como a maioria dos países do sul da Africa, enfrentam os problemas de extrema pobreza e 
miséria. Sociedades que fazem a primeira coisa, mas não a segunda, abrindo-se ao 
capitalismo, mas não desenvolvendo suas instituições - podemos situar o Brasil e o México 
nesse grupo - enfrentam problemas severos de injustiça e desorganização social. 
Sociedades que fazem a segunda coisa, mas não a primeira, e protegem suas culturas 
tradicionais em detrimento do desenvolvimento económico, podem, na melhor hipótese, 
conseguir uma estabilidade por certo tempo, em condições de pobreza e isolamento. Hoje 
há poucos exemplos, ou nenhum, desta última situação, mas podemos pensar em países ou 
regiões que se mantiveram isolados da economia mundial até há bem pouco tempo, como o 
Nepal ou a Etiópia. Por fim, sociedades capazes de fazer as duas coisas são as que 
apresentam os maiores níveis de desenvolvimento económico e bem-estar social. 

Entretanto, uma dificuldade importante dessa proposição é que instituições existem 
em sua maioria dentro das nações, mas os mercados são cada vez mais internacionais. A 
história está cheia de exemplos de instituições nacionais sendo sufocadas pelo ímpeto 
expansionista dos mercados, mas tem poucos exemplos de instituições internacionais 
suficientemente efetivas para canalizar essa energia, protegendo a sociedade de seus efeitos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 123 

negativos. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a criação das Nações Unidas, foi feito 
um esforço importante pelos aliados de criar instituições de âmbito internacional e definir o 
conjunto de direitos básicos que elas protegeriam e reforçariam. Algumas delas, como o 
Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, deveriam garantir um ambiente estável 
e previsível para as transações económicas internacionais. Outras, como a Unesco, a 
Organização Mundial de Saúde e a Organização Internacional do Trabalho, receberam 
mandatos específicos para tratar do desenvolvimento dos direitos humanos à educação, à 
saúde e a condições de trabalho adequadas e humanas. 

Existem duas formas de pensar sobre a proteção social e os direitos humanos, uma 
procurando se apoiar na sabedoria e na experiência de instituições tradicionais, a outra 
tentando utilizar interpretações racionais sobre a natureza humana como fundamento do 
que deveriam ser os direitos humanos básicos. Tipicamente, os que aderem à primeira visão 
tendem a olhar para as sociedades como um todo, em lugar de indivíduos isolados, e evitam 
julgar instituições e tradições específicas a partir de normas abstratas, derivadas de sua 
própria cultura. Antropólogos comprometidos com a interpretação e a coerência interna das 
culturas costumam adotar essa visão, conscientes dos efeitos devastadores da introdução de 
valores e comportamentos exógenos nas sociedades tradicionais. No outro extremo, a visão 
universalista, tipicamente moderna, considera que algumas formas de conhecimento, 
comportamento e expressão são melhores do que outras, e que é possível definir, em 
abstrato, como a sociedade deveria ser organizada para maximizar os direitos e potenciais 
humanos. Nessa perspectiva, os seres humanos teriam uma natureza universal e direitos 
também universais, independentemente de culturas e épocas históricas. No campo 
específico dos direitos humanos, é possível acompanhar a abordagem racional através de 
uma linhagem notável de filósofos racionalistas, desde Emmanuel Kant a Amartya Sen e 
John Rawls, cada qual tratando de definir a seu modo, o que é o comportamento moral, o 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 124 

que é a justiça e qual a melhor forma de organizar a sociedade para que a ética e a justiça 
prevaleçam. 37 

Clifford Geertz, um dos antropólogos mais importantes do século 20, coloca o dilema 
muito claramente. O problema da versão universalista, diz ele (1973, p. 35), 

[...] é que a imagem de uma natureza humana constante, independente de tempo, 
lugar ou circunstância, de estudos e profissões, de modas transitórias ou opiniões 
temporárias, pode ser uma ilusão, já que o homem é tão condicionado por onde ele 
está, quem ele é e em que acredita, que o ser é inseparável dessas condições. É a 
consideração de tal possibilidade que levou ao surgimento do conceito de cultura e 
ao declínio da visão uniformicista do homem. Os antropólogos modernos dizem 
muitas outras coisas - parece que já falaram quase tudo ao longo do tempo - mas 
não se afastam nunca da convicção de que o homem inalterado pelos costumes de 
lugares particulares de fato não existe, nunca existiu e, mais importante, em sua 
natureza profunda, não poderia nunca existir. 

Por outro lado - e nesse ponto Geertz faz referência a suas pesquisas clássicas sobre a 
cultura dos povos de Bali, na Indonésia, e suas experiências de transe religioso - "o que se 
pode aprender sobre a natureza humana a partir desse tipo de coisa e de milhares de outras 
coisas igualmente peculiares que os antropólogos descobrem, investigam e descrevem? [...] 
Que a natureza humana não existe e que os homens são pura e simplesmente o que sua 
cultura faz deles?". Geertz argumenta que os antropólogos têm procurado um caminho 
intermediário, buscando "um conceito mais viável de homem, em que a cultura e sua 
variabilidade seriam levadas em consideração, e não descartadas como capricho ou 
preconceito, e ainda assim, ao mesmo tempo, um conceito onde o princípio dominante na 
disciplina, 'a unidade básica do ser humano' não se tornasse uma frase vazia" (p. 36). 



37 Para uma discussão mais ampla, ver os artigos de John Rawls, Jurgen Habermas, Richard Rorty, Robert 
Dahl e outros em Obrad Savic & The Belgrade Circle, 1999. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 125 

Olhando de uma perspectiva inteiramente diferente, Ludwig Wittgenstein (1929) 
também questiona a possibilidade de encontrar uma ética dos valores abstratos, separados 
da prática humana da sociabilidade e das interações concretas da linguagem, que 
constituem, para ele, a jaula que define a condição humana: "Essa corrida contra os muros 
de nossa jaula é perfeitamente, absolutamente sem esperança. A Ética, na medida em que 
surge como resposta ao desejo de dizer alguma coisa sobre o sentido supremo da vida, 
sobre o bem absoluto, o valor absoluto, não pode ser uma ciência. O que ela diz não 
acrescenta nada a nosso conhecimento, em nenhum sentido. Mas é a prova de uma 
tendência da mente humana que eu pessoalmente não posso deixar de respeitar 
profundamente e que por toda a minha vida nunca vou ridicularizar". 

Por mais difícil que seja, minha própria preferência é pela tradição, defendida por 
Geertz e que provavelmente Polanyi aprovaria, que tenta entender as questões morais em 
termos de sua imbricação nos contextos histórico e social, sem diminuir sua importância 
como valores de direito próprio. Na vida pública, entretanto, o que temos visto é a 
confrontação entre os extremos, descrita por alguns autores como uma luta irreconciliável 
entre duas civilizações, uma racional, ocidental e humanista, a outra irracional, não- 
ocidental e autoritária (Samuel Huntington, 1997). 

Cidadania 

Referência obrigatória na questão dos direitos é o texto do sociólogo inglês T. H. 
Marshall sobre classe social e cidadania, escrito na década de 1940, uma tentativa de 
desenvolver um conceito de direitos que não perdesse de vista suas raízes na história das 
sociedades europeias modernas mas, ao mesmo tempo, apontasse para a definição de 
princípios e metas que pudessem ser considerados universais (Marshall, 1950). A noção de 
direitos, para ele, estava intimamente associada à noção de cidadania - um direito não é 
algo que se tenha em abstrato, mas define uma relação entre os membros de um estado- 
nação - os cidadãos - e esse estado nacional. 

Para Marshall, há três tipos de direitos que se desenvolveram com a criação dos 
estados modernos, democráticos, orientados para o bem-estar social. O primeiro tipo são os 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 126 

direitos civis, definidos como "direitos necessários para a liberdade individual - liberdade 
da pessoa, liberdade de expressão, pensamento e credo, direito de possuir propriedades e de 
estabelecer contratos válidos e direito à justiça". 38 Esses são direitos legais, que podem ser 
implementados por uma legislação apropriada e um conjunto mínimo de instituições - 
tribunais e instituições encarregadas de fazer cumprir as leis. Em segundo lugar, há os 
direitos políticos - "o direito de participar do exercício do poder político". Isso inclui os 
direitos de votar e de ser eleito. Sua universalização nas sociedades modernas é muito mais 
recente. Na maioria dos países, os direitos de voto costumavam ser limitados por regras 
restritivas de género, propriedade, nível educacional, idade, raça e lugar de nascimento. Sua 
extensão às mulheres, aos analfabetos, aos não-brancos e estrangeiros -processo conhecido 
como "emancipação" - é uma conquista recente. Os direitos políticos requerem um 
conjunto diferente de instituições: partidos políticos, parlamentos e regras do jogo que 
garantam a igualdade dos direitos de voto. O modelo dos Estados Unidos, onde um 
candidato presidencial pode ter a maioria do voto popular, mas perder no colégio eleitoral; 
do Brasil, onde um congressista ou um senador de um pequeno estado pode ser eleito com 
uma fração dos votos necessários para eleger outro congressista no estado de São Paulo, 
por exemplo; e da Inglaterra, onde o sistema de voto majoritário foi criado para assegurar o 
domínio de pequenas cidades sobre a população concentrada em grandes centros urbanos, 
são exemplos das limitações que existem nos direitos políticos nas democracias 
modernas. 39 

O terceiro tipo são os direitos sociais, definidos por Marshall como "o direito de 
participar plenamente da herança social e de viver a vida de um ser civilizado, de acordo 
com os padrões predominantes da sociedade". Isso significa, no contexto europeu, o direito 
à educação, à proteção social e a uma renda mínima "decente". As instituições necessárias 
para implementar esses direitos são os sistemas de educação pública e de serviço social. 



38 Nessa breve apresentação dos conceitos de T. H. Marshall, utilizei a discussão sobre a implementação dos 
direitos sociais nos países escandinavos desenvolvida por Jytte Klausen, 1995. 

39 Ver, sobre os diferentes sistemas eleitorais, José António Giusti Tavares, 1994. Sobre o sistema eleitoral 
brasileiro, ver Bolívar Lamounier, 1987. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 127 

Direitos civis e políticos são "passivos", no sentido de que dependem preponderantemente 
de regras legais do jogo de convivência democrática e não requerem muitos recursos para 
serem implementados. Direitos sociais, entretanto, são "ativos": requerem grandes 
instituições dotadas de recursos significativos e a distribuição ativa de benefícios à 
população - educação, aposentadoria, serviços de saúde, salários mínimos. Para pagar tudo 
isso, os governos têm de arrecadar impostos ou induzir as empresas privadas a fornecer 
benefícios específicos a seus empregados, ou ambas as coisas. 

Direitos humanos 

Para Marshall, os direitos individuais são inseparáveis da cidadania, o que supõe que 
as pessoas pertencem a uma comunidade - geralmente uma nação - em relação à qual têm 
direitos e responsabilidades. A ideia de que os direitos humanos deveriam transcender as 
fronteiras dos estados, e se impor a eles se necessário, já estava presente nos movimentos 
políticos internacionais do século 19, a começar pela Internacional Comunista de Marx, e 
continuando com a Internacional Socialista depois da Primeira Guerra Mundial. Na 
verdade, sua origem é muito mais antiga, estando presente, por exemplo, nas doutrinas da 
igreja católica, que sempre se viu como um poder moral superior às contingências dos 
poderes temporais dos estados e nações. Nas décadas de 1920 e 1930, o surgimento do 
fascismo e do stalinismo trouxe para a questão dos direitos humanos um novo sentido de 
urgência. O sociólogo russo Georges Gurvitch, vivendo na França, publicou uma história 
da noção dos direitos sociais e, em seguida, nos anos 1940, elaborou uma proposta para 
uma Declaração dos Direitos Humanos (Gurvitch, 1932; 1944). Enquanto isso, Hannah 
Arendt trabalhava em seu livro clássico sobre as origens do totalitarismo, até hoje uma 
referência central sobre o tema (Arendt, 1951; Samantha Power, 2004). 

A primeira materialização dessa tendência foi a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 1948, junto com a Convenção do Genocídio, 
depois de extensas negociações conduzidas, em grande parte, por Eleanor Roosevelt, 
cobrindo uma série de direitos civis, políticos e sociais. Seguiram-se a essa declaração, 
várias convenções regionais e tratados sobre direitos humanos e, hoje, cada órgão do 
sistema das Nações Unidas tem sua própria agenda ou declaração sobre direitos específicos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 128 

- por exemplo, a declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre os direitos do 
trabalho, de 1998, e a Declaração de Jomtien, sobre educação para todos, de 1990. Incluem- 
se aí o Convénio Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais; a Convenção 
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial; a Convenção sobre a 
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres; a Convenção contra 
a Tortura; a Convenção dos Direitos da Criança; A Convenção Internacional sobre a 
Proteção dos Direitos de todo Trabalhador Imigrante e dos Membros de sua Família. 

Em que medida a abordagem a partir dos direitos humanos é importante e efetiva para 
tratar dos problemas contemporâneos de pobreza e miséria que acompanham a economia de 
mercado e a globalização? É muito importante de um ponto de vista moral, ao definir o que 
é aceitável ou não e estabelecer padrões que os governos, as empresas privadas e outras 
instituições devem adotar. Seu reconhecimento fortalece os miseráveis e os discriminados 
socialmente para que se mobilizem na luta por seus direitos. Para serem efetivos, 
entretanto, esses padrões precisam ser garantidos pela opinião pública nacional e 
internacional, pelas organizações internacionais, por movimentos sociais e instituições 
legais, mas, acima de tudo, pelos estados nacionais, que estabelecem prioridades em termos 
de sua própria definição dos "interesses nacionais" ou, nas democracias modernas, pelas 
demandas de seus eleitores. Em nome dos interesses nacionais, as democracias ocidentais 
têm apoiado todos os tipos de regimes políticos autoritários ou se voltado contra eles em 
nome dos direitos humanos, quando lhes convém. A proteção de interesses estreitos de 
grupos nacionais poderosos limita a capacidade e a vontade dos governos nacionais de 
proteger os direitos humanos de estrangeiros distantes. O exemplo mais dramático disso no 
século 20, mas não o único, foi o holocausto dos judeus sob o nazismo. "Os Direitos do 
Homem, diz Hannah Arendt, foram definidos como 'inalienáveis' porque se esperava que 
não dependessem de governos; mas, quando os governos faltaram e as pessoas passaram a 
depender somente de seus direitos [internacionais humanos] mínimos, não restou 
autoridade alguma para protegê-los e qualquer instituição disposta a assegurá-los" (Power, 
2004). 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 129 

Direitos humanos e democracia 

A introdução dos direitos humanos na agenda interna dos países pode também criar 
dificuldades, quando se associa a tentativas de substituir as políticas "convencionais" pela 
mobilização ideológica e a implementação administrativa e burocrática de políticas por 
ação voluntária. 

Um estudioso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Brasil, Miguel 
Cárter, depois de uma história detalhada dos primórdios do movimento, apresenta um 
sumário do que ele chama de uma "ação de interesse ideal", baseada em princípios morais e 
religiosos, em contraste com o que seria uma "ação de interesse material", baseada em 
cálculos racionais de ganhos relativos e benefícios. O MST é um exemplo muito bom de 
movimento político baseado em uma agenda de direitos humanos, o direito dos camponeses 
de possuir a propriedade da terra onde trabalham. Cárter (2003) descreve o movimento 
como uma "ação de interesse ideal", ou mobilização, com as seguintes qualidades: "(1) 
Comportamento orientado por valores, e não pela busca de resultados; (2) um 
comportamento baseado na fusão entre esforço e conquista, em lugar de otimização; (3) 
sentimentos fortes propelindo a ação social e dela resultando; (4) interação coletiva 
alterando fortemente o cálculo individual; (5) repertórios simbólicos densos que incutem 
coragem e vitalidade; (6) associações fundadas em afinidades eletivas, por oposição a 
alianças estratégicas e instrumentais; e (7) a presença notória de pessoas que agem como se 
não pudessem ser compradas". 

Poderíamos reescrever essa descrição em termos do contraste clássico de Weber entre 
a liderança carismática, baseada nas qualidades excepcionais do líder, e a liderança 
racional, baseada na capacidade do líder de conseguir os maiores benefícios possíveis para 
seus seguidores. A mobilização política baseada no carisma e nos valores absolutos pode 
ser extremamente poderosa. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, como o 
dos zapatistas de Chiapas, no México, tem tido muito êxito em conseguir apoio 
internacional para suas causas e alguns benefícios para seus integrantes, ainda que não 
sejam na medida de suas ambições revolucionárias iniciais. Mais importante do que o 
movimento foi a impressionante vitória eleitoral de Luís Inácio Lula da Silva para a 
presidência do Brasil, em 2002, em uma campanha também baseada na afirmação de metas 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 130 

ideais e absolutas de justiça social, contra o que teriam sido as orientações pragmáticas de 
interesse material do governo anterior. 

Na vida real, é claro, o "tipo ideal" da ação de interesse ideal descrita por Cárter é 
apenas isso, um tipo ideal, e as motivações e ações são sempre muito mais misturadas do 
que a forma como são apresentadas. Por exemplo, Cárter toma ao pé da letra as afirmações 
dos padres de que eles apoiam o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra por causa 
de sua "opção preferencial pelos pobres", mas poderia facilmente interpretar isso como um 
esforço de alguns segmentos da igreja católica para reconquistar a confiança das 
populações pobres, que está sendo perdida para as seitas fundamentalistas, e como parte de 
uma luta mais ampla e poderosa dentro da própria Igreja, independentemente de seu 
compromisso com os pobres. Camponeses que aderem ao MST o fazem por causa de suas 
expectativas de receber terra e subsídios do governo, e seus líderes têm todos os benefícios 
diretos e indiretos - e perigos ocasionais - da exposição nacional e internacional. O novo 
governo do Brasil, uma vez empossado, precisou enfrentar a necessidade prática de 
organizar a economia e negociar com políticos para obter votos suficientes no Congresso 
para a legislação que propunha uma espécie de "orientação material" que chocou setores 
significativos de seu eleitorado. 

Isso não significa que a distinção proposta por Cárter não existe na realidade, ou que 
é irrelevante para os políticos e gestores de políticas públicas. Ao se colocarem em um 
patamar moral mais elevado, os movimentos pelos direitos humanos conseguem muitas 
vezes apoio para grupos e setores que seriam as partes mais fracas em uma política 
tradicional, e conseguem resultados e concessões que de outra forma não lhes seriam 
acessíveis. Vários autores tratam de analisar esses movimentos sociais como apenas mais 
uma estratégia racional para a acumulação de recursos, não diferente, na essência, de outras 
modalidades de ação política (J. C. Jenkins, 2002). Michael Ignatieff descreve o uso do 
argumento dos direitos humanos na vida política de forma similar ao uso de um trunfo em 
um jogo de cartas que, quando posto na mesa, ganha de todas as outras cartas (Ignatieff & 
Gutmann, 2001). A dificuldade é que, na prática, os direitos humanos são objeto de 
controvérsias, diferentes interpretações e prioridades; precisam ser negociados - uma 
situação que contradiz a noção de que são valores absolutos e, como tal, não-negociáveis. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 131 

Duas consequências negativas podem resultar disso. A primeira é a escalada do conflito e 
do confronto, onde poderia haver espaço para negociação, entendimento e uso de 
procedimentos legais estabelecidos para a resolução de conflitos. Nos exemplos dos 
movimentos de Chiapas e dos Sem Terra, conflitos de interesse são rotineiramente 
conduzidos como se fossem uma luta entre o Bem e o Mal, com a ameaça constante de 
tragédia iminente e derramamento de sangue, consequentemente atraindo a atenção dos 
meios de comunicação de massa e da opinião pública internacional e provocando a negação 
de legitimidade das instituições legais estabelecidas. A segunda é que as negociações e 
acomodações acontecem de qualquer forma, mas por baixo do pano, como algo proibido, e 
por isso mais sujeitas a soluções pouco éticas do que se fossem feitas de forma aberta, de 
acordo com regras e procedimentos claros. 

Direitos humanos e políticas públicas 

Quando as burocracias públicas são ineficientes e corruptas e o processo político está 
sujeito à influência do grande capital e da manipulação da opinião pública pelos meios de 
comunicação de massa, há uma forte tentação de substituir o trabalho das instituições 
estabelecidas pela ação de voluntários. Há vários exemplos disso, como os esforços para 
prover educação por meio de campanhas - em lugar de escolas regulares - ou para 
substituir os procedimentos usuais de alocação orçamentária por algum tipo de processo de 
orçamento participativo. 

Uma dificuldade dessa abordagem é que os direitos humanos são, por definição, 
voluntários, enquanto a ação das instituições estabelecidas é, novamente por definição, 
obrigatória e universal. Políticas sociais baseadas na capacidade de certos grupos de se 
mobilizar em prol de seus interesses e motivações correm grande risco de deixar de lado os 
interesses e as necessidades daqueles menos capazes de se organizar. O outro risco 
potencial é que, ao desviar a atenção e a energia da sociedade para longe das instituições 
estabelecidas, o ativismo pelos direitos humanos pode involuntariamente contribuir para o 
enfraquecimento desses direitos e tornar as instituições menos capazes de cumprir seus 
papéis do que se estivessem sob pressão e acompanhamento dos movimentos sociais e da 
opinião pública (Albert Hirschman, 1981). 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 132 

No Brasil, nos últimos anos, muitos municípios introduziram sistemas de "orçamento 
participativo", nos quais a alocação dos recursos públicos deve ser decidida em reuniões 
públicas, com a participação de membros da comunidade local. Considera-se esse 
procedimento mais democrático do que o tradicional, no qual os orçamentos são preparados 
pelo prefeito e submetidos à câmara municipal eleita para aprovação. De fato, por causa da 
maneira como o sistema eleitoral funciona no Brasil, os vínculos de compromisso e 
responsabilidade entre a população e seus representantes eleitos são frequentemente fracos 
ou não existem. O problema com a democracia direta e participativa, entretanto, é que nem 
todos os grupos estão igualmente representados nesses encontros, e as decisões tendem a 
favorecer aqueles mais capazes de se organizar e pressionar por seus interesses, em vez de 
ajudar aos mais necessitados, mas menos capazes de participar. Na prática, a maioria das 
despesas municipais nunca é submetida a esse tipo de decisão, uma vez que está atrelada a 
salários e serviços permanentes, e a atenção dada às reuniões de assembleias municipais 
pode distrair o olhar público do processo real de alocação dos recursos principais (Luciano 
Fedozzi, 1997). 

Será que os direitos humanos, orientados para o "interesse ideal", são mais 
apropriados para a implementação de políticas específicas do que a abordagem racional, de 
"interesse material", preferida pelos economistas? Varun Guari discute essa questão, a 
respeito da implementação das políticas educacionais e de saúde nos países em 
desenvolvimento, e busca uma aproximação entre as duas perspectivas: 

Defensores dos direitos e economistas concordam quanto aos efeitos práticos que 
devemos esperar dos serviços de saúde e educação. Afirmar que existem direitos à 
educação e à saúde é consistente com a crença de que os direitos não podem ser 
cumpridos de imediato, que os direitos sociais são metas e não limitações, que o 
financiamento e o fornecimento dos serviços podem ser públicos ou privados, e que 
defender os direitos sociais requer instituições locais, informação, organização e 
proteção. Uma abordagem económica moderna dos serviços de saúde e educação 
nos países em desenvolvimento também destaca a necessidade de fortalecimento da 
prestação de contas, governança setorial, transparência e acesso à informação. 
Ambas as abordagens recomendam maior participação das famílias na 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 133 

administração escolar, mais aportes do paciente nas tomadas de decisão no setor de 
saúde, mais organizações civis locais efetivas para monitorar o desempenho do 
fornecimento de serviços, mais transparência e leis claras para as alocações 
orçamentárias, e uma simplificação da administração e da governança nos setores de 
saúde e educação. Em ambas as abordagens, a meta é fortalecer a posição dos 
destinatários do serviço. (2003 pp. 2-3) 

Uma consequência importante da abordagem dos direitos humanos na elaboração de 
políticas é a ênfase nos direitos gerais e sua imposição por meio dos tribunais, em vez de 
confiar no trabalho técnico da administração pública. O Brasil é um bom exemplo. A 
Constituição de 1988, escrita após 20 anos de autocracia militar, tem uma lista muito 
detalhada de direitos individuais e obrigações das autoridades para cumpri-los, sem muita 
consideração de prioridades ou de meios necessários para sua realização. Como exemplo 
extremo, o Parágrafo 3, Artigo 192, estabelece que as taxas de juros reais nunca poderiam 
ser maiores que 12% ao ano, com punições criminais severas para os que não obedecessem. 
Na prática, essa cláusula nunca foi implementada, sob a alegação de que deveria ser 
regulada por uma legislação ordinária, que o governo nunca propôs. Havia também um 
acordo tácito de não contestar a violação dessa cláusula constitucional na justiça. 

Entretanto, o poder do judiciário de interferir na administração em nome de direitos 
não pode ser minimizado. As sucessivas decisões dos tribunais sobre a correção monetária 
de salários, aposentadorias e pensões, pela reinterpretação, pelas cortes, das fórmulas de 
ajuste adotadas pelos diferentes planos de estabilização dos últimos 20 anos, contribuíram 
para criar enormes "esqueletos" financeiros que beneficiam setores específicos, em prejuízo 
da sociedade como um todo. A essas decisões amplas, estabelecidas por tribunais 
superiores, adicionou-se uma miríade de decisões e injunções estabelecidas por juízes 
locais em favor de indivíduos e grupos reclamando por decisões que, na tradição brasileira, 
não são limitadas pelos precedentes estabelecidos nos tribunais superiores (Maria Tereza 
Aina Sadek, 2001). Pesquisas mostram que, no Brasil, os juízes tendem a pensar que 
princípios gerais de direitos humanos devem prevalecer sobre a letra estrita da lei. Essa 
visão dá apoio moral à resistência contra as tentativas de tornar obrigatórias as sentenças 
dos tribunais superiores. Assim, por exemplo, um juiz pode decidir contra o confisco das 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 134 

propriedades de pessoas pobres para saldar suas dívidas bancárias. A consequência desse 
tipo de decisão humanitária, entretanto, como alguns economistas têm observado, é que os 
bancos se tornam inseguros, aumentam suas taxas de juro e se recusam a conceder 
pequenos empréstimos a pessoas com recursos limitados. A autonomia dos juízes locais 
leva também ao desenvolvimento de uma indústria de apelações judiciais, por pequenos 
grupos (por exemplo, empresas que contestam a constitucionalidade de impostos 
específicos), que afogam os tribunais com milhares de demandas, tornando todo o sistema 
legal pesado e ineficiente, reduzindo a capacidade de funcionamento dos governos e 
aumentando os custos das transações privadas (Armando Pinheiro & Célia Cabral, 1999). 

Conclusão 

Há muitos outros exemplos de políticas baseadas nas considerações genéricas de 
direitos humanos que podem produzir resultados questionáveis: a extensão forçada dos 
anos de escolaridade, em detrimento da qualidade educacional; serviços médicos gratuitos e 
ilimitados para todos, sobrecarregando os sistemas de serviços de saúde e reduzindo sua 
qualidade; salários mínimos elevados e benefícios de proteção, levando ao desemprego e 
estimulando o trabalho informal e ilegal; educação superior gratuita, canalizando os 
recursos públicos para os grupos de renda média e alta; e assim por diante. 

Isso não significa que o mundo seria melhor se as agendas de direitos humanos não 
existissem e não influenciassem a maneira como a vida política e a formulação de políticas 
acontecem. A perspectiva dos direitos humanos ajuda a estabelecer prioridades e metas e a 
definir padrões de avaliação das políticas públicas. Aqui, mais uma vez, Max Weber nos 
ajuda a entender o que ocorre, pela distinção que ele estabelece entre a ética das metas 
absolutas e a ética da responsabilidade, que está associada à questão do papel do carisma 
nos sistemas políticos e em sua institucionalização. As políticas de direitos humanos são 
ações carismáticas, movidas por metas e valores supremos, que dão pouca atenção aos 
procedimentos formais e aos rituais administrativos. Essa é sua força, mas também sua 
fraqueza; elas tendem a destruir as instituições e são incompatíveis com a especialização 
profissional e a estabilidade de longo prazo. Tendem também a fazer prevalecer a vontade 
coletiva, expressa por líderes carismáticos e retóricos, sobre a ação e a escolha individuais. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 135 

Para existirem e implementarem políticas baseadas nos princípios dos direitos 
humanos, as democracias modernas exigem instituições democráticas bem-estabelecidas, 
espaço para a administração profissional, normas legais estáveis e liberdade individual. As 
ações públicas não podem ser julgadas exclusivamente pelas intenções dos líderes e pelos 
direitos presumidos de indivíduos e grupos, mas devem ser também avaliadas por sua 
conformidade aos procedimentos formais e pelos resultados práticos para a sociedade como 
um todo. Quando os direitos humanos se movem do reino dos valores e metas para o da 
ação e da implementação política, sem a devida consideração pelos procedimentos e 
instituições democráticos, todos esses mecanismos podem ser ameaçados. Entretanto, 
quando o compromisso com os direitos humanos e a mobilização por sua implementação 
conduzem ao fortalecimento das instituições públicas, sua contribuição pode ser valiosa. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 136 



10. AS AGENDAS DE REFORMA 

Mesmo se a globalização e a utilização crescente das tecnologias avançadas 
pudessem resolver, no longo prazo, os problemas de pobreza e exclusão social, no longo 
prazo, como dizia Lord Keynes, estaremos todos mortos. Não é possível apenas sentar e 
aguardar que os benefícios do crescimento económico respinguem sobre os que estão sendo 
deixados de lado. A agenda de direitos humanos dá importantes referências e padrões de 
comparação sobre o que deve ser realizado, mas não é facilmente traduzida em ações e 
resultados. Além disso, é necessário implementar políticas que possam fazer a economia 
crescer, ajudar as pessoas a se beneficiar desse crescimento e tratar das necessidades que 
não estão diretamente relacionadas ao funcionamento da economia. Em outras palavras, as 
sociedades precisam se reformadas. 

Na tradição europeia, a palavra "reforma" está associada à criação do estado de bem- 
estar social impulsionado por partidos políticos com fortes associações com os sindicatos 
operários. Em muitos países, particularmente depois da Segunda Guerra Mundial, partidos 
social-democratas e trabalhistas ganharam as eleições e se tornaram responsáveis não 
apenas por defender os interesses dos trabalhadores, mas por fomentar o crescimento 
económico e participar das novas redes e arenas internacionais, militares e económicas que 
estavam sendo criadas. À medida que as economias cresciam, o peso relativo da classe 
trabalhadora ia diminuindo e os antigos partidos social-democratas se tornavam mais 
parecidos com os demais, disputando periodicamente a preferência dos eleitores com 
plataformas muito amplas, enquanto a implementação de políticas sociais e de reformas 
económicas era assumida por burocracias públicas cada vez mais complexas. O termo 
"reforma", que revolucionários como Rosa Luxemburgo (1974) rejeitavam como traição e 
acomodação à ordem burguesa, e os liberais mais extremados rejeitavam como concessão 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 137 

ao socialismo, é hoje adotado por quase todos. 40 Mas de que reforma se trata? Quais são as 
prioridades, e o que é possível fazer? 

Estabelecendo as agendas 

A partir dos temas clássicos dos reformistas europeus, países diferentes 
desenvolveram suas próprias agendas de reforma e, para cada uma delas, um sem-número 
de propostas, sugestões e experiências. Entretanto, há um corpo nítido de questões que são 
compartilhadas por todos, e que têm sido construídas internacionalmente. O crescimento 
económico e o emprego apresentam-se como preocupações centrais. É necessário tratar dos 
custos crescentes dos sistemas de pensão, saúde e educação pública. Além disso, os países 
desenvolvidos têm lutado com questões relacionadas ao meio ambiente, aos direitos das 
minorias, à imigração internacional e à alienação social, que também afetam os demais. 
Nos Estados Unidos, pobreza, discriminação racial, deterioração urbana e crime estão em 
alta na agenda. A maioria dos antigos países socialistas ainda está aprendendo como viver 
com uma economia e uma democracia abertas. Democracia, direitos civis e políticos são 
prioridades centrais em muitos países da Ásia, da Africa e do Oriente Médio. Na Africa e 
em diversos países da América Latina, as principais questões são a organização de 
administrações públicas viáveis, que possam tratar de uma agenda difícil e urgente de 
austeridade económica, desigualdade social, pobreza extrema e, como na Colômbia, guerra 
endémica, assim como da eliminação de barreiras raciais e étnicas entre diferentes grupos 
sociais. Por toda a América Latina, uma das questões centrais tem sido como transformar as 
tradicionais burocracias estatais em governos modernos e eficientes, preservando a 
democracia e os direitos dos cidadãos. Outra forma de olhar para o assunto é distinguir os 
diferentes tipos de agendas sociais: política, para mudar e melhorar as "regras do jogo" das 
disputas políticas e da participação política; administrativa, para melhorar as formas de 
organização e funcionamento do setor público; económica, tratando das questões amplas 



40 Na África do Sul, após o fim do apartheid, a expressão preferida não é reforma nem revolução, mas 
transformação. Ver por exemplo, South Africa, 1997. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 138 

ligadas a transações económicas, investimentos, taxas, moeda, fluxo de capitais, comércio 
exterior; social, tratando das questões dos direitos sociais; e, cultural, lidando com temas de 
educação, língua e formas e meios de comunicação. 

Em que medida essas agendas correspondem a valores e demandas que vêm de fora 
para dentro dos estados nacionais ou, ao contrário, resultam de necessidades e questões 
internas dos próprios países? Nem uma coisa nem outra, ou melhor, as duas. O "Consenso 
de Washington" tinha toda a aparência de uma agenda produzida externamente e imposta 
de forma unilateral; mas, ao mesmo tempo, era uma tentativa de resposta a problemas reais. 
Na América Latina, em torno da década de 1970, vários dos principais países estavam 
passando por crises severas, que não tinham a ver diretamente com a globalização, mas 
com processos internos agravados por mudanças inesperadas na economia internacional - 
particularmente o choque do petróleo e o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, 
no início da década de 1980. Em diferentes graus, todos os países viram aumentarem as 
aspirações e os padrões de consumo da população, impulsionados pelo crescimento urbano; 
expandiram-se os meios de comunicação e a participação política, de forma muito mais 
acelerada do que a capacidade da economia e do setor público responderem às novas 
demandas. A competição política nas democracias abertas também estimulou o aumento 
dos gastos públicos e a distribuição de benefícios e privilégios - com a extensão dos 
serviços públicos e a contratação de mais pessoas, criação de empresas e corporações do 
setor público, concessão de direitos adicionais ao funcionalismo e subsídios ao setor 
privado. A urbanização e a expansão dos meios de comunicação de massa reduziram o 
poder político das antigas oligarquias e abriram a arena política a políticos populistas que 
alimentaram a expansão do setor público. Para pagar as contas, os governos lançaram 
impostos e usaram para outros propósitos os recursos gerados pela contribuição de uma 
população crescente de trabalhadores jovens à seguridade social. Quando esses recursos se 
tornaram insuficientes, os governos começaram a incrementar a dívida pública e imprimir 
dinheiro, o que levou à inflação. Na década de 1970, o capital internacional barato ficou 
disponível e os empréstimos internacionais compensavam a falta de investimento e 
crescimento internos. Na década de 1980, como as taxas de juros internacionais dispararam, 
as economias nacionais quebraram, o que levou à moratória, à desvalorização da moeda e à 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 139 

estagnação económica. No contexto da Guerra Fria, os conflitos distributivos gerados por 
aspirações crescentes e crescimento limitado eram frequentemente traduzidos por 
confrontos entre esquerda e direita, provocando intervenções externas e gerando regimes 
militares. No final da década de 1970, a maioria desses regimes autoritários fracassara em 
suas tentativas de manter a sociedade sob controle e abrira caminho para os governos civis, 
que novamente tiveram de enfrentar as tensões entre expectativas e disponibilidade de 
recursos, em tempos de estagnação económica generalizada. 

A primeira tendência dos governantes em situações de crise é sair em busca de um 
truque administrativo ou legal, uma "varinha mágica" que possa, por exemplo, matar a 
inflação e a incompetência institucional, sem afetar muitos interesses. Infelizmente, ou 
talvez felizmente, tais truques parecem não existir, na ausência de mudanças institucionais 
mais profundas e duradouras. Um exemplo claro do que não deveria ser feito vem da 
Argentina, onde a legislação que estabeleceu uma paridade fixa entre o peso local e o dólar 
foi sustentada por toda uma década como a mágica que converteria um país problemático 
em uma economia moderna. Olhando para trás, Domingo Cavallo, o economista que 
defendeu e implementou essa política, acredita que falhou por causa da incompatibilidade 
entre os pré-requisitos institucionais para uma moeda estável e a maneira como o sistema 
político argentino funciona (Cavallo, 2004). O fracasso anterior do Plano Cruzado 
brasileiro, de 1985, pode ser explicado por linhas de pensamento similares (Baer & 
Beckerman, 1989). 

Das reformas económicas às reformas sociais 

Nancy Birdsall, em artigo recente, tentou reunir a informação disponível a respeito do 
impacto das reformas económicas sobre a pobreza e a desigualdade social na América 
Latina, e concluiu que elas não tiveram o efeito negativo que normalmente lhes é atribuído, 
nem tampouco os positivos: 

Em suma, as melhores estimativas sugerem que, exceto pela reforma do setor 
financeiro, as reformas económicas das duas últimas décadas não contribuíram para 
aumentar a pobreza e a desigualdade social. Por outro lado, é fato também que essas 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 140 

reformas não contribuíram muito para reduzir a pobreza e a desigualdade. Em certo 
sentido, não chega a ser surpreendente que o recurso crescente a mecanismos de 
mercado não tenha criado novas oportunidades de renda para os pobres. O fator 
limitante podem ter sido os recursos escassos dos pobres, inclusive de capital 
humano, uma limitação que as reformas de mercado sozinhas não poderiam mudar. 
A liberalização do setor financeiro em particular parece ter piorado a situação dos 
pobres, ao menos em relação aos ricos e às classes médias. Isso também não é 
surpresa: sem garantias para oferecer, os pobres não têm como fazer uso dos 
mercados financeiros liberalizados (e o fim da contenção das taxas de juros pode 
tornar o crédito mais caro, no curto prazo). Além disso, novos instrumentos 
financeiros de altos rendimentos ajudam mais aqueles com necessidades de 
investimento especiais e diversificadas. (Birdsall & Szekely, 2003) 

A ideia de fortalecer a população pobre com recursos e capital, por meio de crédito 
fácil e barato e de reformas legais que garantam direitos de propriedade a moradores de 
favela, tem sido apresentada como uma proposta revolucionária para tratar da pobreza, 
transformando cada pessoa em um microempresário (Hernando de Soto, 2000). A 
experiência do Grameen Bank de Bangladesh, de proporcionar crédito para pessoas de 
baixa renda, tem sido muito estudada e servido de modelo para inúmeros projetos e 
experiências em outros países (Jonathan Morduch & Barbara Haley, 2002). No Brasil têm 
havido também esforços, ainda incipientes, para desenvolver sistemas de microcrédito. 
Uma avaliação recente dos serviços financeiros no Brasil, feita pelo Banco Mundial, incluiu 
uma pesquisa com uma amostra de 2 mil pessoas, principalmente no Rio de Janeiro e em 
São Paulo, para ver, entre outras coisas, como elas se utilizam dos serviços financeiros e 
quais são suas demandas em relação a ele. O estudo mostra que as pessoas de baixa renda 
gostariam de ter mais acesso a créditos para consumo e para fazer face a emergências, mas 
bem poucos mostraram interesse em obter financiamento para iniciar algum negócio (The 
World Bank, 2004). A importância de serviços financeiros baratos e eficientes para a 
população de baixa renda é inegável, mas a maioria das pessoas ainda prefere a segurança 
de um emprego a assumir um risco empresarial. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 141 

Outros programas fornecem recursos para famílias em condições extremas de pobreza 
em retribuição por alguma ação - manter as crianças na escola, ou participar de campanhas 
de saúde pública. Exemplos de tais programas são Oportunidad (antigo Progresa), no 
México; Bolsa Família, no Brasil; e Chile Joven, no Chile. As expectativas em torno desses 
programas de subsídio direto são altas, e há uma literatura técnica crescente tentando 
avaliar seu impacto (François Bourguignon et ai., 2002; Vanessa Castro, 1999; Paul 
Schultz, 2001). O que se sabe até o momento, no entanto, não é muito promissor. No caso 
das diversas versões do Bolsa Escola brasileiro, integrado no início de 2004 ao Bolsa 
Família, há poucas evidências de um impacto significativo sobre a educação em si, apesar 
do valor inegável como forma de redistribuição de renda para grupos em situação de grande 
carência. A razão é simples. Fora da área rural, os benefícios económicos do trabalho 
infantil são pequenos e, havendo escolas, os pais em geral preferem que os filhos sejam 
atendidos por elas, inclusive para que possam trabalhar (Simon Schwartzman & Felipe 
Schwartzman, 2004). A evasão escolar, em particular das crianças no início da 
adolescência, está mais relacionada à falta de escolas ou a sua incapacidade de ensinar e 
reter os mais jovens, especialmente de famílias menos educadas, do que às necessidades 
económicas da família. Ao mesmo tempo, quando não adequadamente conduzidos, tais 
programas podem com facilidade se transformar em instrumentos eleitorais nas mãos de 
seus administradores. 

Gerações de reformas 

Em seu artigo, Birdsall sugere uma cronologia de quatro estágios, ou gerações, na 
implementação de políticas sociais na América Latina. A primeira fase coincide com a 
expansão económica até a década de 1970 e as políticas consistiam principalmente em 
fornecer subsídios para bens e serviços, que beneficiaram mais os setores médios da 
população. Foi também um período de expansão do setor público para o fornecimento 
gratuito de serviços de saúde e educação. Esse período se encerrou com a crise dos anos de 
1980, e a segunda fase foi de retração e ausência de políticas. O terceiro período, que ela 
situa em meados e final da década de 1980, ocorreu quando os governos e as agências 
internacionais começaram a reconhecer a persistência e, em alguns casos, o agravamento 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 142 

das condições de pobreza, e a promover propostas de políticas compensatórias, por meio da 
criação de redes de segurança e mecanismos de distribuição de renda e do direcionamento 
dos recursos existentes para os segmentos mais pobres da população. O programa brasileiro 
de "bolsa família" seria um exemplo retardatário desse estágio. 

A quarta fase, que data de meados dos anos de 1990 em diante, é descrita como uma 
série de esforços não somente para distribuir recursos aos pobres, mas também para 
fornecer a eles condições para que cuidem de si próprios: "ter um exército de trabalhadores 
não-qualificados com baixos salários não era mais visto como a base para a 
competitividade global. A ênfase em satisfazer as necessidades dos pobres continuou, mas 
com muito mais atenção em desenvolver sua capacidade produtiva, o que era consistente 
com a visão de que a competitividade nas economias abertas requer investimentos muito 
maiores em capital humano" (p. 13). Parte importante dessa fase são os esforços de 
melhorar o acesso à educação, e a preocupação com sua qualidade; e também as tentativas 
de expandir o microcrédito e desenvolver a capacidade empreendedora das populações de 
baixa renda, mencionadas acima. 

Em outro texto, sugeri uma classificação diferente das reformas sociais, em termos de 
três gerações (Schwartzman, 2003c). Na primeira geração, recursos e benefícios são 
distribuídos a quem quer que tenha a capacidade de se organizar e reivindicá-los - em geral 
trabalhadores em grandes indústrias, funcionários públicos e profissionais liberais. Os mais 
pobres e menos organizados conseguem pouco, mas gradualmente também se organizam e 
reclamam sua parte. Esse é o período em que novas escolas, postos de saúde e hospitais são 
construídos, empregos públicos são criados e entregues a grupos políticos que apoiam o 
governo, e legislações são aprovadas e distribuem benefícios legais e direitos a diferentes 
setores. A segunda geração começa quando a expansão contínua dos benefícios se torna 
impossível, e é necessário redistribuí-los ou até mesmo reduzi-los, por causa da estagnação 
económica. A redistribuição de recursos é sempre difícil, uma vez que requer que se tirem 
benefícios de uns para dá-los a outros; e isso é ainda mais difícil quando o montante total 
dos recursos disponíveis não está crescendo ou, pior, está se reduzindo. Não é de admirar 
que ao tentar se engajar em tais políticas os governos se tornam extremamente impopulares 
e são derrotados nas urnas. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 143 

A terceira geração de reformas, mais um desejo do que uma realidade, seria uma 
tentativa de fazer mais com o mesmo volume de recursos, injetando inteligência e 
competência profissional nos programas administrativos e sociais. Em educação, 
significaria assegurar-se de que os professores ensinem adequadamente, em vez de apenas 
aumentar seus salários e construir mais escolas. Na saúde, significaria investir mais na 
medicina preventiva e nos cuidados básicos de saúde; na habitação, significaria criar regras 
de zoneamento apropriadas, mecanismos de financiamento e legislação para retirar as 
pessoas das habitações em assentamentos ilegais, como as favelas brasileiras e 
povoamentos similares em outros países. Dois requisitos básicos para essas reformas 
seriam: estabelecer regras do jogo adequadas para a participação de grupos privados, tanto 
voluntários quanto com fins lucrativos, em sua formulação e em sua interpretação; e 
proteger as agências públicas encarregadas dessas reformas do toma-lá-dá-cá da política 
clientelista. Em áreas como educação, saneamento, habitação, serviços de saúde e 
previdência social é indispensável angariar a contribuição dos investimentos e das 
instituições privadas - seja ou não com fins lucrativos - de acordo com uma legislação 
bem-estabelecida e uma boa supervisão. Proteger as instituições públicas da política 
clientelista não é fácil, mas já ocorre no Brasil, em boa parte, em áreas como educação, 
ciência e tecnologia, política económica e pode, eventualmente, se estender a outros 
setores. 

Dois outros componentes centrais dessa terceira geração de políticas são o 
conhecimento e a transparência. Aperfeiçoar a qualidade das instituições educacionais, 
fazer o melhor uso possível dos recursos de saúde, criar uma estrutura inteligente de bem- 
estar social, cuidar do meio ambiente, tratar da violência e da criminalidade - tudo isso 
exige pesquisa constante, experimentação, comparações internacionais e avaliação 
permanente, que só podem existir se houver uma comunidade de especialistas educados em 
boas universidades, com apoio para suas pesquisas e a capacidade de transitar entre o 
mundo do governo e o da academia, e um serviço público bem-estruturado. A preocupação 
mais recente de governos, agências e fundações nacionais e internacionais com as questões 
de pobreza e desigualdade, associada a um viés antiacadêmico, pode estar tendo, como 
consequência inesperada, a negligência da necessidade de prover apoio para a manutenção 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 144 

e a expansão de instituições de estudo e pesquisa de boa qualidade, e isso pode estar 
criando um sério problema, agora que são tão necessárias. 

Transparência, na era da internet, é uma meta relativamente fácil que requer pouco 
mais do que a vontade política de tornar acessível ao público a informação sobre o uso de 
recursos, os beneficiários e os impactos dos programas sociais, embora seja menos trivial 
do que a simples distribuição de computadores à população (Bernardo Sorj, 2003). Há uma 
linha ténue, entretanto, separando informação de relações públicas e propaganda, e uma 
forma de tratar o assunto é criar agências e instituições de supervisão com poder e 
independência para obter a informação necessária e solicitar ações corretivas. Instituições 
transparentes e de conhecimento intensivo são muito menos susceptíveis de ser conduzidas 
por políticas clientelistas e capturadas por grupos de interesse do que aquelas que 
permanecem fechadas ao olhar externo e sem uma comunidade de conhecimento 
comprometida com suas metas. 

É interessante notar que esse tipo de reforma de "terceira geração" não aparece na 
classificação proposta por Nancy Birdsall, que está menos preocupada em melhorar a 
qualidade e a eficiência do setor público do que em tratar diretamente com a população, 
fortalecendo os pobres de tal forma que eles não necessitem, como antes, dos serviços do 
Estado. Uma possível explicação para isso é a falta de confiança na capacidade das 
instituições governamentais de melhorar, e uma confiança crescente no voluntariado, nas 
organizações comunitárias e em outras formas de organizações e instituições para executar 
as tarefas de reforma social. Não é uma postura isolada. Essa falta de confiança pode ser 
observada tanto em organizações internacionais, que têm dificuldade em lidar com as 
burocracias públicas, como nos movimentos sociais de diferentes tipos, que acreditam estar 
mais bem equipados e motivados do que as agências estabelecidas para tratar das questões 
sociais. Há inúmeras boas razões para essa falta de confiança, mas ainda assim é impossível 
prover serviços básicos tais como educação pública e serviços públicos de saúde sem a 
participação de agências públicas e, na medida em que essas agências são negligenciadas 
ou ignoradas em favor de outros arranjos pontuais de curto-prazo, suas chances de melhorar 
diminuem. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 145 

A economia política das reformas 

O estabelecimento de agendas de reforma e sua implementação constituem um 
processo político complexo, discutido em detalhe, para a América Latina, em um artigo de 
Merilee Grindle (2002). Como é possível que as reformas sociais de segunda geração, que 
requerem a transferência de recursos de grupos de interesse bem estabelecidos (perdedores 
fortes) para os setores mais pobres ou menos organizados da sociedade (vencedores fracos) 
acabem acontecendo? Teorias convencionais de escolha racional, que buscam prever os 
resultados das decisões em termos das forças relativas dos atores envolvidos, são 
claramente inadequadas para explicar tal situação. No mundo real, o quadro é sempre mais 
complicado: os vencedores podem estar divididos, a opinião pública pode apoiar a 
mudança, pode faltar informação e assim por diante. Depois, nunca é um jogo simples: há 
negociações, ajustes, interesses específicos que podem ser protegidos. A outra abordagem é 
a dos institucionalistas, que buscam estabelecer previsões a partir do peso relativo e da 
força do parlamento, da presidência, dos partidos políticos e de outros setores. Aqui 
novamente esse tipo de análise tende a prognosticar que a segunda e a terceira gerações de 
reformas não acontecerão, uma vez que elas vão contra os interesses estabelecidos. E 
mesmo assim, contra as probabilidades, muitas vezes essas reformas efetivamente 
acontecem, e devem ser explicadas, de acordo com Grindle, olhando os processos, as 
negociações, o empreendedorismo e a iniciativa. 

A tudo isso, eu acrescentaria dois elementos: as restrições de recursos e a história. 
Reformas sociais redistributivas são raramente propostas e implementadas em abstrato. 
Elas vêm como resposta a situações de crise quando, por exemplo, a inflação fica fora de 
controle, os sistemas de pensão colocam em risco o orçamento público, a violência urbana 
fica intolerável ou o desemprego se torna alto demais. As percepções públicas são tão 
importantes quanto os problemas em si e são moldadas em grande parte pela história - a 
memória das realizações e dos fracassos do passado - e pela força de líderes políticos que 
são capazes de aproveitar o momento e conseguir apoio público para suas ideias. Nos 
sistemas presidenciais nos moldes dos que existem na América Latina, o primeiro ano de 
qualquer governo é tempo de correr contra as probabilidades e, eventualmente, vencer - 
depois disso, em geral, os interesses estabelecidos voltam a prevalecer. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 146 

Grindle propõe também uma classificação interessante das etapas de implementação 
das reformas, cada qual caracterizada pela participação de atores específicos: estabelecer a 
agenda, detalhar as reformas, passar pelo Congresso para aprovação, implementar e, 
finalmente, sustentar as reformas ao longo do tempo. O estabelecimento da agenda envolve 
pequenos grupos de intelectuais e especialistas, respondendo a prioridades provocadas por 
questões urgentes, como a inflação, ou por questões levantadas pelos movimentos sociais, 
pelas organizações internacionais e pela imprensa, como os direitos humanos. O 
detalhamento é geralmente técnico, feito por especialistas dentro de ministérios, às vezes 
com o apoio de consultores internacionais. A aprovação é um processo político, que requer 
apoio da opinião pública e do Congresso e uma negociação árdua. A implementação e a 
manutenção dependem de instituições que compartam os mesmos valores e que tenham as 
competências necessárias para lidar com as questões que são objetos da reforma. Algumas 
reformas, que requerem apenas uma mudança na legislação e uma forma específica de 
manejar e distribuir os recursos, são mais fáceis de implementar que outras, que requerem 
mudanças profundas na maneira como os administradores públicos trabalham. Por 
exemplo, foi relativamente simples para muitos países latino-americanos, nos últimos anos, 
transferir a responsabilidade da administração da educação básica dos governos nacionais 
para os governos estaduais e para as prefeituras: transformar as escolas de pequenas 
burocracias em verdadeiras instituições educativas é muito mais difícil. 

As complexidades e as dificuldades do estabelecimento e da implementação de 
agendas são bem conhecidas por aqueles que estão envolvidos na vida política, mas 
frequentemente são ignoradas por especialistas ainda fiéis à antiga fé modernista dos 
poderes ilimitados da ciência e da racionalidade. Há muitas versões dessa crença. Para 
alguns, tudo pode ser resolvido por meio do planejamento e de um Estado poderoso, 
ignorando os fracassos históricos das economias planificadas e os custos políticos e 
humanos das burocracias centralizadas. Na tradição latino-americana, existe ainda a crença 
de que o importante é ter uma legislação adequada que conceda direitos e obrigações, limite 
poderes e estabeleça o quanto deve ser gasto em quê. Mais recentemente, a ideia de reforma 
institucional começou a ganhar apoio - mudar o sistema de partidos, criar agências 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 147 

reguladoras, reformar o judiciário, descentralizar o poder e redistribuir as responsabilidades 
dos governos centrais, estados e municípios. 

De fato, nenhuma reforma significativa pode ser implementada sem alguma 
combinação destes elementos - reforma institucional, mudança na legislação e 
desenvolvimento da capacidade do governo de planejar. Tais elementos não funcionarão 
sozinhos, ou simplesmente não funcionarão, no entanto, se não forem parte de mudanças 
mais profundas nos valores e nas atitudes da população e no trabalho cotidiano da vida 
política. Isso não significa que a reforma moral e comportamental deva vir primeiro, por 
meio de alguma forma de pregação ou campanha de opinião pública. Atitudes, valores e 
percepções podem mudar rapidamente quando as condições externas mudam - como 
aconteceu no Brasil com o fim de décadas de política militar nos anos de 1980 e o fim da 
inflação na década de 1990. A reforma social requer conhecimento, mas é 
predominantemente uma arte - a arte de identificar prioridades e a capacidade de 
comunicar sua urgência e sua importância à sociedade. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 148 



11. PERSPECTIVAS 



O choque das civilizações? 

Os problemas provocados pela agenda da modernização e sua nova face, a 
globalização, têm levado muitas pessoas e países inteiros a tentar rejeitar o projeto de 
modernização como um todo e a buscar alternativas; e levou académicos como Samuel P. 
Huntington a acreditar que estamos entrando em uma nova era de guerra cultural, na qual o 
futuro da civilização ocidental está em risco (Huntington, 1997). Em artigo recente 
publicado no The New York Review ofBooks, Ian Buruma e Avishai Margalit recordam os 
ingénuos sonhos modernistas de Theodor Herzl, fundador do sionismo, que acreditava que, 
com a criação do Estado de Israel, Jerusalém se tornaria um paraíso moderno conduzido 
pela tecnologia superior e pelo racionalismo dos bem-educados judeus da Europa. Como 
eles dizem, 

Esse é o tipo de bobagem que recheou as publicações chinesas e soviéticas nos anos 
de 1960, a ideia de que a felicidade humana poderia ser comprada com turbinas 
gigantescas e fartas colheitas, que sentimentos irracionais como o orgulho religioso, 
nacional ou étnico jamais se interporiam no caminho do avanço todo-poderoso do 
progresso, e que os povos "primitivos" ficariam muito felizes de serem levados pela 
mão por raças mais iluminadas em direção a um glorioso futuro. Esses sonhos 
revelaram-se uma fraude. Herzl ainda podia expressá-los inocentemente. (Buruma 
& Margalit, 2004, p. 137) 

É possível perguntar até que ponto o atual pesadelo israelense foi causado pela 
resistência inesperada de sentimentos "irracionais" - nacionais, religiosos e étnicos - em 
relação a culturas estrangeiras, ou pelo sofrimento e pela frustração provocados por anos de 
guerra, atritos diários e discriminação social contra a população palestina. A história está 
cheia de exemplos de pessoas de diferentes culturas e religiões que coexistem em paz, e de 
conflitos étnicos sangrentos que parecem surgir do nada. Geralmente, conflitos étnicos e 
culturais caminham juntos e são inseparáveis de questões económicas e sociais de diversos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 149 

tipos. A fraude das modernas utopias expressas por Herzl e pelos propagandistas soviéticos, 
chineses e americanos reside talvez menos na crença na virtude da tecnologia e da 
racionalidade modernas e mais em ignorar ou mascarar o enorme custo social provocado 
pela introdução forçada da economia e das instituições políticas ocidentais em outras 
sociedades. Como Buruma e Margalit dizem tão bem, a reação contra o Ocidente entre os 
muçulmanos e em outras partes do mundo não é verdadeiramente antiocidental, mas, ao 
contrário, utiliza as ideias ocidentais, inclusive o pior lado da brutalidade e da violência que 
tantas vezes acompanhou a modernização em suas diferentes encarnações. "O que deveria 
ficar claro", elas concluem, "é que nós não estamos testemunhando a história maniqueísta 
de uma civilização em guerra contra outra. Ao contrário, é uma história de contaminação 
cruzada, a expansão de más ideias. Isso pode nos acontecer se cairmos na tentação de 
combater fogo com fogo, islamismo com nossa própria forma de intolerância". 

"O fim da história": modernidade ou pós-modernidade? 

Conflitos étnicos, culturais, religiosos e raciais sempre existiram, mas, no mundo 
moderno, passaram a ser percebidos como problemas residuais que seriam resolvidos pelo 
desenvolvimento da ciência moderna e do racionalismo, tanto em sua versão capitalista 
como na socialista. Na década de 1990, depois da queda do bloco soviético, alguns autores 
acreditaram que, com o fim da Guerra Fria e das ilusões das economias nacionalistas e 
planejadas, a modernidade - significando mercados e democracias liberais - estava 
finalmente sendo reconhecida como o único arranjo social possível e significativo, a ser 
logo adotado por todos. Para outros, o triunfo do capitalismo foi recebido com frustração e 
desânimo. Por gerações, o socialismo apresentou-se a si próprio como sendo a única 
alternativa possível à devastação e à destruição criadas pelo capitalismo, e muitos ficaram 
convencidos. Mas, depois de Stalin, a face hedionda do totalitarismo e do centralismo 
estatal tornou-se óbvia demais para ser negada. Para uns e outros, a conclusão foi de que a 
história e a modernidade, como entendidas até recentemente, tinham chegado a um fim e 
nós estávamos entrando em uma nova era de pós-história e pós-modernidade. 

Seria impossível reproduzir aqui a literatura enorme, complexa, controversa e 
frequentemente opaca da posthistoire e da pós-modernidade que emergiu nos círculos 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 150 

intelectuais alemães e franceses nas últimas décadas, e que mais tarde contaminou os 
departamentos de história, literatura e sociologia nas universidades americanas. 41 Não 
estaríamos muito errados em dizer, entretanto, que todo esse movimento intelectual foi uma 
reação contra a noção de história como desenvolvida por Hegel no final do século 18. 
Hegel postulava que a história tinha um sentido e uma direção, e que essa direção se 
caracterizava pelo desenvolvimento da racionalidade e pelo domínio gradual da 
humanidade sobre seu próprio destino. A noção de que a história tem uma direção e um 
objetivo foi adotada por todos os autores evolucionistas do século 19, incluindo Auguste 
Comte e Herbert Spencer, e a imbricação do conhecimento na história foi sintetizada pelo 
jovem Karl Marx (1845) em suas famosas "Teses sobre Feuerbach". 



Das teses sobre Feuerbach 

Tese II: A questão de saber se a verdade objetiva pode ser atribuída ao 
pensamento humano não é uma questão de teoria, mas uma questão prática. É na 
prática que o ser humano tem de comprovar a verdade, isto é, a realidade e o 
poder, o caráter terreno de seu pensamento. A disputa sobre a realidade ou não- 
realidade de um pensamento que se isola da prática é uma questão puramente 
académica. 

Tese VIII: Toda a vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que 
levam a teoria para o misticismo encontram sua solução racional na prática 
humana e na compreensão dessa prática. 

Tese XI: Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de várias maneiras; a 
questão é transformá-lo. 



A história, para Hegel e Marx, era o longo processo pelo qual a humanidade (ou "o 
Espírito Absoluto", como dizia Hegel) luta para vencer a alienação e encontrar-se 
novamente em uma sociedade na qual humanidade e natureza, racionalidade e realidade, se 



41 As origens do termo "postliistoire" são obscuras. Embora seja uma palavra francesa, foi 
predominantemente usada na Alemanha, como das Posthistoire. Ver Lutz Niethammer & Dirk van Laak, 
1992. Sobre o uso do conceito entre historiadores, ver Steven Hause, 1996. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 151 

tornariam uma só e a mesma coisa. Isso seria o Fim da História, o "Ponto Omega" da 
espécie humana, como descrito por um evolucionista mais recente, o antropólogo místico e 
padre Pierre Teilhard de Chardin (1959). Para Hegel, essa história havia terminado 
precisamente em 1806, com a derrota do exército prussiano por Napoleão na batalha de 
Jena, dando início a uma nova era. Para Marx, a história terminaria com o triunfo do 
comunismo. 

Para Francis Fukuyama (1989; 1992), Hegel estava certo o tempo todo, mesmo que 
tenha levado dois séculos para a humanidade se dar conta disso: não há concorrentes 
ideológicos ou intelectuais para a modernidade, como expressa pelos valores e ideais das 
revoluções francesa e americana - que Fukuyama descreve em termos de "liberalismo". 
Isso não significa, é claro, que todos os problemas causados pela modernidade e pelo 
liberalismo tenham desaparecido ou que uma sociedade liberal não possa ser ameaçada. 
Mas os problemas e ameaças existentes, associados ao individualismo extremo e aos 
conflitos por poder e reconhecimento, são parte das sociedades liberais modernas em si e 
não representam um desafio de visões de mundo concorrentes. Agora seria o tempo da 
"pós-história" ou posthistoire, na qual os grandes debates ideológicos e as lutas para a 
definição da evolução e da organização da sociedade teriam sido substituídos por uma 
infinidade de ações individuais e segmentadas, pela afirmação de identidades de grupo e 
pela administração de problemas e conflitos localizados. 

A versão pessimista da posthistoire é o pós-modernismo, predominante nos círculos 
literários, mas também entre filósofos e cientistas sociais. O fim dos grandes conflitos 
ideológicos não é visto como significando o triunfo da racionalidade e da civilização 
moderna, mas, ao contrário, como o reconhecimento de seu fracasso. No passado, uma das 
principais tarefas dos intelectuais era entender o significado dos eventos - sejam produtos 
literários ou episódios históricos - em termos de suas relações com as "grandes narrativas" 
da evolução histórica e das lutas ideológicas. Agora, a única tarefa que lhes restou foi 
mostrar as ilusões sob esses construtos intelectuais, por meio de seu questionamento 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 152 

sistemático e de sua desconstrução. 42 Não há nada novo, é claro, na crítica às pretensões, à 
arrogância e aos efeitos destrutivos da modernidade, mas anteriormente essa crítica em 
geral foi feita em nome de visões alternativas do passado ou de futuras utopias. O que pode 
ser verdadeiramente novo na pós-modernidade talvez seja seu niilismo. 

O tom triunfalista do artigo escrito por Fukuyama em 1989 não sobreviveu à 
publicação do argumento em forma de livro em 1992. Nessa época, a tese do "fim da 
história" combinou-se a uma complicada discussão sobre a natureza do "último homem", 
que levou o autor a questionar se a democracia liberal, como praticada nas sociedades 
capitalistas ocidentais, era realmente um arranjo durável e auto-sustentável. A satisfação 
das necessidades materiais e a garantia da liberdade e dos direitos individuais são muito 
importantes, mas, será que as pessoas ficarão satisfeitas com isso? Não, diz Fukuyama 
(1992, Introdução). As pessoas estão sempre buscando o "reconhecimento", uma afirmação 
de seu valor e de seu prestígio, o que leva à insatisfação e à mudança permanentes: 

Seguindo a linha de pensamento de Nietzsche, somos impelidos a formular as 
seguintes perguntas: Não seria o homem que se sente completamente satisfeito em 
ser reconhecido como igual aos outros algo menos do que um ser humano completo, 
realmente, um objeto de desprezo, um "último homem" sem empenho nem 
aspirações? Não existiria um lado da personalidade humana que procura 
deliberadamente a luta, o perigo, o risco e a ousadia, um lado que ficaria insatisfeito 
com a "paz e prosperidade" da democracia liberal contemporânea? Não dependeria 
a satisfação de certos seres humanos do reconhecimento do que é inerentemente 
desigual? Realmente, será que o desejo por reconhecimento desigual não 
constituiria a base de uma vida vivível, não só por sociedades aristocráticas 
ultrapassadas, mas também nas democracias liberais contemporâneas? Será que sua 
sobrevivência futura não dependeria, até certo ponto, do grau em que seus cidadãos 



42 



Sobre o pós-modernismo e seu impacto na historiografia americana, ver Perez Zagorin, 1999. Para o pós- 
modernismo na literatura, Niels Brugger, 2001. Para uma discussão da modernidade e de seu impacto na 
América Latina, ver José Joaquín Brunner, 1998. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 153 

almejam ser reconhecidos não apenas como iguais, mas como superiores aos 
outros? E será que o medo de se tornarem "últimos homens" desprezíveis não 
levaria os homens a se afirmarem de formas novas e imprevistas, até o ponto de 
mais uma vez se tornarem "primeiros homens" engajados em sangrentas batalhas 
por prestígio, desta vez com armas modernas? 43 

Capital social 

A democracia liberal e o capitalismo de mercado não eram considerados suficientes 
para contrabalançar essas tendências profundas. Para isso, seria necessário desenvolver e 
manter laços sociais e culturais fortes entre as pessoas, com base na comunhão de valores e 
crenças e, talvez, na aceitação de restrições ao impulso natural de afirmação e 
reconhecimento. Esse foi o tema de um livro posterior de Fukuyama, Trust (1995). Nesse 
livro, ele observa a decadência das instituições tradicionais americanas e dos valores a elas 
associados, em comparação com instituições cívicas muito mais fortes que ele identifica no 
Japão e em outras sociedades asiáticas. O exemplo de alguns países asiáticos - com 
destaque para o Japão, Cingapura, Coreia, Taiwan e, mais recentemente, China - levou 
muitos autores a escrever sobre a existência de um "modo asiático" ou de "valores 
asiáticos", que seriam superiores aos modelos ocidentais, como os praticados nos Estados 
Unidos, com menos liberdade individual e compromisso com a democracia, em troca de 
mais benefícios materiais e estabilidade. Essa alegada superioridade do "modelo asiático" 
foi abalada, em termos económicos, pela crise que afetou muitos desses países no final da 
década de 1990, e que foi atribuída aos próprios arranjos institucionais que explicavam o 
sucesso anterior - burocracias públicas fortes e pesadas, promiscuidade entre instituições 
públicas e interesses privados, alto grau de corrupção - em outras palavras, pela ausência 
de mercados e instituições democráticas fortes; e, em lugares como Coreia, Taiwan e 



43 Para uma discussão sobre as fontes filosóficas e as influências do conceito de "reconhecimento", incluindo 
Hegel, sua interpretação por Alexandre Kojève e as visões conservadoras de Leo Strauss, ver Joseph 
McCarney, 1994. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 154 

Filipinas, por fortes movimentos políticos antiautoritários. A China hoje é a encarnação 
mais significativa do modelo asiático, com sua combinação de crescimento económico 
impressionante, adoção de tecnologias ocidentais, mercados manipulados e autoritarismo 
político. É assim que Ian Buruma (2003a) escreve sobre a China atual: 

Status, estabilidade, patriotismo e riqueza, então, provaram ser motivos suficientes 
para que a classe média crescente aceitasse uma forma paternalista e autoritária de 
capitalismo, sem muito protesto. O fato de que qualquer forma de protesto 
organizado na China conduzisse imediatamente a punições pesadas foi, sem dúvida, 
explicação para a obediência. As grandes cidades da China são verdadeiros 
monumentos desse tipo de sociedade moderna - tecnocrática, afluente, mas política 
e intelectualmente estéril. Quase nem é necessário destacar que os empresários 
estrangeiros ficam felizes com esse estado de coisas. Lidar com funcionários 
corruptos pode ser cansativo, mas isso pode ser deixado para intermediários. E 
abençoada é a ausência de sindicatos, partidos políticos, oposições políticas 
desagradáveis e outras manifestações confusas da maioria das sociedades 
democráticas. [...] 

Não se pode descartar a possibilidade de que um sistema democrático liberal se 
estabeleça na China depois que o partido comunista finalmente perder o poder. Mas 
as soluções violentas e menos liberais parecem mais prováveis. Nenhuma delas será 
agradável e todas serão perigosas. Ou então, as coisas simplesmente ficarão como 
são e a China, como uma Cingapura continental, será o modelo reluzente do 
capitalismo autoritário, saudado por todos os regimes não-liberais, altos executivos 
e outros homens de relações públicas, pela boa vida, infantilizada e emasculada, que 
proporciona: o mundo inteiro como um gigantesco parque temático onde a diversão 
constante e os jogos tornarão redundante o pensamento livre. 

A questão da "confiança" está relacionada a uma linha mais antiga de preocupação 
com a vida comunitária, vínculos sociais, laços familiares e instituições e organizações 
intermediárias, que ocupa um lugar central nas tradições sociológicas e de ciência política, 
e pode ser rastreada até Alexis de Tocqueville. Está presente também nos trabalhos de 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 155 

Émile Durkheim, Karl Polanyi e, mais recentemente, Edward Banfield, Orlando Patterson e 
Robert D. Putnam, para mencionar apenas alguns de uma lista muito longa. 

Visitando os Estados Unidos no início do século 19, Alexis de Tocqueville escreveu 
sobre a densa vida comunitária e a riqueza de "instituições intermediárias" que pareciam 
explicar o dinamismo dessa nova sociedade. No final do mesmo século, Ferdinand Tõnnies 
desenvolveu a noção de dois tipos principais de associações humanas, Gemeinschaft e 
Gesellschaft: a primeira, baseada nos sentimentos de união e pertencimento; a outra, 
baseada em metas instrumentais. Émile Durkheim, escrevendo alguns anos depois, falou 
sobre solidarité méchanique, baseada em similaridades entre indivíduos, e solidarité 
organique, baseada na divisão do trabalho, que requeria a elaboração e a manutenção de 
uma cultura cívica por meio da educação. Max Weber seguiu essa linha, com sua distinção 
entre formas "comunais" versus racionais da ação social. Na década de 1950, Talcott 
Parsons falava das funções de integração e de padrões de manutenção que deveriam existir 
em qualquer sistema social moderno que funcione bem (Durkheim, 1893; Parsons, 1991; 
Tocqueville & Bender, 1981; Tõnnies & Loomis, 2002). 

A principal novidade nos anos subsequentes foi, talvez, completar esses insights 
pioneiros com investigações empíricas. Escrevendo nos anos de 1950, Edward Banfield 
antecipou muitos dos temas que reapareceriam em textos mais recentes (Banfield, 1958; 
Elisa Maria P. Reis, 1994). Ele descobriu que pessoas de pequenas comunidades agrárias na 
Itália mantinham laços familiares fortes, cultivando valores de solidariedade, lealdade e 
confiança, mas seu comportamento ético não se aplicava aos que não pertenciam a suas 
famílias extensas: eles eram "familistas amorais", e isso teria impossibilitado o 
estabelecimento de relações confiáveis de negócios e cooperação com a comunidade social 
mais ampla. Pesquisas subsequentes mostraram que essa "cultura cívica" mais ampla, que 
transcendia os limites das famílias locais e alcançava a comunidade mais ampla, era mais 
típica das sociedades capitalistas avançadas (Gabriel A. Almond & Sidney Verba, 1963). 

Essa crença na superioridade da vida social ocidental, entretanto, não resistiu à 
crescente evidência sobre a desintegração da família nuclear, a expansão da cultura da 
droga, a devastação intelectual criada pelos meios de comunicação de massa e os demais 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 156 

sintomas que pareciam apontar para uma deterioração rápida e incontrolável da cultura 
cívica nos Estados Unidos e na Europa ocidental. Robert Putman, em Bowling Alone 
(2001), fornece uma extensa documentação sobre o colapso das instituições comunitárias 
americanas, e finaliza seu livro com uma defesa, talvez ingénua, da renovação das 
instituições civis americanas com base no fortalecimento da boa vontade individual: 

Assim, nosso desafio é restaurar a comunidade americana para o século 21 pela 
iniciativa coletiva, tanto quanto pela individual. Reconheço a impossibilidade de 
proclamar qualquer panaceia para nossos problemas nacionais de não-engaj amento 
cívico. Por outro lado, por causa de minha experiência em liderar nos últimos anos 
uma discussão em âmbito nacional modelada no intenso intercâmbio entre 
pesquisadores e profissionais liberais da Era Progressista, estou otimista em relação 
a que, trabalhando em conjunto, os americanos de hoje possam mais uma vez ser tão 
civicamente criativos quanto nossos ancestrais progressistas. 

Cultura e pobreza 

Poucos negariam a importância do "capital social" para a explicação das diferenças 
nas realizações económicas e sociais e na convivência política entre grupos sociais e 
comunidades, mas o conceito em si permanece impreciso, e é frequentemente usado em um 
modo post hoc: se os resultados forem o que desejamos, buscamos o "capital social" que 
supostamente explica o produto. Banfield acreditava que os italianos tinham muito capital 
social, mas de um tipo ruim, uma vez que os mantinha isolados em suas famílias. As 
instituições de tipo americano, entretanto, eram consideradas boas. Putnam distingue 
"capital social de ligação", que mantém as pessoas unidas, de "capital social de ponte", que 
lhes permite se relacionar com o mundo exterior. Autores que estudaram as diferenças de 
género nas comunidades afro-americanas observaram que as mulheres tendem a 
desenvolver ligações fortes, o que as ajuda a enfrentar situações de pobreza e isolamento, 
mas não parecem traduzir esse capital em recursos para superar suas condições. 

A noção de que a pobreza está de alguma forma associada a valores e instituições 
culturais que limitam a capacidade de alguns grupos e sociedades de atingir, fazer uso e se 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 157 

beneficiar das modernas economias de mercado está muito difundida, e é também muito 
polémica. Vimos como essa visão é apresentada pelas interpretações de Naipaul sobre a 
índia, e de Octávio Paz sobre o México. No início da década de 1960, Oscar Lewis 
publicou The Children of Sánchez, um estudo antropológico sobre a pobreza no México, 
que provocou uma ampla sequência de trabalhos a ele relacionados. Nos Estados Unidos, 
Patrick Moynihan conduziu a principal pesquisa sobre a pobreza entre os negros, tentando 
explicá-la por meio das características das famílias afro-americanas, com o papel 
dominante das mães e o não-envolvimento ou a ausência dos pais (Lewis, 1961; Moynihan 
& Schellingl969; United States Department of Labor Office of Policy Planning and 
Research, 1965). Independentemente da validade ou não das constatações desses estudos, 
eles foram atacados como tentativas de "culpar as vítimas" por seus problemas e 
dificuldades, de acordo com Malthus e os escritores liberais do século 19, sem levar em 
conta as condições estruturais e institucionais que lhes negam os direitos e oportunidades. 

Condições estruturais e discriminação não são suficientes, entretanto, para explicar 
inteiramente as diferentes capacidades de alguns grupos para melhorar suas condições. Um 
dos correlatos mais notórios da situação de isolamento e miséria das comunidades afro- 
americanas são as diferenças de rendimento nas avaliações escolares, muito bem 
documentadas para os Estados Unidos e também presentes no Brasil e em outras 
sociedades. Em sua introdução a uma coletânea de artigos sobre o assunto, Christopher 
Jenks e Meredith Phillips observam que "afro-americanos normalmente têm resultados 
inferiores aos dos euro-americanos em testes de vocabulário, leitura e matemática, tanto 
quanto em testes que buscam medir a aptidão académica e a inteligência. Essa diferença 
aparece antes de as crianças entrarem no jardim de infância e persiste até a idade adulta. 
Vem diminuindo desde 1970, mas o negro americano típico ainda consegue menos de 75% 
do que os americanos brancos na maioria dos testes padronizados. Em alguns testes, o 
negro americano típico tem um nível de desempenho 85% menor do que os brancos". 

Eles continuam dizendo que "o gap encolhe apenas um pouco quando crianças 
brancas e negras frequentam a mesma escola" ou quando famílias negras e brancas têm o 
mesmo grau de escolaridade, a mesma renda e a mesma riqueza" (Jencks & Phillips, 1998, 
p. 1-2) A controvérsia sobre essa evidência foi especialmente severa, entre outras coisas por 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 158 

causa da tendência de alguns autores de explicar essas diferenças em termos genéticos. No 
capítulo de conclusão do livro de Jenks & Phillips, o sociólogo William Julius Wilson 
aponta uma forma melhor de tentar entender e lidar com essas questões, sem culpar as 
vítimas, buscar explicações genéticas ou raciais, mas também sem tentar desqualificar ou 
descartar as evidências. Um problema central, ele diz, está relacionado à abordagem 
individualista subjacente à maioria desses estudos sobre o desempenho educacional e 
intelectual: 

A abordagem individualista não permite captar o impacto dos processos relacionais, 
organizacionais e coletivos que corporificam a estrutura social da desigualdade. 
Entre esses processos encontram-se as influências institucionais sobre mobilidade e 
oportunidade; o funcionamento e a organização de escolas; os mecanismos de 
segregação racial residencial e de isolamento social em vizinhanças pobres; formas 
claras de discriminação em contratações, promoções e em outras vias de 
mobilidade; ideologias de diferenças de grupo compartilhadas por membros da 
sociedade e institucionalizadas em práticas organizacionais e normas que afetam os 
resultados sociais; acesso desigual à informação a respeito de mercado de trabalho, 
mercados financeiros, programas de aprendizagem e escolas; atividades de 
associações e sindicatos de empregadores; políticas governamentais sobre impostos, 
serviços, investimentos e redistribuição; e decisões corporativas a respeito da 
localização e mobilidade de indústrias (Wilson, 1998, p. 508). 

O papel da história e das instituições 

Outra abordagem consiste em buscar as origens históricas das condições atuais. A 
história passada não determina inteiramente as atitudes e os comportamentos de hoje, que 
dependem também do ambiente institucional presente e da liberdade que cada pessoa tem 
de escolher seu próprio destino. A história, entretanto, fornece às pessoas repertórios 
específicos de modelos de papéis, padrões de comportamento, valores, linguagem e visões 
de mundo que são adquiridos desde a tenra infância e que condicionam as escolhas que 
estão disponíveis para a maioria. Em parte, pensar em termos históricos é ter uma visão 
determinista da condição humana: você é aquilo que herda de seus ancestrais. A história, 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 159 

entretanto, pode ter o efeito oposto, libertador: ajuda a entender as razões e origens das 
condições presentes, mostrando que outras experiências e alternativas são também 
possíveis e abrindo caminho para a mudança. Isso é análogo ao objetivo da psicanálise - 
dar sentido a sentimentos, atitudes e comportamentos que de outra forma parecem vir do 
nada, permitindo às pessoas reconciliar-se com seu passado e mudar. Essa também é a 
abordagem seguida por Orlando Patterson (1998) em seu estudo sobre a família afro- 
americana, expandindo as descobertas anteriores às pesquisas de Moynihan e combinando 
uma interpretação histórica sobre o impacto da escravidão com as condições mais recentes 
de isolamento social e discriminação na vida da família afro-americana. Como ele afirma, 

Não tenho dúvidas de que a vida urbana do gueto e as privações económicas são 
fatores necessários que contribuem para uma explicação dos problemas afiro- 
americanos de género e relações familiares. Mas não podem ser suficientes. Alguma 
outra coisa deve estar em jogo. Alguma coisa que tem raízes profundas nas 
peculiaridades do próprio passado afro-americano. Em sua busca, somos 
inevitavelmente levados de volta aos séculos de holocausto da escravidão e no que 
foi seu impacto mais devastador: o ataque etnocida sobre os papéis de género, 
especialmente os de pai e marido, deixando marcas profundas nas relações entre 
homens e mulheres afro-americanos. 

A história é essencial para entender a criação e a transformação de instituições que 
desempenham um papel central na modelagem das sociedades e do comportamento 
individual. Há uma tensão antiga nas ciências sociais entre os autores que pensam a 
sociedade como baseada em instituições (organizações, leis, valores) que condicionam e 
limitam o comportamento dos indivíduos, e os que a pensam em termos de escolhas 
racionais individuais, moldando instituições por meio da negociação de suas preferências. 
Na sociologia, essa oposição é geralmente delineada em termos das diferentes tradições que 
se originam em Georg Simmel ou Emile Durkheim. Na economia, traduzem-se pela 
oposição entre as correntes históricas da Áustria e da Alemanha. Em anos recentes, os 
economistas começaram a olhar com crescente interesse para instituições e variáveis sócio- 
psicológicas fluidas, como atitudes e aspirações, enquanto os sociólogos e cientistas 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 160 

políticos levavam mais a sério o papel da economia e das escolhas individuais para a 
conformação das instituições sociológicas e políticas. 44 

Esse interesse recente dos economistas pela história e por seus efeitos sobre as 
instituições é bem descrito em um recente artigo de revisão de autoria de Karla Hof (2003). 
O ponto de partida é o fato de que antigas colónias que foram economicamente prósperas 
há cinco séculos - incluindo México, Peru e Brasil -, estão hoje entre os países 
"subdesenvolvidos" ou "em desenvolvimento", incapazes de se engajar plenamente nas 
transformações industriais e políticas que beneficiaram outras colónias menos promissoras 
do passado - como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia: "Em termos simples, a tese 
é que os fatores que fizeram essas colónias europeias ficar relativamente ricas em 1500, 
1600 e 1700 também possibilitaram uma estratégia de colonização que criou ou perpetuou 
fortes desigualdades de riqueza e poder político - uma estratégia cujo legado são 
instituições que tornaram essas áreas inadequadas para o crescimento económico moderno" 
(p. 206). Nestas colónias ricas, a concentração da riqueza levou a sociedades onde a 
maioria da população não podia votar, possuir terras, ter acesso à educação e desfrutar de 
proteção efetiva contra a expropriação de suas propriedades. (Acemoglu, 2003; Acemoglu 
et ai, 2001; Hof, 2003, p. 208.) 

Na prática, as pesquisas sumarizadas por Karla Hof se referem sobretudo às 
instituições que faltam nas ricas colónias do passado, em comparação às que existem nas 
economias desenvolvidas dos dias atuais. Fica faltando um melhor entendimento das 
instituições que foram criadas ao longo dessa história, e que até hoje condicionam a vida 
dessas sociedades. 

Esse foi precisamente o tema de meu trabalho de dissertação em 1973, onde discuti os 
diferentes e contraditórios caminhos do desenvolvimento em países herdeiros de um 
passado feudal ou de estruturas económicas e políticas neopatrimoniais, inspirado em uma 



44 Para as diferenças e aproximações entre economistas e sociólogos, ver Richard Swedberg, 1990. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 161 

interpretação do trabalho clássico de Max Weber sobre o desenvolvimento de sociedades 
racional-burocráticas modernas: 

A natureza contratual da ordem feudal parece ser uma explicação poderosa para a 
correlação que existe entre as experiências feudais do passado e as sociedades 
capitalistas modernas e democráticas contemporâneas. Maquiavel é conhecido pela 
profunda diferença que ele dizia existir entre duas formas principais da organização 
política dos estados, "o Príncipe e seus barões" e "o Príncipe e seus súditos", isto é, 
arranjos feudais e patrimoniais. Com o crescimento das cidades e o 
desenvolvimento dos ofícios nas sociedades feudais, o contratualismo foi também 
adotado para regular as relações entre esses novos atores sociais e o Príncipe ou a 
Igreja. Isso certamente foi um caminho importante para a modernização, mas o que 
aconteceu com as sociedades que não tiveram um passado feudal? Elas falharam na 
construção de seus estados-nação? Falharam em se modernizar? Ou, se tiveram 
êxito, em que sentido foi isso? Elas tiveram de incorporar de alguma forma em suas 
sociedades o componente contratual que não existia em sua herança histórica? [...] 

Na perspectiva de cinco séculos atrás, os antigos impérios patrimoniais eram 
certamente muito mais "modernos" e desenvolvidos do que as sociedades feudais 
que existiram por toda a Europa ocidental. Da China à Turquia e aos Países 
Ibéricos, eles tinham as maiores cidades, os exércitos mais fortes, os pesquisadores 
mais sofisticados, as melhores esquadras, as mais avançadas tecnologias e as 
organizações administrativas mais complexas. [...] 

Os antigos impérios patrimoniais não resistiram ao ataque das nações europeias 
emergentes, dotadas de dois componentes fundamentais da modernidade, 
capitalismo e conhecimento empírico. Entretanto, eles não foram destruídos ou 
forçados a adotar os padrões da Europa ocidental de organização social, política e 
económica. Os antigos impérios patrimoniais, ou seus herdeiros - China, Rússia, os 
países árabes, a América Latina - seguiram à sua própria maneira. Eles certamente 
fazem parte do mundo moderno, hoje, mas, em muitos sentidos, são provavelmente 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 162 

mais diferentes do tipo de estado europeu ocidental agora do que jamais o foram no 
passado. (Schwartzman, 1988a) 45 

Modernização, pobreza e a construção de um futuro melhor 

A história e a cultura são muito importantes para nos proteger de duas propensões 
opostas, extremas e negativas dos formuladores de políticas: acreditar que as sociedades 
não podem mudar ou acreditar que elas podem ser facilmente mudadas pela imposição da 
vontade de alguém. Deveriam também nos proteger da tentação arrogante de acreditar que 
"nossa" sociedade, "nossa" cultura e "nossos" valores são superiores às dos "outros", ou 
que todas as questões sociais podem ser reduzidas a questões de preferências éticas ou 
morais - com nossos princípios sendo os melhores, é claro. 

Entretanto, essa consciência do peso da história e da cultura não deveria nos conduzir 
ao niilismo e à desesperança. A agenda da modernização, estabelecida no final da Idade 
Média, ainda está muito presente conosco e não parece que irá embora. Não podemos mais 
acreditar, ingenuamente, que a história tem um destino ou que a luz da ciência vai 
prevalecer de forma inevitável sobre as trevas da ignorância ou da superstição, como tantos 
costumavam acreditar até recentemente, e talvez ainda acreditem. Mas a experiência dos 
últimos séculos e a grande quantidade de pesquisas e estudos desenvolvidos para entender e 
explicar os diferentes destinos das pessoas sob os ataques do desenvolvimento capitalista e 
os avanços da tecnologia são os únicos recursos que temos para lidar com os desafios 
antigos e novos que precisamos enfrentar. Paradoxalmente, a noção de que a história 
chegou ao fim, de que a ciência e a tecnologia modernas nos traíram, ou de que a própria 
ideia de progresso está ultrapassada e obsoleta, se torna mais forte precisamente quando a 
globalização está atando cada vez mais as pessoas em um destino comum, quando a 
decadência ambiental emerge como um desafio compartido e quando temos mais recursos 
materiais e intelectuais para lidar com as questões da pobreza, da exclusão social e da 



45 Ver também Schwartzman 1973; 1988b. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 163 

miséria do que em qualquer outra época. Ser moderno, em essência, é não desistir da 
tentativa de usar os recursos que temos para enfrentar as questões, buscando entendê-las e 
mudar a realidade para melhor. Nesse sentido, todos somos ou deveríamos ser modernos. 



Pobreza, exclusão social e modernidade: uma introdução ao mundo contemporâneo • Simon Schwartzman 164 



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